Chuva de meteoros Orionídeas tem pico no Brasil nesta quarta

Meteoro da chuva Orionídeas - Brocken Inaglory/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Meteoro da chuva Orionídeas - Brocken Inaglory/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Detritos espaciais que formam a chuva de meteoros Orionídeas atingem o pico de atividade no Brasil entre a noite desta quarta-feira (21) e a madrugada de quinta-feira (22). O fenômeno astronômico poderá ser observado a olho nu em todo o território nacional, sem a necessidade de equipamentos ópticos.

Os fragmentos entram na atmosfera da Terra a uma velocidade aproximada de 66 quilômetros por segundo (41 milhas por segundo). “A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, afirmou Marcelo De Cicco, astrônomo e coordenador do Projeto Exoss, iniciativa parceira do Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ON/MCTI).

Janelas de observação das Orionídeas após o pôr da Lua

A visualização do pico em 21 de outubro de 2026 sofre interferência direta da Lua, que se encontra na fase crescente com cerca de 77% de seu disco iluminado, segundo dados do Observatório Nacional. O brilho lunar intenso ofusca os meteoros de menor intensidade enquanto o satélite natural permanece acima do horizonte, o que restringe a janela de céu totalmente escuro no país.

Por causa dessa iluminação, o período mais favorável para acompanhar a passagem dos meteoros no Brasil concentra-se na segunda metade da madrugada de quinta-feira (22), logo após o pôr da Lua e antes do surgimento dos primeiros raios solares do amanhecer. O Observatório Nacional aponta uma janela geral de observação a partir de 1h40 (horário de Brasília) até o clareamento do dia, mas os horários exatos variam conforme a localização geográfica de cada município.

  • Recife (PE): intervalo de céu escuro entre 1h20 e 3h43;
  • Fortaleza (CE): janela de observação entre 1h31 e 4h02;
  • Rio de Janeiro (RJ): período ideal entre 2h09 e 3h57;
  • São Paulo (SP): faixa sem luar entre 2h24 e 4h10;
  • Porto Alegre (RS): observação favorável entre 2h51 e 4h16.

Os horários específicos de pôr da Lua e início do crepúsculo detalhados para essas cinco capitais constam apenas em levantamento preliminar, enquanto o comunicado oficial do Observatório Nacional mantém a indicação geral de observação a partir de 1h40 até o amanhecer.

Localização da constelação de Órion e recomendações para ver as Orionídeas

O fenômeno recebe o nome de Orionídeas porque o seu radiante — o ponto aparente no firmamento de onde os riscos luminosos parecem emergir — fica localizado na constelação de Órion, nas proximidades da estrela gigante vermelha Betelgeuse e do agrupamento estelar conhecido como Três Marias. Após a meia-noite, essa região celeste surge entre as direções leste e nordeste, subindo gradualmente ao longo da madrugada, condição que proporciona um tempo maior de escuridão e posição mais elevada no céu para os moradores do Norte e do Nordeste.

Para acompanhar a passagem dos fragmentos com maior nitidez, os astrônomos recomendam que o observador procure áreas abertas e afastadas da poluição luminosa das grandes cidades, aguarde de 20 a 30 minutos para que a visão se adapte totalmente à escuridão e evite o uso de binóculos ou telescópios, pois esses aparelhos restringem o campo visual e dificultam o acompanhamento dos meteoros que cruzam diferentes partes do céu. “Os meteoros Oriônidas são velozes e deixam rastros luminosos no céu, o que facilita a observação do fenômeno”, explicou Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional.

Taxas de meteoros por hora previstas para as Orionídeas em 2026

As instituições internacionais de monitoramento astronômico trabalham com projeções distintas para a quantidade de registros visíveis durante o ápice desta semana. Enquanto a Organização Internacional de Meteoros (IMO, entidade científica global dedicada ao estudo de bólidos e chuvas de meteoros) e o Observatório Nacional preveem uma taxa de 20 ou mais meteoros por hora sob condições ideais de céu escuro, a agência espacial norte-americana (NASA) e a American Meteor Society (organização científica dos Estados Unidos voltada à observação de meteoros) estimam uma média de 10 a 20 meteoros por hora.

Esses números representam o teto previsto para locais sem qualquer interferência luminosa e com o radiante no ponto mais alto do céu. Na prática, para quem observa a partir de áreas urbanas com iluminação pública, a quantidade de rastros visíveis por hora tende a ser inferior às médias divulgadas pelas agências.

Relação entre o cometa Halley e a formação das Orionídeas

Os meteoros visíveis nesta época do ano são formados por poeira e pequenos fragmentos — muitos com dimensões semelhantes às de grãos de areia ou pequenas pedras — deixados pelo cometa Halley (designado oficialmente como 1P/Halley) em antigas passagens pelo Sistema Solar. O corpo celeste leva de 75 a 76 anos para completar uma volta inteira ao redor do Sol e, ao longo desse trajeto orbital, desprende uma trilha contínua de partículas espaciais que permanece suspensa no espaço e produz os riscos brilhantes ao colidir em alta velocidade com a atmosfera terrestre.

A ocorrência da chuva de meteoros não significa que o astro principal possa ser visto no céu noturno. O cometa Halley passou pelas proximidades da Terra pela última vez no ano de 1986, e o seu próximo retorno ao Sistema Solar interior está previsto para ocorrer em 2061.

A nuvem de detritos deixada pelo Halley é atravessada pelo planeta Terra em dois momentos distintos do calendário astronômico, gerando duas chuvas de meteoros anuais. Além das Orionídeas, que ocorrem sempre no mês de outubro, a mesma trilha de poeira espacial dá origem à chuva Eta Aquáridas, registrada anualmente no mês de maio.

Em 2026, o período total de atividade das Orionídeas teve início em 2 de outubro de 2026. O fenômeno segue ativo com menor frequência de meteoros após o pico desta semana e se encerra no dia 7 de novembro de 2026.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração