Fóssil de 309 milhões de anos revela novo protoanfíbio nos EUA

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Fóssil de protoanfíbio - siloto/ shutterstock.com Foto: Fóssil de protoanfíbio - siloto/ shutterstock.com

Pesquisadoras do Field Museum identificaram uma nova espécie de protoanfíbio de 309 milhões de anos, batizada formalmente de Jeanerpeton mazonensis. A análise do espécime guardado na instituição corrigiu uma classificação histórica que agrupava o animal com outras espécies em uma categoria genérica.

O trabalho formal que descreveu o novo gênero e espécie foi publicado em 24 de setembro de 2026 no periódico científico Journal of Vertebrate Paleontology. A descrição anatômica detalhada confirmou que a estrutura óssea e as impressões celulares pertenciam a um animal completamente distinto de outros tetrápodes primitivos da mesma época.

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Origem do nome e análise da equipe em Chicago

A nova nomenclatura foi escolhida pelas pesquisadoras Allison J. Sefcovic, estudante de graduação na Universidade de Michigan e estagiária do programa Women in Science 2025 do Field Museum, e Payton J. Kohlberg, também estagiária do mesmo programa institucional. O nome científico combina a palavra grega erpeton, que significa rastejador, ao primeiro nome das mães de ambas as autoras, chamadas Jean. A denominação de espécie, mazonensis, faz referência à formação geológica onde a peça foi recolhida.

O estudo contou ainda com a coautoria de Calvin So, pesquisador de pós-doutorado na instituição de Chicago, e de Arjan Mann, curador assistente de Peixes Fósseis e Primeiros Tetrápodes do museu. A equipe reavaliou o espécime por meio de exames comparativos da morfologia do crânio, das vértebras pré-sacrais e das impressões corporais preservadas na rocha.

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Preservação de tecidos moles na formação Mazon Creek

A conservação excepcional das partes moles do Jeanerpeton mazonensis ocorreu graças ao ambiente geológico da região de Mazon Creek, no estado de Illinois. Durante o período Carbonífero Superior, a localidade funcionava como um delta fluvial pantanoso. O soterramento rápido dos animais por sedimentos finos gerou nódulos do mineral siderita, processo que impediu a decomposição total e registrou estruturas delicadas que costumam desaparecer nos fósseis tradicionais.

Em decorrência desse tipo singular de fossilização, a placa rochosa preservou escamas dorsais, gastrálias, almofadas nas pontas dos dedos e o contorno da cabeça com evidências de lentes oculares. Em declaração divulgada pela instituição, em tradução livre, Allison Sefcovic afirmou: “O que é realmente fantástico em relação a Mazon Creek é que o local preserva todos esses detalhes incomuns, como almofadas nos dedos e contornos corporais. No fóssil de Jeanerpeton, nós conseguimos ver algumas das escamas nas costas e pequenas costelas ventrais chamadas gastrálias. É possível ver até as impressões dos olhos. É fascinante de observar”.

Dados do fóssil catalogado no Field Museum

  • Número do espécime de referência: holótipo FMNH PR 558
  • Idade geológica: 309 milhões de anos, período Carbonífero Superior (idade Moscoviana)
  • Local original da descoberta: Pit 11, formação Mazon Creek, em Illinois
  • Ano em que o fóssil foi achado: 1965
  • Identificação anterior na coleção: Amphibamus grandiceps

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Revisão anatômica e saída do táxon lixeira

O exemplar FMNH PR 558 foi localizado em 1965 pelo colecionador amador de fósseis Ken Kietzke, que realizou a doação do material para o acervo científico do museu. Por décadas, o material permaneceu catalogado sob o rótulo de Amphibamus grandiceps. Na paleontologia, esse tipo de classificação muitas vezes funciona como um agrupamento genérico, no qual profissionais reúnem animais de difícil diagnose inicial até que novas tecnologias permitam distinções seguras.

O pesquisador de pós-doutorado Calvin So detalhou o impacto dessa revisão técnica, em tradução livre: “O que nós estamos descobrindo na coleção do Field Museum é um conjunto de materiais que historicamente eram agrupados dentro deste táxon lixeira conhecido como Amphibamus grandiceps. O Jeanerpeton é uma dessas espécies. E agora encontramos evidências suficientes para sustentar que se trata de um animal anatomicamente distinto. Com esta publicação, nós puxamos oficialmente o Jeanerpeton para fora deste táxon lixeira”.

Posição evolutiva do Jeanerpeton na linhagem dos anfíbios

O animal identificado pelas pesquisadoras pertence à ordem dos anfíbamos, integrantes do grupo extinto dos temnospôndilos. Esses pequenos tetrápodes viveram muito antes dos primeiros dinossauros e ocupam uma posição fundamental para o entendimento de como os vertebrados colonizaram os ambientes terrestres e de água doce.

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Os anfíbamos apresentam proximidade morfológica direta com a origem dos lissanfíbios, grupo moderno que abrange sapos, rãs e salamandras atuais. As características das vértebras pré-sacrais e das costelas abdominais observadas no fóssil de Illinois fornecem medidas anatômicas concretas para reconstituir a transição evolutiva e a diversidade biológica presente nos pântanos do Carbonífero.

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