Prêmio Nobel tem edição só masculina nas ciências pela 101ª vez na história

Premio nobel Foto: Premio nobel - Foto: Bertil Jonsson/ Shutterstock.com

O Prêmio Nobel encerrou nesta quarta-feira (7) a divulgação de seus vencedores nas três categorias científicas de 2026 sem nenhuma pesquisadora mulher entre os nomes escolhidos. Com a proclamação das láureas de Fisiologia ou Medicina, Física e Química, a honraria sueca atingiu pela 101ª vez na história uma rodada de ciências com lista integralmente composta por homens.

A definição dos vencedores em Estocolmo, na Suécia, repete um padrão verificado na maioria das edições desde a fundação do prêmio, em 1901. Ao longo de 125 anos de premiações científicas, cientistas mulheres receberam o reconhecimento 27 vezes, distribuídas entre 26 pesquisadoras diferentes, enquanto os homens acumulam 641 laureações nas mesmas disciplinas.

Anúncios do Prêmio Nobel de 2026 nas três áreas científicas

  • Segunda-feira, 5 de outubro de 2026: Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela descoberta de canais iônicos fotossensíveis e pelo desenvolvimento da optogenética.
  • Terça-feira, 6 de outubro de 2026: Francis Halzen recebeu o Prêmio Nobel de Física pela liderança científica no Observatório IceCube, na Antártida, e pela detecção de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.
  • Quarta-feira, 7 de outubro de 2026: Henri Kagan e Kenso Soai receberam o Prêmio Nobel de Química pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise na síntese orgânica assimétrica.
  • Quinta-feira, 10 de dezembro de 2026: Entrega formal das medalhas e dos diplomas na cerimônia solene anual em Estocolmo.

Pesquisas premiadas em Medicina, Física e Química no ciclo de 2026

A rodada técnica de 2026 começou com a escolha de três especialistas para o Nobel de Fisiologia ou Medicina. Karl Deisseroth, pesquisador da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, dividiu o reconhecimento com Peter Hegemann, professor da Universidade Humboldt de Berlim, e Georg Nagel, professor da Universidade de Würzburg, ambos na Alemanha. O trio foi contemplado pelos estudos sobre canais iônicos que reagem à luz, base que permitiu o surgimento da optogenética, método usado para controlar a atividade de células do cérebro com pulsos luminosos.

Na sequência, o Nobel de Física foi atribuído de forma individual ao belga Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos. Halzen atuou como líder científico do Observatório IceCube, instalado no gelo da Antártida, estrutura responsável por captar neutrinos cósmicos de alta energia vindos de fontes astrofísicas distantes. “Foi uma grande surpresa e eu não esperava. É um grande prazer ouvir sobre este prêmio”, afirmou Halzen, em tradução livre do anúncio oficial.

O Nobel de Química encerrou as categorias de ciências ao laurear o francês Henri Kagan, professor emérito da Universidade Paris-Sud, e o japonês Kenso Soai, professor da Universidade de Ciências de Tóquio. Os dois pesquisadores desvendaram fenômenos de autocatálise e efeitos não lineares na síntese de moléculas quirais, permitindo amplificar assimetrias moleculares em processos industriais essenciais para o desenvolvimento de medicamentos. Cada categoria paga a quantia de SEK 12 milhões, equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão, dividida igualmente entre os laureados da respectiva área.

Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, avaliou o alcance da descoberta ao detalhar a premiação na Suécia. “Henri Kagan e Kenso Soai forneceram uma solução para um mistério químico com mais de um século de idade: como a homoquiralidade pode emergir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, declarou Linke, em tradução livre. O integrante do mesmo comitê Peter Somfai definiu os métodos como “provavelmente o experimento mais fascinante da química orgânica”, também em tradução livre.

Desproporção histórica nas láureas científicas desde 1901

O resultado da semana mantém um descompasso registrado desde as primeiras décadas do século 20 nas comissões avaliadoras. Em apenas 21 dos 125 anos de entrega de prêmios houve alguma mulher entre os agraciados das categorias científicas. Na maioria dessas 21 edições, a presença feminina ficou limitada a uma única cientista entre os grupos escolhidos, mantendo a grande maioria dos reconhecimentos anuais concentrada em equipes masculinas.

Apenas em quatro ocasiões a premiação contemplou mais de uma pesquisadora nas três disciplinas científicas dentro do mesmo ano. As edições de 2009 e 2020 registraram o ápice com três mulheres premiadas, enquanto os anos de 2018 e 2023 contaram com duas pesquisadoras. No recorte da última década, medido entre 2016 e 2026, o painel científico computa 9 prêmios para mulheres diante de 76 concedidos a homens, confirmando a lentidão na mudança do perfil dos agraciados.

Além disso, somente três mulheres em toda a trajetória do evento conquistaram uma honraria científica sozinhas, sem repartir a láurea com outros colegas. Marie Curie obteve a vitória individual no Nobel de Química de 1911, Dorothy Crowfoot Hodgkin, cientista britânica que nasceu no Cairo e desenvolveu sua carreira na Universidade de Oxford, ganhou em Química em 1964, e a geneticista americana Barbara McClintock recebeu o prêmio individual de Fisiologia ou Medicina em 1983.

Sequência das edições científicas entre 2024 e 2026

O fechamento sem pesquisadoras mulheres em 2026 repete o cenário visto em 2024, quando as três divisões técnicas também foram compostas unicamente por homens. Naquele ano, Victor Ambros e Gary Ruvkun dividiram o prêmio de Medicina, John Hopfield e Geoffrey Hinton levaram a láurea de Física, e o trio formado por David Baker, Demis Hassabis e John Jumper venceu na Química por trabalhos envolvendo estruturas de proteínas e modelos computacionais.

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O ciclo anterior, em 2025, teve Mary E. Brunkow como a única cientista mulher premiada no bloco de ciências exatas e biológicas. A pesquisadora dividiu o Nobel de Fisiologia ou Medicina com Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi por descobertas sobre tolerância imunológica periférica, enquanto as outras duas áreas, Física e Química, destinaram suas láureas a seis homens.

O calendário do Prêmio Nobel de 2026 segue agora com as categorias não científicas, cujos anúncios ocorrem nos próximos dias em Estocolmo e Oslo. A divulgação de Literatura está marcada para quinta-feira (8), a do Nobel da Paz para sexta-feira (9) e a de Ciências Econômicas para 12 de outubro de 2026, quando será concluída a lista geral antes da solenidade de entrega marcada para 10 de dezembro de 2026.

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