Anvisa estabelece padrão para genéricos de semaglutida nacional e abre caminho para redução de custos

3 min de leitura
Semaglutida, caneta emagrecedora Foto: Semaglutida, caneta emagrecedora - Edugrafo/ Shutterstock.com

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adicionou o fármaco Ozivy, uma semaglutida desenvolvida no Brasil, à sua Lista de Medicamentos de Referência (LMR) na sexta-feira, 10 de julho. A decisão, tornada pública no Diário Oficial da União, define este remédio como o modelo de qualidade obrigatório para a fabricação de futuras versões genéricas e similares em território nacional, prometendo impactar positivamente o acesso e custo para os pacientes.

Produzido pela empresa farmacêutica EMS, o Ozivy havia sido aprovado inicialmente em maio e compartilha o mesmo componente ativo encontrado no conhecido medicamento Ozempic. Contudo, a recente resolução da agência reguladora não concede uma nova permissão para sua venda, mas sim um reconhecimento técnico de sua eficácia e segurança, estabelecendo um parâmetro essencial para que outras indústrias farmacêuticas ajustem suas formulações.

Entenda a distinção regulatória que torna o Ozivy um padrão nacional

O formato do Ozivy que agora faz parte da relação oficial é uma solução injetável de semaglutida, com concentração de 1,34 mg por mililitro. Essa substância atua de forma similar ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino humano. Sua função principal inclui a modulação dos níveis de glicose no sangue e a prolongação da sensação de saciedade, o que explica sua grande demanda para tratamentos de emagrecimento e controle do diabetes.

A pergunta sobre por que o Ozempic, apesar de seu pioneirismo mundial, não assume essa posição de referência, tem base em questões legais e regulatórias. O Ozempic está registrado como um medicamento biológico, o que significa que outras empresas não podem produzir “genéricos”, mas apenas “biossimilares”, que seguem critérios de pesquisa distintos. Em contraste, o Ozivy recebeu a classificação de semaglutida sintética, viabilizando sua inclusão na lista que serve de base para os medicamentos genéricos.

Esta distinção no campo da regulação deve intensificar a competitividade no lucrativo mercado de terapias para perda de peso e controle do diabetes tipo 2. Ao estabelecer um referencial doméstico inequívoco, a deliberação da Anvisa incentiva a indústria farmacêutica brasileira a propor alternativas de custo mais acessível, intensificando a disputa com gigantes internacionais como a Novo Nordisk, responsável pelo Wegovy, e a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. Isso pode, a longo prazo, beneficiar os consumidores com mais opções e preços menores.

Embora haja a expectativa de maior disponibilidade dessas medicações após a recente aprovação regulatória, profissionais da saúde enfatizam a necessidade de prudência ao utilizar tais substâncias. Devido às suas indicações clínicas específicas e aos potenciais efeitos adversos, é imprescindível manter acompanhamento médico constante e a apresentação de receita é indispensável para assegurar a segurança e o bem-estar dos usuários.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas