Dólar recua para R$ 4,98 e contratos futuros da Bolsa sobem

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Dólar, dinheiro Foto: Dólar, dinheiro - Volodymyr TVERDOKHLIB/shutterstock.com

O mercado financeiro brasileiro iniciou os negócios com forte valorização dos ativos locais e queda expressiva da moeda norte-americana após a definição do primeiro turno eleitoral. A cotação do dólar comercial quebrou o piso de R$ 5,00 e atingiu R$ 4,98 nas primeiras negociações da manhã na B3, enquanto os contratos futuros do Ibovespa registraram salto de até 9,17%, chegando ao patamar de 211 mil pontos em São Paulo.

O movimento reflete a contagem oficial de votos que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa pela Presidência da República com 47,03% dos votos válidos, diante de 45,16% obtidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”, afirmou Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da PGIM, ao avaliar a resposta inicial dos investidores globais.

Bolsa de Valores e mercado externo registram valorização de ativos

Dolar 05.10.2026 - Reprodução
Foto: Dolar 05.10.2026 – Reprodução

Antes do início das operações regulares no Brasil, os papéis nacionais já apresentavam forte alta nas praças financeiras internacionais durante a madrugada. Na Bolsa de Tóquio, no Japão, o fundo ETF que replica o mercado acionário brasileiro subiu 14%. No pré-mercado de Nova York, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) avançou mais de 12%, antecipando o fluxo comprador que se consolidou na abertura dos negócios locais.

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A reação positiva decorre da leitura predominante entre gestores de que o candidato do PL demonstra maior propensão a implementar medidas de corte de despesas e rigor fiscal. A avaliação foi reforçada pelo avanço expressivo de partidos conservadores e de centro-direita nas disputas pelo Congresso Nacional e em governos estaduais estratégicos, o que alterou o cálculo político para a próxima legislatura.

“Do ponto de vista de governabilidade e de agenda econômica, o terreno nunca esteve tão fértil”, disse Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management. Segundo o gestor, a composição dos resultados legislativos e estaduais superou as projeções mais otimistas e estabelece bases para um rali continuado nos preços das ações e títulos da dívida pública.

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Cotações e variações apuradas no início das negociações

  • Dólar comercial na abertura da sessão: negociado a R$ 4,98, após fechar a sexta-feira cotado a R$ 5,21.
  • Contratos futuros do Ibovespa: alta de 9,17%, atingindo o patamar de 211 mil pontos na B3.
  • ETF brasileiro na Bolsa de Tóquio: valorização de 14% durante as negociações na madrugada japonesa.
  • ETF iShares MSCI Brazil em Nova York: avanço superior a 12% no período de pré-mercado nos Estados Unidos.
  • Votação para a Presidência: Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva.

Expectativas para o câmbio e projeções fiscais

O recuo da moeda estrangeira altera as projeções de médio prazo traçadas por grandes instituições financeiras para a economia brasileira. O banco de investimentos Goldman Sachs projetou que o fortalecimento da divisa nacional, impulsionado por uma condução orçamentária mais austera e pela redução dos prêmios de risco exigidos pelos agentes econômicos, pode conduzir a cotação do dólar para um intervalo entre R$ 4,50 e R$ 4,80 nos próximos meses.

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A percepção de agentes de mercado é que a liderança de Flávio Bolsonaro desarmou estratégias defensivas adotadas ao longo das últimas semanas, quando as pesquisas indicavam empate técnico e levaram tesourarias a operar com cautela redobrada por meio de derivativos. Para Paulo Abreu, sócio e gestor de portfólio da Mantaro Capital, o desfecho das urnas surpreendeu a comunidade financeira: “A segunda-feira será um dia muito melhor do que até os investidores mais otimistas esperavam”.

No setor corporativo, analistas de mercado preveem que a queda das taxas futuras de juros decorrente do alívio cambial beneficie diretamente companhias com operações voltadas ao consumo doméstico. A perspectiva favorável alcança principalmente empresas dos segmentos de comércio varejista, construção civil residencial, administradoras de shopping centers e indústrias de bens de consumo, que dependem do custo do crédito para expandir vendas e financiar investimentos.

Abertura do mercado à vista e calendário eleitoral

Até o momento, os dados apurados refletem a operação dos contratos futuros de índices e as primeiras oscilações do mercado de câmbio comercial na B3, que registraram a moeda norte-americana a R$ 4,98 logo após o fechamento prévio de R$ 5,21 ocorrido na sexta-feira (2 de outubro de 2026). O início das negociações do pregão regular à vista de ações na Bolsa brasileira está programado para as 10h, quando serão conhecidas as cotações oficiais dos papéis ordinários e preferenciais das companhias abertas.

A definição sobre o comando do Poder Executivo federal ocorrerá com a votação do segundo turno, marcada pela Justiça Eleitoral para o domingo, 25 de outubro de 2026, quando os eleitores retornarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.

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