Jornalista Sílvio Barsetti morre aos 61 anos no Rio de Janeiro

Sílvio Barsett - Divulgação / CBF Foto: Sílvio Barsett - Divulgação / CBF

O jornalista esportivo e escritor carioca Sílvio Barsetti, coordenador de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), morreu aos 61 anos no Rio de Janeiro. A morte ocorreu em decorrência de complicações de um melanoma metastático, tipo de câncer de pele que ele enfrentava desde 2025, e foi comunicada oficialmente pela entidade máxima do futebol nesta terça-feira (13).

Barsetti estava internado desde domingo (11) no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste carioca, e havia passado por uma cirurgia no cérebro e sessões de radioterapia no ano anterior. “Silvio era um Jornalista primoroso, divertido, ácido, perspicaz, brigador, dono de um texto impecável e um grande companheiro de trabalho. Fez história em grandes veículos antes de se juntar à CBF, onde participou de grandes coberturas. Era um prazer conviver com um Jornalista da estatura do Silvio. Mais do que isso: era uma honra. Todos aprendemos muito com ele. Até a semana passada ele estava trabalhando, querendo contribuir, colocando seu talento à nossa disposição”, declarou Fabio Seixas, diretor de Comunicação da CBF.

Atuação de Sílvio Barsetti na CBF e no America-RJ

Barsetti ingressou na comunicação da CBF no início de 2023 como editor do site oficial e participante de convocações e coberturas das seleções. Pela entidade, trabalhou nos amistosos da Seleção Masculina em Lisboa e Barcelona em 2023 e, em 2024, integrou a delegação da Seleção Feminina que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, além de atuar no Pré-Olímpico masculino e na Copa do Mundo Feminina Sub-20. Torcedor do America-RJ, colaborou voluntariamente na coordenação da assessoria de imprensa do clube na disputa da Série A2 do Campeonato Carioca, no estádio Giulite Coutinho.

Continue lendo: Diego Souza tem inscrição de treinador cancelada pela CBF após denúncia de licença falsa

Prêmio em 2010 e livros publicados por Sílvio Barsetti

Formado pela Faculdade Hélio Alonso (Facha) em 1988, o profissional passou pelos jornais Jornal dos Sports, Jornal do Brasil, O Dia e O Estado de S. Paulo — onde atuou por cerca de 20 anos na sucursal do Rio de Janeiro como repórter e coordenador de esportes —, além de escrever para o portal Terra. Na cobertura esportiva, trabalhou na Copa do Mundo de 2002, nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e na Olimpíada de Londres em 2012, mantendo uma postura de questionamentos diretos a técnicos como Dunga e ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. “A pergunta tem que ser um pouco amarga, com gosto de jiló cru”, afirmou o repórter em 2018.

Saiba mais: Brasileirão em janeiro! CBF divulga calendário de 2027 e antecipa temporada; veja as datas

Fora da rotina diária dos clubes, o jornalista protagonizou momentos de destaque na investigação dos bastidores do esporte e da política nacional, além de atuar na pesquisa literária para a biografia de Vinicius de Moraes escrita por José Castello:

Veja também: Robinho Jr. recebe visita da CBF no Genoa após sondagem da seleção da Itália

  • Abril de 2010: revelou com exclusividade que o estádio do Morumbi seria excluído da Copa do Mundo de 2014 e que uma arena seria erguida em Itaquera, apuração negada inicialmente pela Fifa e pela CBF, mas que lhe rendeu o Prêmio Estado de Jornalismo após a confirmação oficial dois meses depois.
  • Ano de 2016: prestou depoimento no Senado Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia do Futebol, que investigava casos de corrupção envolvendo dirigentes da Fifa e da CBF.
  • Ano de 2018: lançou o livro-reportagem “A Farra dos Guardanapos: O último baile da era Cabral”, sobre os bastidores do governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.
  • Ano de 2022: publicou a obra “O Outro Lado do Poder: A História da Política Brasileira Pela Ótica das Prostitutas”.

Homenagens da CBF e da FERJ a Sílvio Barsetti

Informações sobre o local e o horário do velório e do sepultamento de Sílvio Barsetti não haviam sido divulgadas até a publicação dos comunicados oficiais.

Confira também: Diego Souza tem registro de treinador anulado no BID da CBF por documento falso

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) emitiu nota de pesar e determinou um minuto de silêncio em todas as partidas organizadas pela entidade ao longo da semana. A CBF também agendou um minuto de silêncio em homenagem ao coordenador antes do amistoso entre a Seleção Brasileira Feminina e a Argentina na noite de 13 de outubro de 2026, às 20h30 (horário de Brasília), na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE).

Notícias relacionadas