Trump demite porta-voz Katie Zacharia após cinco dias nos EUA

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Katie Zacharia - Reprodução/Instagram Foto: Katie Zacharia - Reprodução/Instagram

A 37ª secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, deixou o cargo em Washington, D.C., nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (16), após permanecer apenas cinco dias na função de porta-voz responsável pela ponte diária entre o presidente norte-americano e os jornalistas. Enquanto a maior parte dos relatos de assessores do governo aponta que ela foi demitida pelo presidente Donald Trump, outras fontes oficiais descreveram a saída como um desligamento gradual após uma semana marcada por questionamentos sobre seu currículo jurídico.

Minutos antes de o afastamento se tornar público, Donald Trump conversou com repórteres no gramado da Casa Branca, antes de embarcar para um comício no estado da Geórgia, e contou ter sugerido que a auxiliar deixasse o posto. “Ela tem sido tratada, eu diria, de forma bem desagradável. E eu disse à Katie há apenas dois minutos, eu disse: ‘Katie, sabe, você não precisa fazer isso se não quiser'”, declarou o presidente, em tradução livre. Em seguida, Trump relatou ter completado a conversa com um conselho direto: “Honestamente, se eu fosse você, reconsideraria. Katie, você precisa disso? Eu não acho que você precise disso.”

Coletiva de 15 minutos de Katie Zacharia teve ato falho na Casa Branca

A passagem de Zacharia pelo púlpito da sala de imprensa resumiu-se a uma única entrevista coletiva realizada na terça-feira (13). Embora esse tipo de encontro com os correspondentes em Washington costume ultrapassar uma hora de duração, a sessão conduzida pela porta-voz durou entre 14 e 15 minutos. Demonstrando nervosismo diante das câmeras, ela respondeu às perguntas de apenas três jornalistas e deixou uma das questões sem resposta antes de encerrar a transmissão.

Durante a mesma conversa com os repórteres na Casa Branca, ao comentar sua rotina familiar ao lado dos quatro filhos, a secretária cometeu um ato falho e trocou o cargo do chefe pelo do próprio marido, o produtor de cinema Tyler Zacharia, dizendo “meu presidente… desculpe-me, meu marido”. Um assessor do governo dos Estados Unidos relatou sob condição de anonimato que a permanência dela já era vista com ceticismo nos bastidores: “Ninguém achava que ela ficaria tempo suficiente para sequer envolvê-la na tomada de decisões reais”.

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Katie Zacharia admitiu reprovação no exame de advocacia da Califórnia

Além do desempenho na estreia, a principal crise em torno de Katie Zacharia envolveu suas credenciais acadêmicas e profissionais nos Estados Unidos. Ao anunciá-la no posto, Donald Trump apresentou a assessora como advogada, mesma qualificação que ela utilizava em redes sociais e em programas de televisão, nos quais se intitulava advogada e assessora jurídica. Ela também afirmava ter atuado na profissão em um escritório em Pequim, na China, para onde se mudou entre 2011 e 2013 após a transferência profissional do marido.

A versão começou a ser contestada quando a secretária deu respostas imprecisas à imprensa norte-americana sobre em qual estado havia sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados (conhecido nos Estados Unidos como bar exam, prova obrigatória para obter a licença profissional após a faculdade), mencionando apenas a mudança para a Ásia. Embora tenha concluído o curso de Direito na Universidade Pepperdine em 2011, o diploma universitário não autoriza o exercício da advocacia no país sem a aprovação na prova estadual.

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Pressionada pelas revelações, Zacharia concedeu uma entrevista na noite de quinta-feira (15) ao apresentador Sean Hannity, da rede de televisão Fox News, na qual confessou nunca ter obtido o registro profissional. Quando Hannity perguntou diretamente se ela havia prestado o exame da ordem sem conseguir a aprovação, a porta-voz respondeu apenas: “Sim”. Um dia antes da confissão, na quarta-feira (14), a organização de ética política Campaign for Accountability protocolou um pedido formal para que a Ordem dos Advogados da Califórnia abrisse uma investigação sobre o caso. “Na Califórnia, intitular-se advogado sem licença não é um exagero; é crime”, afirmou a entidade em comunicado oficial.

Cronologia dos 5 dias de Katie Zacharia como porta-voz de Trump

Entre a nomeação oficial e a saída do posto em 16 de outubro de 2026, a trajetória de Zacharia na comunicação presidencial concentrou-se em menos de uma semana de trabalho efetivo:

  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: o presidente Donald Trump anuncia Katie Zacharia como a 37ª secretária de imprensa da Casa Branca.
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026: a porta-voz realiza sua primeira e única coletiva de imprensa, com duração aproximada de 15 minutos e perguntas de três repórteres.
  • Quarta-feira, 14 de outubro de 2026: a organização Campaign for Accountability solicita investigação formal à Ordem dos Advogados da Califórnia; Zacharia inicia viagens com Trump para comícios no Alasca, Arizona e Montana sem dar novas coletivas.
  • Quinta-feira, 15 de outubro de 2026: ainda na agenda de viagens presidenciais, ela admite em entrevista a Sean Hannity, na Fox News, que foi reprovada no exame da Ordem da Califórnia.
  • Sexta-feira, 16 de outubro de 2026: Trump declara no gramado da Casa Branca que “talvez não seja para ela” e o afastamento da secretária é confirmado após cinco dias no cargo.

Saída de Katie Zacharia supera marca de 11 dias de Anthony Scaramucci

O período de cinco dias de Katie Zacharia como porta-voz presidencial tornou-se mais curto do que a passagem de Anthony Scaramucci pela diretoria de comunicações da Casa Branca em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump. Na época, Scaramucci permaneceu entre 10 e 11 dias no cargo, e seu sobrenome transformou-se em uma unidade de medida irônica em Washington para calcular mandatos breves na administração federal. Ao comentar a saída da secretária, o ex-diretor declarou: “Recordes são feitos para serem quebrados. Mas não sinto prazer na dor de outras pessoas.”

A curta duração também contrasta com a estabilidade de sua antecessora imediata, Karoline Leavitt, que ocupou a secretaria de imprensa por 585 dias no segundo mandato de Trump e deixou o governo em agosto de 2026, após o nascimento do segundo filho, para se dedicar à família. Antes de ser escolhida para substituir Leavitt, Zacharia atuou como comentarista conservadora nas redes Fox News e Newsmax, prestou consultoria de comunicação para o Trump Media and Technology Group (empresa proprietária da plataforma Truth Social) e exerceu, entre fevereiro e abril de 2026, os cargos de porta-voz e subsecretária assistente de Relações Públicas do Departamento de Segurança Interna (DHS, órgão federal responsável pelo controle de fronteiras e segurança pública nos Estados Unidos).

Até o fim da tarde desta sexta-feira (16), a Casa Branca ainda não havia anunciado quem assumirá o comando da secretaria de imprensa no governo de Donald Trump e do vice-presidente JD Vance. Fontes familiarizadas com as discussões internas relataram que há expectativa de que Katie Zacharia seja realocada em uma nova função dentro da administração federal em breve, mas o eventual cargo e a data exata de seu desligamento formal da porta-voz não foram confirmados oficialmente.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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