O satélite NISAR registrou imagens detalhadas do avanço de lava no vulcão Krasheninnikov, localizado na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, após quase 500 anos de inatividade. A sequência em time-lapse divulgada pela agência espacial norte-americana Nasa reúne passagens de radar que documentam o preenchimento da caldeira e a expansão do fluxo magmático em formato de leque.
O monitoramento espacial conjunto entre a Nasa e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) permitiu acompanhar as transformações da estrutura geológica mesmo sob condições climáticas adversas e durante a noite. Conforme Matthew Pritchard, geofísico da Universidade Cornell e integrante da equipe científica da missão, a regularidade de obter registros em alta resolução e em duas direções de observação duas vezes a cada 12 dias demonstra a capacidade do satélite NISAR de acompanhar de perto fenômenos naturais perigosos.
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Satélite NISAR: dados técnicos da missão espacial e do vulcão Krasheninnikov
- Altitude orbital do satélite: 747 quilômetros acima da superfície da Terra.
- Resolução espacial: área de cobertura de 10 metros por 10 metros em cada pixel das imagens de radar.
- Dimensão da caldeira vulcânica: diâmetro aproximado de 10 quilômetros na estrutura de cones duplos.
- Frequência de observação: passagens pelo vulcão duas vezes a cada 12 dias, nos sentidos sul-norte e norte-sul.
- Tecnologia de rastreamento: radar de abertura sintética (SAR) com pulsos de micro-ondas em bandas L e S.
For the first time in nearly five centuries, Krasheninnikov erupted. 🌋
— NASA Earth (@NASAEarth) September 24, 2026
The @NASA/@ISRO NISAR satellite captured lava filling its caldera and overflowing into a wider crater, showing how NISAR can repeatedly monitor volcanoes and other natural hazards in sharp detail. pic.twitter.com/458fdJOFyQ
Inatividade de cinco séculos e despertar do Krasheninnikov após terremoto
Adormecido desde aproximadamente 1550, o vulcão Krasheninnikov não contava com uma malha densa de sensores no solo, ao contrário de outros vulcões frequentemente ativos na península russa de Kamchatka. Essa ausência histórica de instrumentos terrestres tornou a observação a partir do espaço a principal ferramenta científica para registrar a nova fase eruptiva. A reativação começou a ser observada no cone norte poucos dias após um abalo sísmico de magnitude 8,8 ocorrido a cerca de 240 quilômetros de distância, no Oceano Pacífico.
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A reconstituição do fluxo de magma foi possível graças ao radar de abertura sintética a bordo da sonda espacial, que opera a 747 quilômetros de altitude emitindo milhares de pulsos de micro-ondas a cada segundo. Ao contrário dos sensores ópticos tradicionais, que dependem da luz solar e enfrentam bloqueios pela nebulosidade frequente no extremo leste russo, o sistema do satélite atravessa nuvens densas e cinzas suspensas para detalhar a topografia da caldeira com resolução de 10 metros por 10 metros por ponto capturado.
Sequência de eventos da erupção do vulcão Krasheninnikov
- 1550 — Período estimado pelos registros geológicos para a última atividade eruptiva do Krasheninnikov antes do longo período de repouso.
- 30 de julho de 2025 — Terremoto de magnitude 8,8 é registrado no Oceano Pacífico a cerca de 240 quilômetros da costa de Kamchatka.
- 3 de agosto de 2025 — Cone norte do vulcão Krasheninnikov inicia a emissão de lava e colunas de cinzas na caldeira de 10 quilômetros.
- 25 de dezembro de 2025 — Satélite NISAR conclui etapas de testes pós-lançamento e obtém o primeiro registro de radar da erupção.
- 24 de setembro de 2026 — Nasa e Laboratório de Propulsão a Jato divulgam a animação em time-lapse baseada em 17 passagens de radar acumuladas até meados de agosto.
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Relação sísmica e próximos passos na investigação do vulcão Krasheninnikov
Apesar da proximidade temporal entre o forte tremor oceânico e o início do derramamento de lava, pesquisadores ainda não confirmaram em definitivo se o abalo de magnitude 8,8 foi o único gatilho para a erupção do Krasheninnikov ou se o reservatório magmático já se encontrava sob pressão crítica antes do terremoto. A equipe científica planeja usar os próximos ciclos orbitais do satélite para analisar a deformação da crosta terrestre e verificar se a alimentação de magma segue contínua na caldeira russa.
A continuidade das passagens do NISAR, realizadas duas vezes a cada intervalo de 12 dias nos sentidos sul-norte e norte-sul, servirá de base para medir a taxa exata de resfriamento e acúmulo das novas camadas de rocha vulcânica. Os dados recolhidos pelos pesquisadores ao longo dos próximos meses serão confrontados com modelos tectônicos globais para avaliar o comportamento de vulcões que permanecem adormecidos por vários séculos em regiões remotas do planeta.
