Família processa Hospital Waterbury após morte de jovem nos EUA

Dale Alice Martin - Reprodução Foto: Dale Alice Martin - Reprodução

O pai da estudante universitária Dale Alice Martin, Lindsay Martin, abriu um processo judicial por homicídio culposo e negligência médica contra o Hospital Waterbury, em Connecticut, nos Estados Unidos. A jovem de 21 anos sofreu uma parada cardíaca em abril de 2025, exatas 14 horas depois de ser internada para tratar uma fratura no tornozelo, em decorrência de uma superdosagem de analgésicos opioides.

Conduzida pelo advogado Christopher Mattei, sócio do escritório Koskoff, Koskoff & Bieder, no Tribunal Superior de Waterbury, a ação também inclui como réus a antiga controladora da unidade, Prospect Medical Holdings, o Connecticut Spine and Disc Institute, além do médico e da enfermeira responsáveis pelo atendimento. “Em até 14 horas após a admissão, os profissionais do hospital administraram tanta medicação para dor que Dale parou de respirar e morreu posteriormente”, afirmou Mattei no documento, em tradução livre.

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Superdosagem e falta de monitoramento de Dale Alice Martin

De acordo com a petição inicial divulgada neste domingo (11), a universitária deu entrada na unidade hospitalar após se machucar durante um trabalho rural e permaneceu internada à noite para passar por uma cirurgia na manhã seguinte, mas os opioides administrados comprometeram sua respiração e a deixaram sedada, impedindo que ela pedisse socorro enquanto sufocava sem a supervisão de nenhum profissional de saúde no quarto. “Às 7h de 10 de abril, uma enfermeira do Hospital Waterbury finalmente verificou Dale. Era tarde demais. Seu coração havia parado de bater”, diz trecho da ação judicial.

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Uma investigação do Centers for Medicare and Medicaid Services (CMS), agência federal de saúde dos Estados Unidos, concluiu que o hospital falhou em garantir uma ordem médica completa por telefone para evitar a duplicação de narcóticos. Segundo o relatório oficial, um médico reconheceu que deveria ter orientado a interrupção da morfina intravenosa antes de iniciar a administração de Dilaudid, nome comercial do opioide hidromorfona.

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Nascida em Manhattan, em Nova York, e residente em Bethlehem e no Condado de Westchester, a estudante cursava graduação em Inglês e História na Trinity University, localizada em San Antonio, no Texas. A mãe da vítima é Gillian Fassel. “Durante três dias, ficamos de vigília em seu quarto de hospital, ouvindo os bipes dos monitores e vendo as máquinas manterem seus pulmões e coração funcionando, aguardando o término das 72 horas”, declarou Lindsay Martin.

Crise financeira na Prospect Medical Holdings e mudanças na lei

Na época do óbito, a unidade de saúde pertencia à empresa privada californiana Prospect Medical Holdings, que havia entrado com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos três meses antes da internação da estudante, após acusações de autoridades estaduais e do Senado norte-americano de que a companhia e o fundo de investimento privado Leonard Green & Partners retiraram centenas de milhões de dólares em dividendos enquanto cortavam equipes, suprimentos e manutenção. Um estudo do pesquisador Zirui Song, da Universidade Harvard, identificou um aumento de 13% nas mortes de pacientes em prontos-socorros de hospitais administrados por fundos de investimento privado em comparação com unidades sem esse modelo de gestão.

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Lindsay Martin relatou que a filha foi levada à unidade mais próxima e que a família desconhecia a situação financeira do local. “Não parecia um problema médico muito complicado”, disse o pai. Ele afirmou que os familiares só descobriram após o óbito que a instituição estava falida, sob investigação e com restrições de financiamento.

  • 26 de maio de 2003: data de nascimento da estudante em Nova York.
  • 11 de janeiro de 2025: pedido de recuperação judicial da antiga gestora hospitalar.
  • 10 de abril de 2025: constatação da parada cardíaca às 7h.
  • 13 de abril de 2025: desligamento dos aparelhos de suporte vital e declaração oficial de óbito.
  • 30 de janeiro de 2026: aprovação pelo Office of Health Strategy (OHS) da compra do hospital pela instituição pública UConn Health pelo valor total de US$ 13 milhões.

O valor financeiro exato da indenização solicitada pela família no processo judicial ainda não foi divulgado. Para conter a atuação de fundos privados na área de saúde após a crise na rede hospitalar, o governador de Connecticut, Ned Lamont, sancionou uma legislação estadual que proíbe transações de venda e relocação de imóveis hospitalares a partir de 1º de julho de 2027.

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