Ciberataque em supermercados na França força descarte de comida após freezers atingirem 50 °C

Carrefour - Veja/Shutterstock.com Foto: Carrefour - Veja/Shutterstock.com

Um ciberataque contra controladores de refrigeração da fabricante Danfoss elevou a temperatura a 50 °C em centenas de supermercados na França nesta segunda-feira (12). A invasão remota acionou um ciclo forçado de descongelamento contínuo durante a madrugada, obrigando redes varejistas a descartar toneladas de alimentos perecíveis e provocando princípios de incêndio em estabelecimentos comerciais espalhados pelo território francês.

A ofensiva digital gerou reação imediata das autoridades públicas em Paris, onde a Procuradoria abriu um inquérito formal para apurar o crime contra a infraestrutura do comércio de alimentos. O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, determinou que a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação investigue o caso técnico e organize alertas conjuntos com órgãos de segurança cibernética de outras nações da Europa.

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Prejuízos nas redes comerciais com a invasão dos sistemas Danfoss

Hacker - Pungu x/ shutterstock.com
Foto: Hacker – Pungu x/ shutterstock.com

O ataque atingiu diretamente o funcionamento de grandes grupos varejistas no país, com estimativas de cerca de 500 estabelecimentos comerciais com problemas relatados. O grupo Les Mousquetaires registrou entre 150 e 300 lojas afetadas somando as bandeiras Intermarché e Netto, onde os equipamentos operaram sob calor extremo por cerca de seis horas contínuas antes que as equipes contivessem os painéis. A rede Carrefour informou impactos em 80 de seus supermercados, enquanto a Monoprix apontou reflexos operacionais em 5% de suas instalações físicas.

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A dimensão da quebra na cadeia de frio gerou críticas severas do setor empresarial. Dominique Schelcher, presidente-executivo da Coopérative U, afirmou que mirar equipamentos essenciais para a conservação de produtos frescos e para o fornecimento alimentar da população francesa é de extrema gravidade e não tem precedentes, em tradução livre de declaração pública. O comissário europeu de Agricultura e Alimentos, Christophe Hansen, declarou, também em tradução livre, que a segurança dos alimentos requer mais atenção em todos os níveis porque a transformação da comida em arma tornou-se uma realidade.

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Como os invasores alteraram a temperatura dos controladores?

A fabricante dinamarquesa Danfoss confirmou a ocorrência e comunicou que os alvos principais foram dispositivos antigos ou com firmware desatualizado, em tradução livre, mencionando modelos legados como os controladores AK-SM800 e AK-SC355. Em 9 de agosto de 2026, uma análise técnica divulgada pela equipe Team82, braço de pesquisa da empresa de segurança Claroty, já havia detalhado vulnerabilidades críticas no controlador Danfoss AK-SM 800A que possibilitavam contornar etapas de login e executar comandos remotos sem permissão prévia.

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A execução do golpe virtual e as marcas dos impactos estruturais nas lojas francesas reuniram parâmetros técnicos e operacionais específicos apurados pelas autoridades:

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  • Temperatura máxima de 50 °C imposta durante o ciclo contínuo de aquecimento artificial
  • Duração de 6 horas ininterruptas de descongelamento forçado ao longo da madrugada
  • Modelos AK-SM800 e AK-SC355 identificados pela Danfoss como os aparelhos vulneráveis
  • Escritório nacional de cibercrimes da França designado para conduzir a apuração pericial

Falhas anteriores e desdobramentos da investigação em Paris

O padrão observado no ataque em solo francês apresenta semelhanças com panes de refrigeração registradas no final de agosto de 2026 em refeitórios e comissariados de bases militares nos Estados Unidos, quando sistemas térmicos pararam e forçaram a eliminação de estoques inteiros de víveres. Na mesma data do ataque na França, o grupo varejista holandês Ahold Delhaize desativou preventivamente sistemas informáticos em lojas situadas na Holanda e na Bélgica após registrar instabilidades.

A investigação conduzida pelo escritório nacional de cibercrimes, sob supervisão da Procuradoria de Paris, ainda não identificou os autores da invasão nem localizou reivindicações formais do ataque cibernético. As autoridades também não estabeleceram conexão técnica comprovada entre as instabilidades da rede Ahold Delhaize e os danos franceses, enquanto os supermercados concluem o levantamento financeiro total das mercadorias inutilizadas para apresentar à Justiça.

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