Desocupação atinge 5,3% e ocupação recorde impulsiona massa salarial no trimestre até agosto de 2026

Brasil registra menor desocupação em 2026, atingindo 5,4%, e subutilização recua para 12,9% Crédito: Reprodução

O mercado de trabalho brasileiro demonstrou robustez no trimestre encerrado em agosto de 2026, com a taxa de desocupação recuando para 5,3%. Este percentual representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao período imediatamente anterior e também na comparação anual, sinalizando uma melhora consistente no cenário de empregabilidade do país. A população ocupada alcançou um patamar inédito na série histórica, superando a marca de 103,5 milhões de pessoas.

Essa expansão no número de trabalhadores ativos, que adicionou mais de 774 mil pessoas ao mercado em apenas três meses, reflete um aquecimento da economia e uma maior absorção da força de trabalho. Além do avanço na ocupação, o rendimento real habitual dos brasileiros apresentou crescimento, contribuindo para uma massa de rendimento recorde que injeta mais poder de compra na economia nacional. Tais indicadores são cruciais para a avaliação da saúde econômica e do bem-estar social da população.

Cenário do emprego e da desocupação

A taxa de desocupação de 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026 solidifica uma tendência de recuperação contínua no mercado de trabalho. O recuo de 0,3 ponto percentual tanto em relação ao trimestre de março a maio de 2026 (que registrou 5,6%) quanto ao mesmo período de 2025 (também 5,6%) é um indicativo positivo de que mais pessoas estão encontrando vagas. A população desocupada, que totaliza 5,8 milhões de indivíduos, diminuiu em 281 mil pessoas frente ao trimestre anterior e em 300 mil na comparação anual, mostrando uma redução expressiva no contingente de quem busca trabalho e não encontra.

Paralelamente, a população ocupada atingiu o maior número já registrado, com 103,5 milhões de pessoas. Este aumento de 0,8% no trimestre (adicionando 774 mil trabalhadores) e de 1,0% no ano (com um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas) impulsionou o nível de ocupação para 58,9%. Este patamar, que representa a proporção de pessoas empregadas na população em idade de trabalhar, subiu 0,3 ponto percentual em três meses e se manteve estável em relação ao ano anterior, consolidando a expansão do mercado. A força de trabalho geral, composta por ocupados e desocupados, também atingiu seu maior volume, com 109,3 milhões de pessoas, crescendo 0,5% no trimestre e 0,7% no ano.

  • Taxa de desocupação: 5,3% (queda de 0,3 p.p. trimestral e anual)
  • População ocupada: 103,5 milhões (maior da série histórica)
  • Nível da ocupação: 58,9% (alta de 0,3 p.p. trimestral)
  • População desocupada: 5,8 milhões (redução de 4,6% trimestral)

Dinâmica da subutilização e informalidade

Apesar dos avanços na taxa de desocupação, o cenário de subutilização da força de trabalho ainda merece atenção. A taxa composta de subutilização ficou em 13,1%, mantendo-se estável em comparação com o trimestre anterior (13,3%), mas registrando uma queda de 1,0 ponto percentual em relação a agosto de 2025 (14,1%). A população subutilizada, que engloba aqueles que gostariam de trabalhar mais horas ou que estão disponíveis para o trabalho, mas não o procuraram, permanece em 15,0 milhões de pessoas, embora tenha recuado em 1 milhão na comparação anual.

Um dos componentes da subutilização é a população desalentada, que se refere a pessoas que desistiram de procurar emprego por falta de perspectivas. Esse grupo somou 2,4 milhões de indivíduos, permanecendo estável no trimestre, mas apresentando uma queda significativa de 11,9% (menos 317 mil pessoas) em relação ao ano anterior. O percentual de desalentados na força de trabalho também diminuiu de 2,4% para 2,1% em 12 meses. A informalidade, por sua vez, representou 37,5% da população ocupada, totalizando 38,8 milhões de trabalhadores informais. Este índice é ligeiramente superior aos 37,3% do trimestre anterior, mas inferior aos 38,0% registrados no mesmo período de 2025, indicando flutuações nesse segmento.

Rendimento e massa salarial em alta

A melhoria no mercado de trabalho se traduziu também em ganhos para os trabalhadores. O rendimento real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior (R$ 3.752), mas evidenciando um crescimento de 3,7% na comparação anual (frente a R$ 3.641). Este aumento no poder de compra é um fator importante para o consumo e o dinamismo econômico. A massa de rendimento real habitual, que representa o total de rendimentos pagos aos trabalhadores, atingiu a marca recorde de R$ 385,6 bilhões.

Este valor histórico representa um crescimento de 1,4% no trimestre, adicionando R$ 5,2 bilhões à economia, e um aumento de 4,8% no ano, com um acréscimo de R$ 17,5 bilhões. O crescimento da massa salarial é um motor fundamental para a demanda interna, impulsionando diversos setores da economia e gerando um ciclo virtuoso de produção e consumo. A estabilidade no número de empregados com carteira assinada no setor privado, que se mantém no maior contingente da série com 39,5 milhões, e o número de trabalhadores por conta própria (26,1 milhões) e domésticos (5,5 milhões) também estáveis, contribuem para a solidez desses rendimentos.

Setores em destaque e ganhos por atividade

A expansão da ocupação foi notável em alguns setores específicos. Entre junho e agosto, a Indústria Geral registrou um aumento de 2,0% (ou mais 265 mil pessoas) e a Construção cresceu 4,1% (mais 306 mil pessoas) em comparação com o trimestre anterior. Na análise anual, o grupamento de Transporte, armazenagem e correio se destacou com um crescimento de 6,1%, adicionando 358 mil trabalhadores ao setor. Essas áreas são essenciais para o desenvolvimento infraestrutural e produtivo do país, indicando investimentos e expansão.

No que tange ao rendimento médio mensal real, houve avanços pontuais. Em relação ao trimestre anterior, os Serviços domésticos viram um aumento de 2,3% (mais R$ 33). Comparado a agosto de 2025, os ganhos foram mais abrangentes: a Indústria registrou alta de 4,0% (mais R$ 141), o Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas cresceu 4,8% (mais R$ 140), e os Serviços domésticos aumentaram 4,6% (mais R$ 64). Por posição na ocupação, o trabalhador doméstico teve um aumento de 2,3% (mais R$ 33) no trimestre. Na comparação anual, empregados com carteira assinada tiveram 2,4% de aumento (mais R$ 81), trabalhadores domésticos 4,6% (mais R$ 64) e trabalhadores por conta própria 5,3% (mais R$ 159), refletindo uma distribuição de ganhos em diversas categorias profissionais.

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