SpaceX encerra voos comerciais do Falcon 9 em 2028 e aposenta a Dragon em 2030

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A SpaceX decidiu que não aceitará novas reservas comerciais privadas para o foguete Falcon 9 após 2028 e planeja retirar de circulação a cápsula tripulada Crew Dragon até 2030. A medida concentra os investimentos industriais e a infraestrutura de lançamento da companhia no desenvolvimento do megarfoguete Starship e na infraestrutura orbital voltada a serviços de conectividade e processamento de dados.

A determinação de interromper o ciclo dos dois veículos mais utilizados do setor espacial ocidental alterou os planos das agências governamentais e das empresas de telecomunicações. Em resposta à redução gradual da frota da empresa privada, a Nasa formalizou um aditivo de US$ 359 milhões com a Boeing para modificar os sistemas da cápsula Starliner e certificar a nave para missões tripuladas a bordo do foguete Vulcan Centaur, fabricado pela United Launch Alliance.

Transição da SpaceX para o Starship altera mercado de satélites

A suspensão do recebimento de novas reservas para o Falcon 9 a partir de 2028 cria um obstáculo para empresas de telecomunicações e instituições científicas que dependiam do foguete reutilizável. O modelo responde atualmente por cerca de 50% dos lançamentos globais realizados em 2026 e concentra aproximadamente 90% da massa de carga útil colocada em órbita a cada ano, sem concorrentes diretos com a mesma cadência de voo ou índice de reaproveitamento de componentes.

Entre 78% e 80% das decolagens do Falcon 9 atendem a missões internas da própria empresa para posicionar satélites da rede Starlink e futuras plataformas orbitais equipadas com sistemas computacionais de inteligência artificial. Como as receitas provenientes da venda de serviços de telecomunicações superaram os ganhos diretos obtidos com contratos de transporte de cargas de terceiros, a companhia optou por acelerar a transição de toda a sua capacidade técnica para o veículo Starship, que ainda não possui adaptação concluída para liberar cargas úteis de operadoras externas.

A presidente e diretora de operações da SpaceX, Gwynne Shotwell, comentou a necessidade de antecipar a transição técnica durante um painel no evento All-In Summit, realizado em 15 de setembro de 2026. Na ocasião, a executiva justificou a estratégia de abandonar tecnologias operacionais antes do surgimento de competidores diretos. “Se não tornarmos nossos próprios produtos e serviços obsoletos, alguém vai encontrar uma maneira de torná-los obsoletos para nós”, declarou Gwynne Shotwell, em tradução livre.

Nasa repassa US$ 359 milhões para viabilizar cápsula da Boeing

Com o anúncio da retirada gradual da Crew Dragon em 2030, a Nasa buscou alternativas para evitar ficar desprovida de naves de transporte humano rumo à Estação Espacial Internacional antes de sua desativação definitiva. A agência dependia exclusivamente do veículo da SpaceX para transportar tripulações a partir de território norte-americano e contava com um aditivo contratual de US$ 946 milhões concedido à empresa para assegurar viagens até o encerramento do complexo orbital.

Leia também: Starship da SpaceX falha em voo de teste e pode atrasar retorno de astronautas à Lua

Para recuperar o projeto concorrente da Boeing, que enfrentou repetidos contratempos de desenvolvimento, a administração espacial liberou recursos adicionais destinados à reengenharia do sistema de manobra da Starliner. A gerente do programa de órbita baixa da Terra e da Estação Espacial Internacional da Nasa, Dana Weigel, detalhou o orçamento acordado na segunda-feira, 28 de setembro de 2026. “Portanto, tanto as melhorias na espaçonave, incluindo os propulsores e tudo o que vocês ouviram resumido hoje, quanto a certificação no Vulcan, totalizam 359 milhões de dólares”, afirmou Dana Weigel, em tradução livre.

Gwynne Shotwell também avaliou o papel da agência em financiar a recuperação do projeto da concorrente após os problemas mecânicos enfrentados pelos modelos rivais. “Existe outro fornecedor, certo? A Boeing recebeu, eu acho, provavelmente mais do que nós recebemos para desenvolver sua cápsula humana. Então vamos apenas deixá-los ter alguns negócios. Eles deveriam voar sua cápsula. O governo pagou muito dinheiro por isso”, disse Gwynne Shotwell, em tradução livre.

Problemas de propulsão na Starliner em 2024 atrasaram planos dos Estados Unidos

O esforço para recompor a autonomia espacial norte-americana decorre de um histórico de imprevistos que começou anos antes do novo repasse orçamentário. Em junho de 2024, a cápsula Starliner executou um voo tripulado de teste até a Estação Espacial Internacional, mas apresentou anomalias severas nos propulsores durante a aproximação com o laboratório em órbita. Diante do risco iminente de colisão e da falta de confiabilidade do sistema de navegação, a Nasa tomou a decisão de desacoplar o módulo sem tripulação, enviando a espaçonave vazia de volta à Terra.

A permanência dos astronautas da Starliner na estação foi prolongada por meses até que uma cápsula Crew Dragon conseguisse resgatar a equipe no decorrer de 2025. O imprevisto evidenciou a vulnerabilidade do programa comercial da agência governamental, que pretendia operar com dois veículos independentes em atividade simultânea. A situação do setor espacial ocidental se tornou ainda mais restrita após a interrupção de contratos civis com foguetes russos da família Soyuz, limitando as alternativas das frotas de satélites fora dos serviços da SpaceX.

Marcos temporais do transporte orbital entre 2024 e 2030

  • Junho de 2024 — Voo tripulado de teste da Boeing sofre falhas de propulsão e obriga retorno da cápsula sem a equipe de astronautas
  • 15 de setembro de 2026 — Gwynne Shotwell e Elon Musk defendem transição para o Starship durante apresentação no All-In Summit
  • 28 de setembro de 2026 — Nasa oficializa aditivo de US$ 359 milhões com a Boeing para remodelar a cápsula Starliner
  • 1 de outubro de 2026 — Missão tripulada Crew-13 parte rumo à Estação Espacial Internacional a bordo de um foguete Falcon 9
  • 1 de janeiro de 2028 — SpaceX estabelece prazo para suspender contratações comerciais dedicadas do veículo Falcon 9
  • 1 de janeiro de 2030 — Previsão para a aposentadoria definitiva da Crew Dragon e conclusão das operações da Estação Espacial Internacional

Medidas contratuais e avanços técnicos no setor espacial

  • A SpaceX comunicou a clientes que não aceitará novas reservas de lançamento de satélites dedicados com o Falcon 9 além de 2028.
  • A agência espacial norte-americana aprovou repasse de US$ 359 milhões para que a Boeing reprojete propulsores com falhas na Starliner.
  • A missão tripulada Crew-13 decolou na quinta-feira, 1 de outubro de 2026, às 11h10 no horário da costa leste dos Estados Unidos, com quatro astronautas a caminho do complexo orbital.
  • A United Launch Alliance recebeu a atribuição de certificar o foguete Vulcan Centaur para receber lançamentos da nave Starliner.
  • A Nasa designou o astronauta Woody Hoburg para liderar o comando do voo tripulado Starliner-2, planejado para o calendário de 2028.

Incertezas sobre pedidos de clientes comerciais e ritmo do Starship

A relação de companhias privadas de satélites que buscaram reservar voos com o Falcon 9 para períodos posteriores a 2028 e receberam recusa formal ainda não foi revelada pela direção da SpaceX. A empresa não detalhou quais contratos foram negados durante a reestruturação de suas linhas industriais na Califórnia.

O calendário final de encerramento do Falcon 9 depende da rapidez com que o foguete Starship conseguirá obter autorizações de voos orbitais regulares e segurança comprovada para receber cargas de terceiros. Até que a nova plataforma alcance um cronograma de lançamentos contínuos, operadoras que dependiam da frota comercial precisarão buscar espaço remanescente em outros veículos ou aguardar o redesenho dos compartimentos do megarfoguete.

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