Influenciadora Malévola Alves é presa no Egito após vídeos

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Malévola Alves - Reprodução/Instagram Foto: Malévola Alves - Reprodução/Instagram

A influenciadora digital brasileira Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida como Malévola Alves, de 22 anos, foi presa com uma amiga em Alexandria, no Egito, na terça-feira (20). O Ministério do Interior egípcio encaminhou o caso à promotoria pública local e acusou as duas turistas de exibição pornográfica, gestos com insinuações sexuais e assédio a pedestres nas ruas.

Antes de ficar incomunicável, a criadora de conteúdo relatou no Instagram que policiais interceptaram o veículo em que o grupo estava durante um passeio turístico. “Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio”, disse Malévola Alves na publicação.

Acusações do governo do Egito e atuação da defesa de Malévola Alves

Em comunicado divulgado na rede social X em 20 de outubro de 2026, o Ministério do Interior do Egito informou que a detenção ocorreu após a circulação de vídeos gravados em vias públicas de Alexandria. Segundo o órgão oficial, ao serem confrontadas pelas autoridades, as brasileiras admitiram ter gravado e publicado as imagens em suas páginas com o objetivo de aumentar o número de visualizações nas redes sociais.

O advogado de defesa da influenciadora, Jonatha Carvalho Matos, divulgou nota oficial informando que acionou o corpo diplomático brasileiro e busca viabilizar o pagamento de fiança. “Informamos que a defesa já está em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo, bem como com as autoridades e os órgãos competentes, visando assegurar a integridade física, a segurança e a plena observância dos direitos e garantias legais de nossa constituinte”, afirmou o defensor. Na mesma nota, Matos declarou: “A situação está sendo acompanhada de maneira contínua e prioritária, com a adoção de todas as providências necessárias, respeitando-se a legislação local e os tratados internacionais aplicáveis”.

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A influenciadora digital Bruna Tivo, amiga de Malévola Alves que viajou ao Egito para um festival de música eletrônica mas já estava em Paris no momento da abordagem policial, afirmou nas redes sociais que as colegas foram alvo de perseguição e transfobia após os vídeos circularem em grupos locais. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que a Embaixada do Brasil no Cairo está à disposição para prestar assistência consular quando solicitado. Até o momento, a identidade oficial da amiga detida com a criadora de conteúdo não foi divulgada pelas autoridades egípcias nem pela defesa, e não há confirmação sobre o valor de eventual fiança ou data para audiência de custódia.

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Trajetória de Malévola Alves nas redes sociais e confusões em São Paulo

Natural de São Bernardo do Campo (SP), a mulher trans acumula mais de 815 mil seguidores no Instagram e cerca de 221 mil no TikTok, plataformas em que publica vídeos de humor ácido, estilo de vida, moda, viagens e relatos sobre transição de gênero. Antes da detenção no exterior, a brasileira esteve envolvida em ocorrências policiais e discussões públicas no Brasil entre 2024 e 2026:

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  • 2024: participou do reality show Rancho do Maia, promovido pelo influenciador Carlinhos Maia, e foi alvo de críticas na Páscoa ao negar chocolate a uma criança em uma ação social.
  • 26 de março de 2025: denunciou ter sofrido transfobia na fila do Teatro Renault, no Centro de São Paulo, antes de uma sessão do musical Wicked.
  • Abril de 2026: reclamou de ter pago R$ 6 mil por um procedimento capilar ao cabeleireiro Robson Souza, o que gerou discussões com a cantora Jojo Todynho, a influenciadora Sophia Florence (Soso Careca) e o funkeiro MC Paiva.
  • 29 de abril de 2026: protagonizou uma briga generalizada com MC Paiva dentro de um shopping em São Paulo.
  • Agosto de 2026: foi presa em flagrante em São Paulo por suspeita de desacato e lesão corporal após confusão em um camarote de festa, sendo liberada mediante pagamento de fiança.

Na ocorrência de agosto de 2026 em São Paulo, confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), a prisão em flagrante envolveu suspeita de agressão contra uma policial civil, e um homem também foi detido no local por usurpação de função pública e lesão corporal após fingir ser policial. A defesa alegou na ocasião que um funcionário havia autorizado a permanência do grupo no camarote, mas outro trabalhador exigiu a saída de forma agressiva, levando a influenciadora a agir para defender amigos. Após pagar fiança, ela declarou nas redes sociais: “É tanta coisa que a gente vê nessa internet, gente. Nossa, estou com a garganta rouca. Fico chocada o quanto a internet é um telefone sem fio”.

Quatro meses antes, a polêmica do salão de beleza teve início quando Jojo Todynho defendeu o cabeleireiro Robson Souza dizendo que cabelo é “artigo de luxo” e chamou Malévola Alves de “mulher que não gesta”, declaração que motivou acusação de transfobia e ameaças mútuas de processo. Na mesma disputa, o cantor MC Paiva, namorado de Soso Careca, respondeu “Que mulher?” a uma mensagem da influenciadora antes do confronto físico no shopping paulistano. Já no episódio do Teatro Renault em 2025, uma espectadora na fila do caixa questionou a identidade de gênero da criadora de conteúdo. “Ela falou: isso é homem ou mulher? Me tratou no masculino. Ela perguntou se eu era homem ou mulher, me tratando com transfobia”, relatou Malévola Alves na época. A plateia exigiu a retirada da mulher sob vaias, atrasando o espetáculo, e a atriz Fabi Bang, intérprete da personagem Glinda, repudiou o caso: “Essa postura é contra a história que a gente está contando. Então o público realmente se revoltou com essa situação”.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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