A espaçonave Starliner passará por um voo não tripulado de carga no fim de 2026 antes de voltar a transportar astronautas para a Estação Espacial Internacional em 2028. O novo plano de voos foi oficializado em Washington, nos Estados Unidos, em anúncio conjunto com a Boeing que inclui um repasse de US$ 359 milhões para correções mecânicas e homologação de um novo lançador.
O aporte financeiro da agência espacial norte-americana financia a reconstrução dos propulsores de controle de reação e viabiliza a certificação do foguete Vulcan Centaur, desenvolvido pela United Launch Alliance. O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a estratégia visa assegurar opções independentes de acesso à órbita: “Estamos vivendo a era mais emocionante da exploração espacial desde o programa Apollo. À medida que este domínio continua a se abrir, haverá uma demanda crescente por veículos de lançamento, estágios de transferência, módulos de pouso e, claro, espaçonaves que transportem astronautas”, declarou o dirigente, em tradução livre.
Quando a Starliner volta a transportar astronautas?
O retorno de uma tripulação a bordo da cápsula da Boeing está previsto para 2028 na missão Starliner-2, sob a liderança do astronauta Woody Hoburg. Antes dessa etapa tripulada, a agência determinou que a missão Starliner-1 decole sem pessoas a bordo para validar as alterações térmicas e estruturais exigidas após os problemas registrados no voo de teste de 2024.
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“Estamos começando com uma missão Starliner-1 não tripulada para a Estação Espacial Internacional para validar as melhorias feitas na espaçonave e coletar os dados de voo necessários. A partir daí, usaremos o que aprendermos, continuaremos implementando as ações corretivas identificadas pela nossa Equipe de Investigação do Programa e concluiremos os testes e a certificação necessários para voos tripulados. Nosso plano atual é retornar astronautas na Starliner-2 até 2028”, afirmou Isaacman, em tradução livre.
A gerente do Programa de Órbita Terrestre Baixa da NASA, Dana Weigel, explicou que os parâmetros operacionais serão controlados de maneira rigorosa durante a avaliação de engenharia no espaço para verificar se o superaquecimento das peças foi eliminado.
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Calendário planejado para as operações da Starliner
A reformulação técnica e operacional do programa espacial estabeleceu prazos específicos para cada fase de teste e certificação da nave:
- 28 de setembro de 2026: anúncio oficial do novo cronograma e das diretrizes do programa comercial da cápsula
- 1 de dezembro de 2026: abertura da janela estimada para a decolagem do voo de carga não tripulado Starliner-1
- Janeiro de 2027: encerramento da primeira janela técnica prevista para a missão de validação na estação orbital
- 1 de janeiro de 2028: início do ano fixado como meta para a primeira viagem tripulada operacional com a Starliner-2
Substituição do foguete Atlas V e transição para o Vulcan
A necessidade de certificar o veículo lançador Vulcan Centaur surgiu em decorrência do fim iminente da linha de produção do foguete Atlas V, utilizado historicamente no programa da Boeing. Como a fabricante encerrou a fabricação do modelo anterior, restavam apenas seis unidades do Atlas V reservadas para cronogramas espaciais, o que obrigou a NASA a acelerar a integração da cápsula ao Vulcan para permitir as operações restantes até a desativação da Estação Espacial Internacional.
A agência espacial também confirmou o exercício formal das opções contratuais para a quinta e a sexta missões operacionais da Starliner rumo ao complexo orbital. Essa decisão preserva uma alternativa técnica direta caso ocorram paralisações nas operações da SpaceX, cuja estratégia comercial futura prevê a substituição gradativa das cápsulas Dragon e dos lançadores Falcon pelo sistema Starship, segundo apontou o próprio Isaacman.
Valores e indicadores do programa espacial Starliner
O projeto acumulou desafios orçamentários e exigências de redesenho industrial ao longo dos últimos anos de desenvolvimento:
- US$ 359 milhões em recursos adicionais transferidos pela NASA para reestruturar propulsores e certificar o foguete
- 61 recomendações corretivas obrigatórias elaboradas pela Equipe de Investigação do Programa da NASA
- 6 missões contratuais totais de transporte que a agência planeja efetuar com o veículo da Boeing
- 6 unidades finais do foguete Atlas V disponíveis antes do encerramento completo do inventário
- Mais de US$ 2 bilhões em perdas financeiras acumuladas pela Boeing durante a execução do contrato
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Falhas térmicas em 2024 motivaram investigação interna
A reestruturação atual do programa é resultado direto dos incidentes verificados em junho de 2024 durante o Teste de Voo Tripulado, quando a Starliner transportou os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams à Estação Espacial Internacional. Naquela oportunidade, o sistema registrou vazamentos repetidos de hélio e superaquecimento nos propulsores de controle de reação do módulo de serviço, o que desativou temporariamente manobras essenciais de aproximação.
Diante do risco operacional, a agência decidiu desacoplar a Starliner sem ocupantes em setembro de 2024, mantendo os dois tripulantes a bordo da estação orbital até o resgate realizado por uma nave da SpaceX em março de 2025. Em fevereiro de 2026, a agência classificou formalmente a missão de teste de 2024 como um incidente Tipo A, categoria mais grave em sua escala de ocorrências espaciais, o que desencadeou as exigências de redesenho nas vedações de válvulas, substituição de baterias e adaptações nos paraquedas antes de qualquer nova decolagem tripulada.
A composição completa dos outros três astronautas que acompanharão Woody Hoburg na missão Starliner-2 ainda não foi definida, e a data exata para o lançamento do teste não tripulado no encerramento de 2026 depende da validação final do calendário de tráfego espacial.
