A empresa americana Kindred Motorworks, sediada em um antigo estaleiro da Marinha dos Estados Unidos em Mare Island, na cidade de Vallejo, na Califórnia, iniciou em 2026 as entregas de uma versão restaurada e convertida para propulsão elétrica da clássica Volkswagen Kombi de primeira geração. Batizada como um projeto de restomod restauração que preserva o visual antigo enquanto atualiza toda a parte mecânica e eletrônica , a perua recebe um motor elétrico de 294 cavalos de potência e mira consumidores de alto poder aquisitivo no mercado norte-americano.
O modelo substitui o antigo propulsor traseiro a combustão por um conjunto de emissão zero voltado ao trânsito atual. “Os clientes querem autenticidade. Há muitas empresas que restauram Kombis com perfeição absoluta, mas nem pense em tentar subir ladeiras com uma delas. Por isso, uma versão elétrica moderna faz todo o sentido do mundo”, afirmou Greg Clark, então diretor comercial da Kindred Motorworks, durante avaliação do veículo no condado de Bergen, em Nova Jersey.
Como funciona o motor elétrico de 294 cavalos da Kombi?
O sistema de propulsão utilizado na Volkswagen Kombi, também conhecida como Tipo 2 ou Microbus, foi batizado pela fabricante californiana de Grayback, nome inspirado em um submarino construído no estaleiro de Mare Island. O conjunto adota um motor elétrico de corrente alternada (AC) de acionamento direto que entrega 294 cavalos, posicionado de forma a eliminar a falta de força das versões originais fabricadas entre 1950 e 1967. Segundo o engenheiro de testes da Kindred Motorworks, Basil Elbanna, a nova Kombi elétrica é o produto principal da marca. “Ela resolve o único defeito do carro original: a falta de potência”, declarou o engenheiro.
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Durante o teste de rodagem pela via Palisades Parkway, nas proximidades do rio Hudson e da fronteira com o estado de Nova York, a empresa avaliou um exemplar ano 1966 pintado em dois tons na cor amarela Sunshine Yellow. Na Kombi clássica a combustão, grande parte do peso ficava concentrada na traseira, o que gerava tendência ao sobresterço — quando as rodas traseiras perdem aderência e a traseira escapa para fora da curva —, além de contar com um sistema de aquecimento rudimentar que apenas soprava ar por caixas ao redor dos coletores de escapamento quentes. Na versão da Kindred Motorworks, a instalação da bateria sob o assoalho redistribui o peso e corrige o comportamento dinâmico nas curvas, enquanto o câmbio funciona de maneira automática, embora mantenha a aparência de uma alavanca manual.
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As especificações técnicas e os equipamentos de série adicionados na conversão da Kombi incluem:
- Bateria com capacidade de 74 quilowatts-hora (kWh) instalada sob o assoalho, garantindo autonomia estimada de 200 milhas (aproximadamente 322 quilômetros) com uma carga completa;
- Freios a disco assistidos nas quatro rodas, direção elétrica, suspensão moderna e cintos de segurança de três pontos;
- Ar-condicionado, câmera de ré e conectividade sem fio compatível com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto;
- Cabine com bancos dianteiros revestidos de couro e aquecidos, banco do passageiro dianteiro giratório, assentos traseiros dispostos ao redor de uma mesa removível e fileira de armários embutidos;
- Manutenção do volante original em posição quase horizontal, sem airbag e com o motorista posicionado sobre as rodas dianteiras.
Preços da Kindred Motorworks e produção em Mare Island
Fundada em 2019 pelo ex-executivo do setor de tecnologia e atual diretor-executivo (CEO) Rob Howard, a Kindred Motorworks estrutura sua linha de montagem para padronizar a reconstrução de veículos antigos. “Nós modernizamos e trabalhamos com veículos que as pessoas simplesmente adoram. Eles são icônicos. Mas estão morrendo. O que fazemos é efetivamente industrializar e modernizar esse processo. A Kindred Motorworks está formalizando esse processo e tornando-o repetível”, disse o diretor comercial Greg Clark, em tradução livre.
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Cada unidade da Kombi elétrica exige cerca de 1.500 horas de trabalho para ser concluída. A empresa compra exemplares comuns e de menor valor da primeira geração (T1, caracterizada pelo para-brisa dividido em duas partes) e transforma a carroceria na configuração topo de linha de 23 janelas. A primeira unidade de produção da Kombi elétrica foi entregue a um cliente em agosto de 2026, e a meta da companhia é fabricar aproximadamente 12 unidades no primeiro ano de operação, com planos de expandir a capacidade posteriormente para até 50 veículos por ano.
Os valores de mercado e do catálogo da fabricante em outubro de 2026 dividem-se nas seguintes faixas:
- Kombi elétrica da Kindred Motorworks: preço inicial a partir de US$ 275 mil (cerca de R$ 1,3 milhão);
- Kombi clássica original de 23 janelas restaurada no padrão tradicional a combustão: cotações entre US$ 100 mil e US$ 200 mil no mercado de colecionadores;
- Ford Bronco restaurado pela Kindred com motor a combustão: a partir de US$ 225 mil (entregas iniciadas em 2025);
- Ford Bronco elétrico da Kindred: a partir de US$ 275 mil;
- Porsche 911 elétrico da Kindred (lançado em 2026): preço de US$ 349 mil.
Disputa de mercado com o Volkswagen ID. Buzz
A estratégia da Kindred Motorworks foca em compradores de veículos elétricos de luxo que buscam a carroceria original dos anos 1950 e 1960 em vez da releitura moderna produzida pela própria montadora alemã. A Volkswagen lançou nos Estados Unidos, em 2024, a van elétrica ID. Buzz, equipada com visual retrô, três fileiras de assentos, entre-eixos longo, opção de tração integral e capacidade de acelerar de 0 a 60 milhas por hora (cerca de 97 km/h) em seis segundos.
Apesar do desempenho, o Volkswagen ID. Buzz acumulou atrasos antes da estreia e registra vendas lentas no mercado norte-americano, onde chegou com preço inicial de US$ 59.995 (cerca de R$ 300 mil). Diante do ritmo fraco de comercialização, o diretor-executivo (CEO) da Volkswagen, Thomas Schäfer, divulgou em 20 de outubro de 2026 os planos da montadora para lançar uma nova geração do ID. Buzz em 2029, construída sobre a plataforma SSP (arquitetura de sistemas escaláveis do grupo alemão) e equipada com baterias de ferro-lítio-fosfato para reduzir os custos de produção.
