O antigo balneário de luxo de Varosha, localizado na cidade de Famagusta, recebe visitantes em trechos reabertos de ruas e praias sob vigilância militar e alertas de desabamento. O local permaneceu completamente fechado por 46 anos após a fuga em massa da população durante o conflito armado que dividiu o território cipriota.
A circulação pública no balneário começou a ser liberada de forma unilateral em outubro de 2020 pelas autoridades cipriotas turcas com o apoio do governo da Turquia, contrariando resoluções vigentes da Organização das Nações Unidas. O viajante português Telmo Sá documentou a expedição urbana aos escombros, onde construções danificadas permanecem intocadas desde a década de 1970.
Avisos de perigo e regras de segurança em Varosha
A entrada na área autorizada conta com pontos de apoio com banheiros, lanchonetes e internet sem fio, mas a infraestrutura cede espaço rapidamente a um cenário de abandono generalizado. Por determinação de segurança, os visitantes são expressamente proibidos de acessar o interior das edificações, que apresentam risco iminente de colapso estrutural após décadas de desgaste pelo clima marítimo e saques.
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Placas oficiais instaladas nas paredes e muros de contenção avisam em letras garrafais: “Atenção! O edifício pode desabar. É perigoso entrar ou aproximar-se do edifício.” Em outras passagens trancadas por cercas e patrulhadas por soldados, cartazes de sinalização determinam: “Zona proibida —entrada proibida”. Antigos comércios mantêm letreiros preservados de marcas multinacionais como Toyota, Kodak, 7up e Singer, fabricante de máquinas de costura cujas lojas compunham o comércio local antes da paralisação da rotina urbana.
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Datas que marcaram a divisão política e a história de Varosha
A transformação do polo turístico em uma área militar desabitada decorre de eventos políticos e operações bélicas que remodelaram as fronteiras da ilha no Mar Mediterrâneo ao longo do século 20 e no início dos anos 2000:
- 20 de julho de 1974: Início da invasão militar da Turquia após golpe de Estado promovido pela junta militar grega, provocando a evacuação imediata dos moradores.
- 15 de novembro de 1983: Proclamação unilateral da República Turca do Norte de Chipre, entidade administrativa que obteve reconhecimento diplomático apenas de Ancara.
- 1 de maio de 2004: Adesão formal da República de Chipre à União Europeia como Estado-membro soberano.
- 8 de outubro de 2020: Reabertura unilateral de ruas e do calçadão litorâneo de Varosha para visitas turísticas pelo governo turco e por autoridades cipriotas turcas.
Como funciona a travessia para o norte da ilha?
Para chegar a Varosha partindo do território administrado pela República de Chipre, no sul, os viajantes precisam se deslocar até postos de controle de fronteira, conhecidos como checkpoints. Embora a ilha inteira seja reconhecida pelo direito internacional como um único país soberano, a porção setentrional opera sob uma administração distinta, o que exige a apresentação de passaporte válido e a passagem por inspeções formais tanto para quem viaja a pé quanto de automóvel.
Antes de julho de 1974, a localidade representava o ponto de encontro de figuras de destaque da cultura internacional, recebendo as atrizes Elizabeth Taylor e Brigitte Bardot em hotéis instalados à beira-mar. As estimativas sobre o êxodo forçado de civis durante o avanço das tropas variam nos levantamentos históricos: registros de entidades humanitárias e da imprensa apontam que entre 39 mil e 45 mil moradores greco-cipriotas abandonaram suas residências na época, com a promessa não cumprida de que poderiam regressar em poucos dias.
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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou a Resolução 550 no ano de 1984, na qual considerou nula qualquer tentativa de repovoamento de Varosha por pessoas que não fossem seus moradores de direito. A determinação das Nações Unidas solicitou ainda a transferência provisória da área urbana para o controle dos capacetes-azuis da organização internacional, medida que não se concretizou nos anos seguintes.
Gastronomia e custos de praias estruturadas no litoral sul de Chipre
Em contraste com a paisagem estagnada de Famagusta, o sul de Chipre opera com praias voltadas ao turismo de lazer tradicional, como Nissi Beach, Makronissos, Konnos Bay e Fig Tree Bay. A malha de transporte público oferece conexões com internet integrada nos ônibus que ligam o aeroporto internacional de Larnaca e os centros urbanos às paradas batizadas com os nomes de cada balneário.
A administração pública dos municípios regulamenta os valores de locação de equipamentos na faixa de areia para evitar cobranças abusivas de comerciantes privados:
- Aluguel de cadeira ou espreguiçadeira de praia: custo fixado em € 3,50 por unidade durante o dia.
- Aluguel de guarda-sol regulado pelas autoridades locais: custo estabelecido em € 3,00 por peça.
- Acesso ao Parque de Esculturas de Ayia Napa: entrada gratuita para visualização de mais de 200 obras ao ar livre.
A identidade gastronômica do país compõe a circulação de visitantes em cidades vizinhas, fundamentada no queijo tradicional halloumi grelhado, na sheftalia, em carnes assadas como souvla e kleftiko, na sequência de pratos para partilha meze e no consumo da aguardente zivania ao fim dos almoços.
Até o momento, não existe nenhuma definição jurídica nem previsão diplomática sobre o pagamento de indenizações compensatórias ou sobre a devolução patrimonial das propriedades imobiliárias aos proprietários greco-cipriotas originais de Varosha.
