Lúnulas vermelhas nas unhas podem indicar doenças cardíacas e hepáticas
O aparecimento de lúnulas vermelhas nas unhas pode servir de alerta clínico para doenças sistêmicas graves, como insuficiência cardíaca, cirrose hepática e lúpus eritematoso sistêmico. A constatação faz parte de uma ampla revisão científica conduzida por pesquisadores da Rutgers New Jersey Medical School, localizada em Newark, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. O trabalho analisou registros acumulados ao longo de décadas sobre a coloração anormal da matriz ungueal.
A publicação científica detalha que essa modificação atinge a porção visível do tecido responsável pela produção de queratina dos dedos. “Ao identificar lúnulas vermelhas, os médicos devem considerar conexões com doenças sistêmicas ou dermatológicas subjacentes. Este sinal clínico sutil pode facilitar a detecção precoce e a identificação de doenças sistêmicas relevantes”, afirmaram os pesquisadores Christopher G. Karim e Robert A. Schwartz no artigo divulgado em 29 de julho de 2026 no periódico The American Journal of the Medical Sciences, em tradução livre.
Quando a alteração da lúnula vermelha exige busca por auxílio médico?
Estudo histórico de 1954 associou lúnulas vermelhas a 61% de insuficiência cardíaca
O registro médico pioneiro sobre a manifestação das lúnulas avermelhadas ocorreu em 1 de janeiro de 1954, em estudo publicado pelo médico britânico Richard Barratt Terry, do St. Bartholomew’s Hospital de Londres. O pesquisador acompanhou 23 pessoas que apresentavam essa alteração física e constatou que 14 delas, o equivalente a 61% da amostragem, tinham diagnóstico confirmado de insuficiência cardíaca. Os demais pacientes analisados na época possuíam diagnósticos de cirrose, enfisema pulmonar, bronquite crônica, desnutrição, policitemia vera, leucemia mieloide e linfoma.
A compilação contemporânea da Rutgers New Jersey Medical School organizou os registros médicos documentados nas últimas décadas em diferentes grupos diagnósticos:
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- Insuficiência cardíaca: diagnosticada em 14 dos 23 indivíduos analisados na descrição original de Richard Terry;
- Cirrose hepática: identificada em quadros clínicos associados a falências vasculares e metabólicas no fígado;
- Lúpus eritematoso sistêmico: doença inflamatória autoimune associada à alteração simétrica nas mãos;
- Artrite reumatoide: patologia reumatológica crônica listada entre os diagnósticos correlacionados ao sinal;
- Alopecia areata: condição dermatológica ligada a desordens autoimunes com repercussão ungueal;
- Intoxicação por monóxido de carbono: distúrbio hematológico agudo com registros de descoloração da matriz.
Diferença clínica entre lúnula em vários dedos e lesão isolada
Ciclo de seis meses de crescimento das unhas e relação com linhas de Beau
Esse intervalo de renovação explica o surgimento de outras manifestações diagnósticas, a exemplo das linhas de Beau. Essas estruturas se configuram como sulcos e depressões transversais horizontais que surgem quando uma infecção aguda ou enfermidade orgânica grave paralisa temporariamente a atividade celular da matriz. À medida que a matriz se recupera e o crescimento ungueal recomeça, as linhas avançam em direção à borda dos dedos ao longo de meses, mesmo depois que o paciente já superou o episódio infeccioso que causou o bloqueio transitório.
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Mecanismo biológico da vasodilatação nas lúnulas vermelhas segue sem confirmação
Apesar das correlações clínicas identificadas desde a década de 1950, a medicina ainda não compreende a relação direta de causalidade nem o mecanismo biológico exato responsável por provocar a vasodilatação contínua sob a lúnula. A literatura científica aponta a dilatação capilar local como o caminho fisiopatológico mais provável para explicar o acúmulo de sangue na base da unha, mas os processos moleculares que ativam essa resposta vascular específica permanecem indeterminados pelos pesquisadores da Rutgers New Jersey Medical School.
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A recomendação formal da pesquisa estabelece que o sinal isolado não constitui confirmação imediata de doença grave, mas deve motivar exames complementares quando associado a sintomas clínicos gerais, com a realização de testes laboratoriais de rotina e ecocardiograma conforme orientação médica especializada.
