Nike planeja poupar US$ 2,5 bilhões até 2031 após tombo de 26% na China

Nike - Roman Zaiets/Shutterstock.comNike - Roman Zaiets/Shutterstock.com

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A fabricante de calçados esportivos Nike formalizou a criação do programa de reestruturação operacional Pace para economizar US$ 2,5 bilhões cumulativos até o ano fiscal de 2031. O anúncio foi realizado na quinta-feira (1), em Beaverton, nos Estados Unidos, após a companhia reportar uma receita líquida de US$ 11,21 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, resultado que representou uma queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O pacote de mudanças administrativas inclui o corte de postos de trabalho e a redução de quatro para três regiões geográficas de comando até 2028. A apresentação do plano ocorreu na esteira de reveses estratégicos recentes, como a saída do atacante Kylian Mbappé do quadro de patrocinados da marca e a exclusão das ações da empresa do índice norte-americano S&P 100.

O que causou o plano de cortes Pace na Nike?

A crise recente da empresa começou a se aprofundar durante a gestão do executivo John Donahoe, antecessor do atual presidente Elliott Hill. Sob o comando de Donahoe, a marca direcionou a maior parte dos investimentos para vendas digitais diretas ao consumidor e reduziu o fornecimento a redes varejistas tradicionais, como a Foot Locker. A movimentação abriu espaço nas prateleiras para marcas concorrentes em ascensão, entre elas a On e a Hoka, enquanto os recursos de pesquisa e desenvolvimento foram absorvidos por operações eletrônicas em detrimento da criação de novos produtos esportivos.

Foto: nike – Yalcin Sonat/Shutterstock.com

O presidente e diretor-executivo da Nike, Elliott Hill, defendeu a reestruturação ao falar com os investidores sobre o direcionamento esportivo da companhia. “O Sport Offense está gerando um progresso mensurável em nossos negócios de performance, e introduzimos o Pace para nos ajudar a acelerar e expandir esse ritmo em toda a Nike”, declarou o executivo, em tradução livre.

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O analista e consultor de varejo esportivo Matt Powell avaliou que o aumento indiscriminado na oferta de calçados de edição limitada prejudicou a atratividade da marca perante o público consumidor. Para reverter o desgaste comercial, a empresa reduziu intencionalmente a produção de linhas consagradas como o modelo Dunk, cuja receita encolheu quase 50% no trimestre fiscal, além de frear o ritmo de lançamentos da divisão Jordan Brand.

A perda de espaço no mercado esportivo coincidiu com a perda de nomes de peso no elenco da marca. Em 18 de setembro de 2026, Kylian Mbappé encerrou quase 20 anos de vínculo com a empresa para assinar contrato com a suíça On, tornando-se embaixador global e acionista do negócio rival. Em 2024, a empresa já havia perdido o atacante espanhol Lamine Yamal para a concorrente Adidas e encerrado uma cooperação de 27 anos com o golfista Tiger Woods.

Ao oficializar a transição para a nova parceira, Mbappé explicou sua opção comercial. “Desde o início, o que me atraiu na On foi a oportunidade de construir algo inteiramente novo juntos, que ajudará a moldar o jogo de amanhã”, afirmou o jogador, em tradução livre.

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Retração da Nike na China e exclusão do índice S&P 100

As dificuldades operacionais atingiram com força o mercado asiático, no qual as receitas da Nike na Grande China despencaram 26% em base cambial neutra no primeiro trimestre fiscal. A retração foi impulsionada pela desaceleração do consumo interno e por reformulações nos canais digitais de venda. O balanço registrou ainda um lucro por ação diluído de US$ 0,48 no período encerrado em 31 de agosto de 2026.

No setor financeiro, o recuo acumulado das ações oscila entre 78% e 79% na comparação com o recorde histórico alcançado pela empresa em novembro de 2021. Em 4 de setembro de 2026, a gestora S&P Dow Jones Indices comunicou que retiraria a marca de material esportivo da carteira do S&P 100, índice voltado às 100 principais corporações de megacapitalização dos Estados Unidos. A saída entrou em vigor em 21 de setembro de 2026, com a Nike sendo substituída pela empresa de segurança cibernética Palo Alto Networks.

O diretor financeiro da Nike, Dave Denton, analisou a execução orçamentária do período. “Entregamos resultados no primeiro trimestre consistentes com nossas expectativas, apoiados pela melhora na margem bruta e pelo gerenciamento disciplinado de custos”, disse Denton, em tradução livre.

Números e prazos apurados na reestruturação da Nike

  • Data da teleconferência de resultados e do plano Pace: quinta-feira, 1 de outubro de 2026
  • Receita líquida no 1º trimestre fiscal de 2027: US$ 11,21 bilhões
  • Meta de economia operacional até 2031: US$ 2,5 bilhões cumulativos
  • Queda da receita trimestral na Grande China: 26% em base cambial neutra
  • Lucro por ação diluído apurado no trimestre: US$ 0,48
  • Local da sede administrativa global: Beaverton, Oregon, Estados Unidos

A diretoria da Nike não revelou o volume total de trabalhadores que serão dispensados durante as etapas do programa Pace a partir de 2027. Além disso, as cláusulas financeiras e a fatia acionária transferida a Kylian Mbappé no contrato com a suíça On não foram divulgadas pelas partes envolvidas na negociação.