Como exercícios e tecnologia garantem mais qualidade de vida na terceira idade

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Cuidador, idoso, exércicio - Renata Photography/shutterstock.com Foto: Cuidador, idoso, exércicio - Renata Photography/shutterstock.com

O avanço do acesso à internet entre idosos no Brasil, que alcançou 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais em 2025 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou a integrar a rotina de cuidados domiciliares ao lado da prática supervisionada de exercícios físicos. A combinação de recursos digitais e movimento corporal busca preservar a autonomia e prevenir acidentes domésticos em uma faixa etária que registra cerca de 9 milhões de quedas por ano no país, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O acompanhamento dentro de casa reúne dispositivos de conexão, como telemedicina e botões de emergência, e o estímulo à mobilidade segura. Para Artur Hipólito, sócio da rede de cuidadores Home Angels, a integração dessas duas frentes depende de supervisão direta na rotina doméstica. “Tela e caminhada parecem assuntos distantes um do outro, mas resolvem o mesmo problema: manter a pessoa idosa em contato com o mundo e firme dentro da própria casa. Equipamento sem alguém que ensine a usar vira enfeite, e exercício sem alguém que acompanhe vira risco. O que sustenta os dois é presença qualificada”, afirmou Hipólito no levantamento divulgado em 21 de outubro de 2026.

Expansão do uso de internet entre idosos segundo o IBGE

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD Contínua TIC), divulgados pelo IBGE em 2 de julho de 2026, mostram que a proporção de usuários de internet com 60 anos ou mais subiu 4,4 pontos percentuais entre 2024, quando era de 70,1%, e 2025, ao atingir 74,5%. Apesar de essa faixa etária manter o menor índice proporcional de conexão, o salto registrado no período foi a maior expansão entre todos os grupos de idade pesquisados no país.

Gustavo Fontes, analista da PNAD Contínua TIC do IBGE, explicou a razão desse crescimento contínuo. “A internet está cada vez mais inserida no cotidiano. Muitos serviços hoje são feitos pela internet, então existe um certo estímulo para os idosos buscarem utilizá-la”, disse o pesquisador.

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O aumento da conectividade foi acompanhado pela posse de aparelhos. O percentual de pessoas de 60 anos ou mais com telefone móvel celular para uso pessoal passou de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025, uma alta de 2 pontos percentuais. Na comparação histórica com o ano de 2019, a fatia de idosos conectados à rede avançou 29,6 pontos percentuais até 2025.

O comportamento dos mais velhos seguiu na direção oposta ao observado entre crianças de 10 a 13 anos, grupo que apresentou recuo na posse de celular de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025, queda associada a preocupações das famílias com privacidade e segurança. No panorama geral do país em 2025, 95,6% dos brasileiros de 10 anos ou mais que navegavam na web acessavam a rede todos os dias, enquanto 19,1 milhões de pessoas (10,2% dessa população a partir de 10 anos) não tinham aparelho celular próprio.

Casal de idoso sorrindo, corrida
Casal de idoso sorrindo, corrida – pics five/shutterstock.com

Como a tecnologia e os exercícios previnem quedas em idosos?

A principal barreira para os idosos que permanecem fora da rede não é a falta de aparelhos ou de sinal, mas o domínio das ferramentas: 66,5% dos entrevistados de 60 anos ou mais que não acessaram a internet apontaram como motivo principal não saber utilizar a tecnologia. Entre aqueles que estão conectados, a finalidade mais comum em 2025 foi conversar por chamadas de voz ou vídeo, atividade informada por 95,3% dos usuários da internet para manter o vínculo com filhos e netos que moram distante.

Dentro da residência, o uso assistido da tecnologia cumpre funções voltadas à saúde. Consultas por telemedicina evitam deslocamentos desnecessários a clínicas e hospitais quando não há necessidade de exame físico presencial. Já os dispositivos vestíveis de emergência encurtam o tempo entre um mal-estar ou acidente e o pedido de socorro. Na operação da Home Angels, por exemplo, o atendimento alia um botão de emergência acionável 24 horas, operado em parceria com a TeleHelp, canais de orientação médica por telefone e telemedicina junto à assistência domiciliar da Home Doctor.

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Para que esses equipamentos funcionem na prática, o cuidador presencial atua como mediador tecnológico. O profissional organiza os horários de consultas remotas, prepara o celular ou computador, anota as orientações médicas e garante que a pessoa idosa saiba acionar o botão de socorro.

Na outra ponta da rotina diária está o combate ao sedentarismo. O Ministério da Saúde alerta que a falta de movimento está ligada ao surgimento de doenças crônicas e à elevação do risco de acidentes domésticos. O Brasil conta com cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 17% da população total, com um crescimento médio estimado pela pasta em 1,1 milhão de cidadãos nessa faixa etária a cada ano.

De acordo com dados do Ministério da Saúde baseados em estimativas da OMS, cerca de 28% dos idosos sofrem pelo menos uma queda por ano. Esses acidentes podem provocar fraturas, contusões musculares e traumatismos cranianos, além de gerar o medo de cair novamente, fator que reduz a mobilidade, retira a independência e amplia a necessidade de cuidados permanentes.

Diretrizes do Ministério da Saúde e dados da assistência a idosos

A prática regular de exercícios físicos melhora a postura e o equilíbrio, protege ossos e articulações, previne fraturas, auxilia a memória, a atenção e o raciocínio e evita o isolamento social. As estatísticas oficiais e os parâmetros operacionais do setor de cuidados domiciliares reúnem os seguintes indicadores:

  • Tempo mínimo de exercício: o Ministério da Saúde recomenda iniciar com caminhadas curtas e atividades leves, de modo gradual, até atingir ao menos 150 minutos semanais de atividade física.
  • Cuidados na prática física: uso de calçados e roupas adequados, hidratação constante, aplicação de protetor solar em áreas abertas, escolha de horários mais frescos e interrupção imediata com busca pela equipe de saúde em caso de mal-estar ou dor.
  • Adaptação do domicílio: instalação de barras de apoio principalmente no banheiro, manutenção de boa iluminação nos cômodos e organização do espaço para retirar tapetes soltos e obstáculos, visto que a maioria das quedas ocorre dentro de casa.
  • Estrutura de atendimento privado: com mais de 18 anos de atuação no setor, a rede de franquias Home Angels soma mais de 270 unidades e faturamento consolidado superior a R$ 208 milhões.

No acompanhamento diário em domicílio, a supervisão técnica transforma as recomendações médicas em um plano de cuidados individualizado, que estabelece quais exercícios a pessoa idosa está liberada para executar e em qual intensidade. O cuidador acompanha as caminhadas, monitora sinais de cansaço ou desequilíbrio e comunica alterações à equipe responsável pela reavaliação clínica. A definição das cargas horárias de acompanhamento, das modalidades de serviço e dos aparelhos tecnológicos utilizados depende da avaliação prévia de cada paciente e varia conforme a unidade de atendimento de cada região.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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