Estação Tiangong instala forno a ar quente pioneiro para cozimento real de alimentos em gravidade zero

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Air fryer - Foto: Shining symbols/ Shutterstock.com

O Centro de Pesquisa e Treinamento de Astronautas da China modernizou a cozinha da estação Tiangong com a instalação de um forno a ar quente projetado para operar em microgravidade. O aparelho alcança a temperatura de 190 °C e permitiu a realização do primeiro cozimento real de alimentos em órbita, expandindo as opções alimentares da tripulação para quase 200 itens diferentes.

Os dados técnicos da atualização foram apresentados na Conferência de Engenharia Médica Aeroespacial em Tianjin e publicados pela agência estatal de notícias Xinhua em 20 de setembro de 2026. Segundo Liu Weibo, vice-projetista-chefe do sistema de astronautas do Centro de Pesquisa e Treinamento de Astronautas da China, a nova estrutura transforma a rotina alimentar: “Ao elevar a temperatura para 190 graus Celsius, os astronautas agora podem realmente cozinhar em órbita. O aquecimento anterior de alimentos era apenas um aquecimento físico, mas este é um cozimento genuíno, envolvendo reações químicas. A comida agora pode sair dourada e crocante”, afirmou, em tradução livre.

Tecnologia de filtragem no forno espacial da estação Tiangong

O aparelho instalado no complexo orbital funciona de maneira semelhante a uma fritadeira sem óleo doméstica, embora seja tecnicamente classificado pelos relatórios oficiais como forno de assamento a ar quente. A queima de gordura e o desprendimento de vapores representavam riscos críticos para os sistemas de reciclagem atmosférica que mantêm a vida dentro da estrutura pressurizada.

Para contornar o problema da dispersão de partículas em ambiente sem peso, os pesquisadores integraram um exaustor interno diretamente à estrutura do eletrodoméstico espacial. O sistema combina processos de catálise operando sob altas temperaturas com estágios de filtragem em multicamadas, destruindo resíduos orgânicos, odores e compostos voláteis antes que qualquer ar residual escape para o interior do módulo habitacional, preservando os filtros de suporte de vida da estação espacial.

Foto: Estação Espacial Internacional – Rawpixel.com/Shutterstock.com

Liu Weibo explicou a peculiaridade dessa integração técnica durante o anúncio dos resultados da conferência em Tianjin: “Construímos o exaustor dentro do forno, por isso é um forno de ar quente com purificação integrada. É o primeiro forno do mundo que pode realmente ser usado a bordo de uma estação espacial”, disse o especialista, em tradução livre.

Como funciona o forno espacial na estação Tiangong?

A circulação mecânica do ar superaquecido garante a transferência contínua de calor sem a necessidade da convecção natural, fenômeno térmico que não ocorre em gravidade zero. O fluxo controlado envolve o alimento de maneira uniforme dentro do compartimento lacrado, desencadeando reações químicas de caramelização que eram inviáveis em equipamentos térmicos tradicionais utilizados em missões anteriores.

Durante a fase de validação operacional, o astronauta Wu Fei, integrante da missão tripulada Shenzhou-21, executou o teste de preparo de carne ao lado do comandante Chen Dong, da missão Shenzhou-20. As tripulações utilizaram o equipamento para assar asas de frango em um processo de 28 minutos ininterruptos, além de elaborarem bifes temperados com pimenta e bolos a bordo.

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O tempo médio para aprontar uma refeição aquecida completa caiu para cerca de 20 minutos com o uso coordenado dos módulos da nova cozinha. A estrutura atualizada também dispõe de um forno de micro-ondas projetado com isolamento térmico e blindagem eletromagnética especial para bloquear o vazamento de radiação em condições de baixa voltagem, além de um dispensador inteligente que filtra e mineraliza a água reciclada pelos sistemas ambientais da estação.

Evolução da dieta espacial desde as primeiras missões chinesas

O avanço registrado na Tiangong contrasta com os recursos disponíveis nas fases iniciais do programa espacial tripulado da China. Na missão Shenzhou-5, lançada em 2003, o astronauta Yang Liwei permaneceu 21 horas em órbita consumindo exclusivamente alimentos prensados, desidratados e pré-embalados, que eram ingeridos sem qualquer tipo de processamento térmico direto no espaço.

Em iniciativas internacionais anteriores, como os testes conduzidos pela agência espacial norte-americana Nasa em parceria com a empresa Zero G Kitchen entre 2019 e 2020 na Estação Espacial Internacional, protótipos de fornos chegaram a assar biscoitos em caráter experimental. A unidade instalada na Tiangong, no entanto, figura como o primeiro sistema de forno permanente e plenamente homologado para o consumo cotidiano de tripulações em uma plataforma orbital.

Além dos pratos que passam por assamento em alta temperatura, o cardápio da estação chinesa passou a incorporar um ciclo de rotação de 10 dias para evitar repetições excessivas no consumo diário. A infraestrutura montada em órbita também inclui ambientes com temperatura controlada que viabilizam a manutenção de frutas e vegetais frescos, oleaginosas e até processos de fermentação biológica de iogurte conduzidos diretamente no espaço.

Especificações da cozinha espacial na estação Tiangong

  • Temperatura máxima de operação: 190 °C para cozimento de alimentos
  • Variedade de itens no cardápio de bordo: quase 200 tipos de alimentos
  • Ciclo de rotação dos pratos da tripulação: 10 dias de alternância
  • Tempo de cozimento do teste de carne: 28 minutos para asas de frango
  • Tempo médio para preparo de refeição quente: cerca de 20 minutos
  • Certificação operacional do aparelho: 500 ciclos contínuos de segurança

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Divulgação dos dados técnicos e cooperações industriais

Os registros em vídeo das operações culinárias começaram a ser documentados pela agência chinesa em 4 de novembro de 2025, período em que as tripulações das naves Shenzhou-20 e Shenzhou-21 dividiram a permanência no laboratório orbital. A consolidação dos parâmetros médicos e ambientais do projeto foi mantida sob análise técnica até o evento de setembro em Tianjin.

A lista com a razão social das empresas privadas e dos laboratórios industriais que colaboraram no desenvolvimento conjunto das patentes de filtragem com o Centro de Pesquisa e Treinamento de Astronautas da China não foi divulgada durante as apresentações técnicas na conferência.