Profissionais de saúde e educação física apresentaram orientações contra a osteoporose em edição do programa Ver Mais publicada nesta quarta-feira (21), em Santa Catarina, detalhando como o treinamento de força preserva a estrutura dos ossos. As medidas buscam conter o avanço de uma condição que atinge entre 10 milhões e 15 milhões de brasileiros e afeta 500 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da International Osteoporosis Foundation (IOF), fundação internacional dedicada ao estudo da doença.
A osteoporose caracteriza-se pela perda progressiva de resistência e densidade da estrutura óssea, evoluindo de forma silenciosa e sem sintomas aparentes até que ocorra a primeira fratura. “Na juventude, a formação óssea geralmente supera a perda. Com o envelhecimento, porém, esse equilíbrio pode mudar, levando à redução da massa óssea e tornando os ossos mais frágeis”, afirmou Rebecca Maria, médica reumatologista do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Os nomes específicos dos profissionais entrevistados em vídeo na edição do programa Ver Mais ainda não foram confirmados na transcrição documental da atração.
Treinamento de força e diretrizes do SUS para a osteoporose
A prática regular de exercícios físicos e a adaptação segura dos treinos para idosos ou pacientes já diagnosticados funcionam como barreira direta contra a perda de massa óssea. As diretrizes médicas indicam que o treinamento resistido, popularmente conhecido como musculação ou treino de força, executado em intensidade moderada a vigorosa sob supervisão profissional e ajustado ao grau da doença de cada indivíduo, atua para manter ou elevar a densidade mineral dos ossos. O trabalho físico direcionado também desenvolve a musculatura de sustentação, corrige a postura corporal e aprimora o equilíbrio, fatores que diminuem a probabilidade de acidentes domésticos.
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Na rede pública, o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde, estabelecido pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS/MS nº 19, de 28 de setembro de 2023, define a atividade física e a prevenção de quedas como pilares obrigatórios do tratamento não medicamentoso da osteoporose no Sistema Único de Saúde (SUS). As orientações de manejo clínico unem o estímulo mecânico dos exercícios sobre o esqueleto à necessidade de uma rotina nutricional com ingestão adequada de cálcio e exposição solar diária de pelo menos 15 minutos, período necessário para que o organismo realize a síntese de vitamina D, substância responsável por auxiliar a fixação do mineral nos ossos.
Impacto da osteoporose após os 50 anos e estatísticas de fraturas
Os alertas sobre o fortalecimento muscular ganharam reforço após a celebração do Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, realizada na terça-feira (20). Na ocasião, órgãos oficiais de saúde e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), entidade que conta com o médico Francisco José Albuquerque de Paula como coordenador do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral e com Narriane Chaves Pereira de Holanda na subcoordenação do setor, destacaram a urgência do diagnóstico precoce e da busca por exames e medicamentos fornecidos pelo SUS. Em campanha de conscientização sobre o tema, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), presidida pelo médico reumatologista José Eduardo Martinez, apontou que as fraturas por fragilidade ocorrem com maior frequência nas vértebras da coluna, no punho e no quadril, figurando entre as principais causas de perda de mobilidade, complicações graves de saúde e mortalidade na população idosa.
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As estatísticas epidemiológicas sobre a doença demonstram variações conforme a entidade responsável pelo levantamento, mas confirmam a concentração de casos a partir da quinta década de vida. Os principais indicadores demográficos e clínicos da condição no Brasil e no exterior reúnem os seguintes números:
- Estimativa nacional do Ministério da Saúde e da regional paulista da SBEM: cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose.
- Projeção da Sociedade Brasileira de Reumatologia com base na OMS: aproximadamente 15 milhões de pessoas são afetadas pela doença no país.
- Incidência em mulheres: 1 em cada 3 mulheres com mais de 50 anos sofrerá uma fratura decorrente da osteoporose ao longo da vida.
- Incidência em homens: 1 em cada 5 homens acima da faixa de 50 anos registrará algum tipo de fratura osteoporótica.
- Idade de alerta: os 50 anos marcam a faixa etária em que a perda de massa óssea e o risco de rupturas por fragilidade se acentuam de maneira expressiva.
Fatores de risco da osteoporose e adaptações no ambiente doméstico
O enfraquecimento do tecido ósseo não decorre exclusivamente do processo natural de envelhecimento ou da falta de exercícios físicos. O mapeamento clínico aponta que a doença se desenvolve com maior facilidade em mulheres após a menopausa, em pessoas com histórico familiar da condição e em indivíduos com baixo peso corporal. Hábitos de vida e tratamentos médicos específicos também aceleram a perda mineral, incluindo a alimentação pobre em cálcio, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o uso prolongado de medicamentos como os corticoides, fármacos utilizados no controle de processos inflamatórios.
Para pacientes idosos ou que já apresentam redução diagnosticada na densidade dos ossos, o trabalho físico de postura e equilíbrio nos treinos precisa ser acompanhado por mudanças estruturais dentro de casa. As recomendações de saúde pública para evitar quedas e consequentes fraturas exigem a revisão dos espaços de convivência diária. A lista de medidas preventivas inclui a retirada de tapetes soltos e outros obstáculos do caminho, o reforço na iluminação dos cômodos para facilitar a visão noturna e a manutenção de áreas de circulação livres e seguras em toda a residência.
