Japão realiza primeira cirurgia cardíaca com transplante de células iPS

Cirurgia cardíaca, centro cirúrgico - ungvar/ shutterstock.comCirurgia cardíaca, centro cirúrgico - ungvar/ shutterstock.com

Cirurgia cardíaca, centro cirúrgico - ungvar/ shutterstock.com

Cirurgiões do Hospital Osaka Keisatsu realizaram o transplante inédito de lâminas de células musculares cardíacas em uma paciente com insuficiência cardíaca grave, marcando o primeiro procedimento comercial do mundo com tecido derivado de células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas pela sigla células iPS. A operação ocorreu na cidade de Osaka, no Japão, sob cobertura oficial do sistema público de saúde do país asiático.

A paciente atendida é uma mulher na faixa dos 50 anos, moradora da província de Kanagawa, que desenvolveu um quadro de insuficiência cardíaca decorrente de miocardiopatia isquêmica provocada por infarto. O cirurgião cardiovascular Yoshiki Sawa, diretor do Hospital Osaka Keisatsu, professor emérito da Universidade de Osaka e conselheiro da desenvolvedora da tecnologia, conduziu a intervenção e declarou sobre o objetivo do tratamento: “Nossa esperança é que isso melhore a qualidade de vida da paciente”, em tradução livre.

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RiHeart: dados da cirurgia pioneira em Osaka

O produto biológico implantado no coração da mulher chama-se RiHeart, desenvolvido pela Cuorips Inc., empresa do setor de biotecnologia ligada à Universidade de Osaka. A equipe médica enxertou o tecido biológico diretamente sobre o músculo cardíaco lesionado para estimular a regeneração e a vascularização da área afetada pelo infarto.

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  • Data e horário: terça-feira, 29 de setembro de 2026, com início às 11h15 no horário local
  • Local: Hospital Osaka Keisatsu, situado na cidade de Osaka, no Japão
  • Duração do procedimento: 50 minutos segundo os registros da Cuorips Inc.
  • Custo oficial da terapia: 53,2 milhões de ienes por paciente (cerca de US$ 338 mil), sujeito a teto de coparticipação
  • Situação pós-operatória: paciente estável, com previsão de alta entre duas semanas e um mês

A indicação médica para receber a aplicação das lâminas do produto RiHeart destina-se a pessoas diagnosticadas com cardiopatia isquêmica e insuficiência cardíaca severa decorrente de infarto prévio. Para ter acesso à terapia na rede japonesa, os pacientes precisam ser avaliados em hospitais autorizados pelo governo local, que estabeleceu um teto financeiro para coparticipação dos segurados do sistema nacional de saúde, reduzindo os encargos diretos do custo tabelado de 53,2 milhões de ienes.

Conceito de células tronco – Billion Photos/ Shutterstock.com

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Origem das células iPS e a legislação japonesa

A tecnologia por trás das células iPS começou a ser desenvolvida em 2006 pelo pesquisador japonês Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, laureado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2012. Yamanaka descobriu como reprogramar células adultas maduras, extraídas da pele ou do sangue, de modo que retornem a um estágio pluripotente semelhante ao embrionário, capazes de se diferenciar em qualquer tecido do corpo humano sem a necessidade de destruição de embriões.

O avanço comercial observado agora foi viabilizado porque o Japão adotou em 2014 uma legislação acelerada para produtos de medicina regenerativa. O modelo legal autoriza a comercialização temporária e condicional de tratamentos inovadores que apresentem presunção de eficácia clínica e segurança atestada, exigindo que as empresas acompanhem os pacientes e apresentem dados complementares ao longo de sete anos para pleitear a validação em caráter definitivo.

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Com essa estrutura regulatória, a agência de saúde japonesa também concedeu aval condicional, em março de 2026, a outro produto celular pioneiro: o Amchepry, desenvolvido pela Sumitomo Pharma a partir de células iPS para tratar a doença de Parkinson. A medida colocou duas frentes distintas de aplicação das células reprogramadas no mercado japonês no mesmo ano.

Evolução da terapia celular no sistema japonês

  • 2006 — O pesquisador Shinya Yamanaka cria as células iPS na Universidade de Kyoto ao reprogramar células maduras sem usar embriões
  • 2014 — O Parlamento do Japão promulga o marco regulatório acelerado para terapias celulares e medicina regenerativa
  • 1 de março de 2026 — O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão concede a aprovação condicional para o produto RiHeart
  • 1 de setembro de 2026 — A cobertura pelo sistema de seguro nacional de saúde do Japão entra em vigor oficialmente para o RiHeart
  • 29 de setembro de 2026 — Cirurgiões realizam em Osaka a primeira operação comercial com o tecido RiHeart
  • 31 de dezembro de 2033 — Prazo final estabelecido pelas autoridades sanitárias para apresentação das evidências clínicas de eficácia definitiva

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Ensaios clínicos e monitoramento em andamento

Antes de chegar à fase de comercialização na rede pública, a terapia RiHeart passou por testes clínicos envolvendo oito voluntários diagnosticados com cardiopatia isquêmica, condição caracterizada pela diminuição do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias. Todos os oito pacientes monitorados durante a etapa preliminar de pesquisas apresentaram alívio dos sintomas cardíacos, e quatro deles alcançaram melhora expressiva nos índices de função do coração, segundo registros médicos da instituição.

O Hospital Osaka Keisatsu e a Cuorips Inc. mantêm a paciente sob acompanhamento clínico contínuo para observar a integração das lâminas ao miocárdio. A identidade da mulher tratada na terça-feira (29) não foi divulgada pela equipe médica, que informou apenas sua idade e a província de residência. Os pesquisadores e os centros participantes trabalham com a meta de realizar o procedimento em 75 pessoas espalhadas por cerca de 20 hospitais até o fim de 2033, data estipulada pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão para a entrega dos relatórios definitivos de segurança.