Carro elétrico Emova Pop terá preço estimado de R$ 65 mil a R$ 75 mil no Brasil

Emova Pop - Divulgação / Portal de Prefeitura

Emova Pop - Divulgação / Portal de Prefeitura

A empresa brasileira E-Motors, em parceria com as chinesas FAW Group e Ritoo, anunciou a montagem do carro elétrico compacto Emova Pop em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, entre fevereiro e março de 2027. O modelo de dois lugares exigirá investimento inicial de R$ 112 milhões na fábrica capixaba e terá preço estimado entre R$ 65 mil e R$ 75 mil no mercado brasileiro.

Os detalhes da operação foram apresentados na última quinta-feira (15) por representantes da E-Motors, da Ritoo — representante da FAW Group no Brasil — e da Nova ES (Agência de Atração de Investimentos do Espírito Santo). Com foco nos deslocamentos urbanos e no segmento de entrada, o projeto busca reduzir o valor de acesso aos veículos eletrificados no país. “Ele será o carro elétrico mais acessível que as pessoas poderão comprar”, afirmou o diretor-executivo da Ritoo, Jeff Li.

Como vai funcionar o Emova Pop nas ruas brasileiras?

Foto: Carro elétrico – Foto: Gordine N/Shutterstock.com

O Emova Pop é baseado no microcarro chinês FAW Pony. Na China, o modelo original conta com quatro portas e espaço para até quatro passageiros, mas precisou ser modificado para atender às exigências de segurança da legislação brasileira. No Brasil, o veículo seguirá o padrão europeu, com duas portas, capacidade para duas pessoas, um pequeno compartimento para cargas e uma divisória física instalada entre os assentos e o porta-malas.

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Por causa dessas adaptações estruturais, o veículo será homologado no país na categoria L7e, classificação destinada a quadriciclos pesados. Esse enquadramento técnico determina que o motorista precisa ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria B, a mesma exigida para automóveis comuns de passeio, mas impõe restrições legais que proíbem a circulação do modelo em rodovias, limitando o uso do Emova Pop exclusivamente às vias urbanas.

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Sobre o alcance da bateria, há duas referências divulgadas no projeto: a fabricante anuncia autonomia de até 200 quilômetros, enquanto a estimativa em condições reais de trânsito urbano fica em torno de 150 quilômetros. “A autonomia do veículo é em torno de 200 quilômetros e ele atende a um segmento específico de mercado”, disse o executivo da área de Suprimentos e Parcerias Internacionais da E-Motors, Eduardo Carvalho.

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Produção do Emova Pop e fases da fábrica em Jaguaré

A operação industrial da E-Motors, empresa originária de Minas Gerais que também atua no Brasil como importadora e representante oficial da fabricante chinesa JMEV, começará com peças importadas da China. Algumas remessas já desembarcaram pelo Porto de Vitória. O plano das parceiras é formar uma joint venture (associação entre empresas para um projeto comum) e nacionalizar componentes com fornecedores brasileiros de forma progressiva, evoluindo dos estágios iniciais de montagem denominados DKD e FKD até alcançar o sistema CKD (sigla em inglês para veículos totalmente desmontados).

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O diretor de Atração de Investimento e Promoção da Nova ES, Danilo Pescuma, acompanha a instalação da planta, que integra a formação de um polo automotivo no Norte do Espírito Santo, região que também recebe a fábrica da montadora chinesa GWM no município de Aracruz. Para o diretor-executivo da Ritoo, a meta vai além da simples montagem de kits importados. “Queremos começar e ter um negócio no mercado brasileiro local, e este projeto é o mais importante. Vamos fabricar no Brasil e ter uma estrutura de varejo, além de capacidade de P&D para atender às necessidades dos clientes brasileiros, projetando e modificando o carro de acordo com os requisitos do mercado brasileiro e fabricando-o no Brasil”, declarou Jeff Li, que completou: “Queremos estabelecer uma joint venture no Brasil e fabricar o carro localmente, evoluindo do DKD para FKD e depois para CKD”.

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A expansão da unidade dependerá do desempenho comercial da primeira etapa, segundo o diretor-executivo da E-Motors, Mercídio Givisiez. “A partir dos resultados, teremos condições de avançar para uma estrutura maior e ampliar a nossa capacidade de produção”, afirmou o executivo. Os números da estrutura física, da mão de obra e das metas de expansão em Jaguaré dividem-se em duas fases:

  • Área inicial de montagem: galpão de aproximadamente 2.000 m², somado a um pátio de 10.000 m² para armazenamento de veículos.
  • Capacidade da primeira etapa: montagem de 20 a 30 unidades por dia.
  • Equipe de partida: contratação de cerca de 20 trabalhadores locais e chegada de 17 profissionais chineses, entre engenheiros, especialistas e executivos, para instalar equipamentos e treinar a mão de obra.
  • Peso estimado do Emova Pop: até 600 kg.
  • Plano de expansão após um ano: aporte adicional de US$ 50 milhões para ampliar a planta para 40.000 m² e atingir capacidade de até 100 mil veículos por ano.

Novos modelos da linha Emova e próximos passos

Além do microcarro de dois lugares, o cronograma industrial para a unidade de Jaguaré prevê a montagem futura de outros dois automóveis elétricos de maior porte. O primeiro é o Emova Easy, modelo para quatro ocupantes com autonomia estimada em 200 quilômetros e faixa de preço projetada entre R$ 90 mil e R$ 100 mil. O segundo é o Emova Urban, veículo para cinco ocupantes com alcance estimado em 330 quilômetros e valor previsto entre R$ 100 mil e R$ 120 mil.

Apesar das faixas de valores divulgadas pelas empresas — que variam de R$ 65 mil a R$ 70 mil em parte das comunicações e chegam a R$ 75 mil em outras —, a tabela definitiva de preços ao consumidor só será fechada após a conclusão da homologação e do processo de nacionalização. A data exata do início das vendas no varejo também não foi confirmada. O próximo passo do cronograma ocorre em novembro de 2026, quando os primeiros veículos e lotes de peças chegam ao Espírito Santo para o início dos testes de rua e da homologação oficial.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing