O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,70% em setembro, indicando uma aceleração significativa da inflação prévia no país. O resultado representa um salto de 1,10 ponto percentual em relação à deflação de -0,40% observada em agosto, revertendo a tendência de queda do mês anterior e reacendendo preocupações com o custo de vida das famílias brasileiras. A elevação foi puxada principalmente pelo grupo Habitação, com destaque para o aumento da energia elétrica residencial.
No acumulado trimestral, o IPCA-E, que reflete o desempenho do IPCA-15 no período, atingiu 0,36%, valor inferior aos 0,67% verificados no mesmo intervalo do ano anterior, em 2025. Ao longo do ano, o indicador já acumula uma alta de 3,82%. Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 chegou a 4,47%, superando os 4,24% registrados no período imediatamente anterior, sinalizando uma pressão inflacionária crescente no horizonte de um ano.
Principais fatores por trás da aceleração em setembro
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram elevação de preços em setembro, evidenciando uma pressão inflacionária generalizada na economia. O grupo Habitação foi o principal impulsionador dessa alta, com uma variação de 2,07% e o maior impacto positivo no índice geral, contribuindo com 0,31 ponto percentual. Essa forte influência da Habitação é crucial para entender a dinâmica inflacionária do mês, afetando diretamente o orçamento familiar.
As demais categorias também registraram aumentos, embora com menor intensidade. As variações observadas ficaram entre 0,03% para Educação e 0,96% para Despesas Pessoais, demonstrando que o encarecimento não se restringiu a um setor específico. A diversidade de grupos impactados sugere que a inflação está se espalhando, afetando desde itens essenciais até serviços e produtos de consumo pessoal.
- Habitação: Maior impacto, com 2,07% de variação e 0,31 p.p. de contribuição.
- Despesas pessoais: Segunda maior variação, atingindo 0,96%, com impacto de 0,10 p.p.
- Transportes: Variação de 0,60%, contribuindo com 0,12 p.p.
- Alimentação e bebidas: Alta de 0,40%, com impacto de 0,09 p.p.
- Artigos de residência: Variação de 0,55%, impacto de 0,02 p.p.
- Comunicação: Aumento de 0,54%, com 0,02 p.p. de impacto.
- Vestuário: Variação de 0,41%, impacto de 0,02 p.p.
- Saúde e cuidados pessoais: Alta de 0,13%, contribuindo com 0,02 p.p.
- Educação: Menor variação, com 0,03%, e impacto de 0,00 p.p.
Impacto da energia elétrica e outros itens residenciais
Dentro do grupo Habitação, a energia elétrica residencial se destacou como o item de maior peso, exercendo o principal impacto individual no índice do mês, com 0,29 ponto percentual. Após uma queda de 6,25% em agosto, o custo da eletricidade subiu expressivos 7,42% em setembro. Essa reversão deve-se, em grande parte, ao encerramento da incorporação do Bônus de Itaipu, um crédito concedido nas faturas emitidas no mês anterior, que aliviou os custos temporariamente.
Adicionalmente, a manutenção da bandeira tarifária amarela em setembro contribuiu para a elevação, adicionando R$ 1,885 à conta de luz a cada 100 Kwh consumidos. Contudo, em Fortaleza, houve uma exceção: as tarifas foram reduzidas em 6,65% a partir de 26 de agosto, resultado da incorporação de recursos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP), medida aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mostrando variações regionais importantes.
O gás encanado, também parte do grupo Habitação, registrou alta de 0,92%, influenciado por reajustes significativos. Em Curitiba, o aumento foi de 10,21%, impactando em 5,20% na média local, enquanto no Rio de Janeiro, a elevação de 1,80% contribuiu com 0,92% para o índice da região. Ambos os reajustes tiveram vigência a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto também teve um leve acréscimo de 0,03%, decorrente do aumento de 3,55% nas tarifas de Salvador, em vigor desde 20 de julho.
Transportes e despesas pessoais sob pressão
O grupo Transportes, com variação de 0,60% e impacto de 0,12 p.p., foi fortemente influenciado pelo aumento das passagens aéreas, que dispararam 9,82% em setembro. Esse é um fator que costuma gerar volatilidade no índice, especialmente em períodos de maior demanda ou reajustes sazonais. A alta nas passagens aéreas pode impactar o planejamento de viagens e o custo de deslocamento de muitas famílias.
No segmento de combustíveis, que registrou uma variação média de 0,22%, houve um comportamento misto. O gás veicular (1,56%) e a gasolina (0,30%) apresentaram alta nos preços médios, enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) registraram quedas. Essa dicotomia reflete as diferentes dinâmicas de mercado e a oferta de cada tipo de combustível. Além disso, o subitem táxi teve um reajuste de 8,42% nas tarifas de Belo Horizonte, válido desde 8 de agosto, contribuindo para a alta geral do grupo.
As Despesas Pessoais, com alta de 0,96%, foram impactadas principalmente pelo aumento no preço do cigarro, que subiu 14,00% a partir de 1º de agosto. Esse reajuste em um item de consumo específico demonstra como fatores pontuais podem influenciar grupos inteiros do índice de preços, mesmo que não afetem a totalidade da população.
Alimentação e bebidas: cenário de altos e baixos
O grupo Alimentação e Bebidas registrou uma variação de 0,40% em setembro, após uma deflação de 0,57% em agosto. A alimentação no domicílio, que havia recuado 0,97% no mês anterior, apresentou uma alta de 0,38%. Esse resultado foi impulsionado por aumentos em itens básicos da cesta de compras, como o tomate (20,76%), o arroz (2,39%) e as carnes (1,30%), que pesam significativamente no orçamento familiar.
Por outro lado, alguns produtos essenciais registraram quedas, aliviando parte da pressão sobre os consumidores. Destaques para as reduções nos preços do feijão carioca (-6,33%), da cebola (-4,41%) e do café moído (-1,36%). Essa compensação entre altas e baixas é comum no setor de alimentos, que é sensível a fatores climáticos, safras e custos de produção.
A alimentação fora do domicílio também mostrou uma leve aceleração. A refeição passou de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro, enquanto o lanche desacelerou de 0,75% para 0,44%. Essas variações indicam um ajuste nos preços de serviços alimentícios, que também acompanham a dinâmica dos custos dos insumos e da demanda.
Variações regionais: Goiânia na liderança e Recife na lanterna
Em setembro, todas as onze áreas de abrangência do IPCA-15 registraram alta nos preços, refletindo a tendência nacional de aceleração inflacionária. Goiânia se destacou com a maior variação, atingindo 0,95%, impulsionada principalmente pelo aumento do cigarro (15,69%) e da energia elétrica residencial (6,38%). Essa concentração de altas em itens específicos impactou fortemente o custo de vida na capital goiana.
Na outra ponta, Recife apresentou o menor resultado, com uma variação de 0,44%. A cidade pernambucana registrou quedas nos preços de itens importantes, como frutas (-4,78%) e gasolina (-1,86%), que ajudaram a conter a inflação local e diferiram da tendência de alta observada em outras regiões.
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2026, comparados com o período de 16 de julho a 14 de agosto de 2026. O indicador abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos (considerando o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026) e inclui as principais regiões metropolitanas brasileiras, além de Brasília e Goiânia, utilizando a mesma metodologia do IPCA, mas com diferentes períodos de coleta e abrangência geográfica.
