Geração Z eleva em 21% gastos com remédios para depressão e ansiedade
Remédios para depressão e ansiedade registraram crescimento de 12% no volume de compras no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço no consumo foi impulsionado principalmente pelos profissionais que integram a chamada Geração Z, que apresentaram os maiores índices proporcionais de procura e desembolso financeiro por tratamentos psiquiátricos.
Os números fazem parte de um levantamento divulgado na sexta-feira (2) pela Vidalink, companhia especializada na gestão e concessão de planos de benefícios corporativos farmacêuticos. O estudo monitorou diretamente 34.823 trabalhadores que adquiriram pelo menos um produto farmacêutico voltado à saúde mental entre janeiro de 2025 e junho de 2026, por meio de contas vinculadas às empresas em que trabalham.
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Geração Z lidera expansão percentual de despesas e pedidos
Embora componha uma fatia numericamente menor do total de usuários dos benefícios de saúde corporativa em comparação com profissionais mais experientes, o público da Geração Z foi o que apresentou a mudança de comportamento mais intensa no período avaliado. A quantidade de compradores dessa faixa etária cresceu 15%, o volume de aquisições aumentou 19% e a soma total desembolsada pelo grupo avançou 21% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Com esses resultados, a participação relativa dessa faixa etária subiu 0,6 ponto percentual na base total da pesquisa.
O movimento geral movimentou cifras milionárias nos canais de atendimento corporativo monitorados. O valor financeiro total transacionado na plataforma com medicamentos controlados destinados a quadros de depressão e ansiedade passou de R$ 10 milhões para R$ 11,5 milhões entre os semestres comparados, o que representa um acréscimo de 15,3% no faturamento da categoria. Entre as pessoas que utilizaram o sistema de maneira contínua nos dois anos, o total de compradores registrou elevação de 9,4%, somando cerca de 2.000 novos consumidores regulares.
Como ficou o ritmo de consumo entre as outras faixas etárias?
O levantamento da Vidalink indicou que, em termos de volume consolidado, as compras continuam fortemente concentradas entre integrantes dos Millennials e da Geração X, que formam a maior parte da força produtiva formal no país. Ambas as faixas etárias mantiveram trajetória de alta sustentada em todas as métricas de acompanhamento clínico e financeiro apuradas pela empresa.
A expansão do uso de antidepressivos e ansiolíticos ocorreu em diferentes patamares de acordo com a idade:
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- Millennials: avanço de 10,2% no total de compradores, com alta de 12,1% nos pedidos e ampliação de 16,8% no montante financeiro gasto.
- Geração X: aumento de 7,1% no contingente de compradores, elevação de 10,5% na quantidade de remédios comprados e subida de 14,3% nas despesas.
- Baby Boomers com 60 anos ou mais: alta de 3,5% no número de consumidores, expansão de 4,7% no volume de produtos e crescimento de 6,5% no gasto total.
Na divisão por gênero, o levantamento constatou estabilidade no perfil do público atendido pelas empresas contratantes. As mulheres continuam sendo as principais demandantes por auxílio farmacológico para transtornos emocionais, respondendo por 64,1% das aquisições concluídas no primeiro semestre de 2026, enquanto os homens representaram 35,9% dos pedidos registrados.
Indicadores gerais da pesquisa de saúde mental da Vidalink
- Público examinado: 34.823 trabalhadores que adquiriram ao menos um remédio entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
- Movimentação total no primeiro semestre de 2026: R$ 11,5 milhões gastos, diante de R$ 10 milhões no mesmo período de 2025.
- Perfil do público atendido: 64,1% de mulheres e 35,9% de homens.
- Faixa de maior aceleração: Geração Z, com altas de 15% em clientes, 19% em pedidos e 21% em valores pagos.
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Histórico aponta alta constante de tratamentos no ambiente corporativo
A aceleração identificada nos primeiros seis meses de 2026 aprofunda uma tendência verificada nos relatórios corporativos anteriores. No balanço consolidado de 2025 realizado pela Vidalink com uma base de 1,1 milhão de trabalhadores, 8,3% dos colaboradores, o equivalente a 91.628 pessoas, já haviam adquirido remédios psiquiátricos com suporte de subsídio empresarial, demonstrando que os transtornos emocionais figuram entre as principais causas de consumo de saúde ocupacional. O cenário dialoga com estimativas da Organização Mundial da Saúde, que aponta o Brasil como líder em prevalência de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% da população nacional.
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O presidente-executivo e cofundador da Vidalink, Luis Gonzalez, explicou o panorama demonstrado pelas apurações. “Os números mostram um aumento consistente tanto no número de pessoas que utilizam medicamentos para depressão e ansiedade quanto na frequência dessas compras. Não podemos atribuir esse movimento a uma única causa, mas ele reforça a importância de olhar para a saúde mental de forma contínua, combinando acesso ao tratamento e ações de prevenção. Para as empresas, isso significa entender que cuidar da saúde mental dos colaboradores não é uma iniciativa pontual, mas uma parte cada vez mais importante da estratégia de cuidado e bem-estar”, declarou o executivo.
A pesquisa restringe-se aos dados numéricos globais de consumo e gastos da base corporativa, e a entidade não divulgou a relação dos nomes comerciais ou princípios ativos mais comprados no primeiro semestre de 2026.
