A história da casa de garrafas plásticas erguida por María Bersabé Ponce voltou a circular publicamente nesta terça-feira (6), resgatando a trajetória da moradia de cerca de 10 metros quadrados levantada em El Salvador. A salvadorenha utilizou recipientes plásticos recolhidos do lixo após perder seu imóvel tradicional em um tremor de terra e residiu no endereço durante 19 anos.
María Bersabé Ponce viveu na edificação até a data de sua morte, aos 90 anos, em 6 de fevereiro de 2024, em decorrência de complicações de saúde. A estrutura, situada às margens da rodovia El Litoral, segue mantida de pé no cantão El Borbollón sob os cuidados de sua filha, Rosa Miriam.
Origem e estrutura da casita encantada em San Miguel
A construção começou depois que o terremoto destruiu a antiga moradia de adobe onde María residia no departamento de San Miguel. Diante da falta de dinheiro para comprar tijolos ou cimento convencional, a mulher tomou a decisão de juntar embalagens descartadas ao longo das estradas e nas áreas vizinhas do cantão El Borbollón.
Na época em que apresentou a proposta aos parentes, a iniciativa gerou estranhamento imediato no círculo familiar. Sua filha Rosa Miriam advertiu em espanhol: “Você está louca, mãe”, em tradução livre. María Bersabé Ponce manteve a decisão e rebateu: “Não, filha, Deus me revelou em um sonho. Então apenas me faça um café e irei buscar as garrafas”, em tradução livre.
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O processo de montagem terminou no ano de 2005, quando a edificação ficou pronta para habitação e passou a ser apelidada pela vizinhança de casita encantada. As paredes foram erguidas com garrafas plásticas alinhadas e amarradas em varas de madeira e bambu, protegidas no topo por telhas de zinco. No chão de cimento, tampinhas coloridas de refrigerante foram incrustadas para formar desenhos decorativos.
Dados da moradia construída com garrafas plásticas
- Área da edificação: aproximadamente 10 metros quadrados
- Início da ocupação após obras: ano de 2005
- Período de residência da criadora: 19 anos, até fevereiro de 2024
- Localização exata: quilômetro 123 da rodovia El Litoral, El Borbollón, San Miguel
- Responsável atual pela preservação: Rosa Miriam, filha da construtora
Terremoto de 2001 gerou destruição no território salvadorenho
A perda da moradia original ocorreu no sábado de 13 de janeiro de 2001, quando um terremoto de magnitude 7,6 na escala Richter atingiu El Salvador. O abalo sísmico provocou uma crise severa no país ao derrubar mais de 200 mil casas, deixando populações rurais em vulnerabilidade e forçando soluções alternativas de abrigo.
A casa de María Bersabé Ponce, feita inteiramente de barro, desmoronou com os tremores de terra daquele mês. A adversidade financeira generalizada no pós-desastre inviabilizou a compra de insumos comuns de alvenaria, o que impulsionou a busca individual por recipientes plásticos abandonados no meio ambiente.
Ao longo dos quase vinte anos de ocupação, o local se transformou em parada para viajantes na Carretera El Litoral. Motoristas e visitantes costumavam interromper a viagem para observar as paredes de plástico e prestar assistência à idosa com donativos em dinheiro e mantimentos.
Acidente de trânsito em 2021 danificou paredes do imóvel
A estrutura de garrafas enfrentou danos severos na madrugada de 10 de maio de 2021, por volta das 03h00 no horário local de El Salvador. Um motorista perdeu a direção de um carro e bateu diretamente contra a residência à beira da rodovia, quebrando seções inteiras das paredes recicladas.
A moradora dormia no local no instante da batida veicular, mas não sofreu ferimentos. Diante do impacto na construção, moradores da comunidade local se uniram em um mutirão de trabalho e forneceram materiais para reerguer as paredes com novas garrafas plásticas, permitindo que a proprietária continuasse no endereço.
Número exato de garrafas segue sem contagem oficial
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Embora moradores da região estimem que a casa original reúna mais de 10 mil unidades de plástico, nunca houve uma contagem formal por auditoria técnica para precisar a quantidade de vasilhames embutidos. As paredes permanecem preservadas na rodovia El Litoral sob a supervisão diária de Rosa Miriam, que mantém a rotina de cuidados deixada pela mãe.
