A Justiça de Minas Gerais concedeu liberdade provisória sem fiança, nesta segunda-feira (19), ao motorista e manobrista Wesley Ribeiro dos Santos, preso após atropelar um manifestante no Centro de Belo Horizonte. O investigado responderá em liberdade sob suspeita de tentativa de homicídio, mas terá de cumprir medidas cautelares determinadas em audiência de custódia.
O atropelamento ocorreu na noite do último sábado, 17 de outubro de 2026, e deixou ferido o petroleiro aposentado Hilário da Silveira, de 67 anos, integrante da direção do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG). A decisão judicial alerta que o descumprimento injustificado das regras impostas poderá levar à decretação da prisão preventiva do condutor.
Medidas cautelares impostas a Wesley Ribeiro dos Santos em BH
O juiz responsável pela audiência de custódia, cujo nome não foi divulgado, decidiu não suspender a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Wesley Ribeiro dos Santos. O documento foi mantido vigente porque o investigado atua profissionalmente como manobrista. Para responder ao processo fora da prisão, o motorista deve cumprir as seguintes determinações judiciais:
Acompanhe: Desabamento em Belo Horizonte atinge carros em condomínio
- Uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo de 90 dias;
- Recolhimento domiciliar noturno nos dias úteis, das 20h às 6h, e em período integral aos sábados, domingos e feriados, durante 90 dias;
- Proibição de se aproximar da vítima a uma distância inferior a 500 metros;
- Comparecimento mensal em juízo, pelo período de 6 meses, para informar e justificar suas atividades;
- Comparecimento periódico à equipe multidisciplinar da Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), por no mínimo três meses, prorrogáveis por mais três.
Dinâmica do atropelamento na Rua da Bahia e versão do motorista
De acordo com o relato de um guarda civil municipal à Polícia Militar e com depoimentos de testemunhas, o atropelamento aconteceu no cruzamento da Rua da Bahia com a Rua Tupinambás, na região central da capital mineira. O motorista conduzia um veículo Volkswagen Up de cor amarela e avançou o sinal vermelho no momento em que manifestantes atravessavam na faixa de pedestres. Após atingir Hilário da Silveira, o condutor acelerou e fugiu em alta velocidade sem prestar socorro à vítima.
Leia também: Estudante de Direito da UFMG morre afogado no CEU em Belo Horizonte
Policiais militares localizaram e abordaram o motorista ainda na Rua da Bahia, na altura do bairro Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, próximo ao Minas Tênis Clube. No local, Wesley Ribeiro dos Santos realizou o teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para a ingestão de álcool, e teve a prisão em flagrante ratificada na 2ª Central Estadual do Plantão Digital da Polícia Civil. Em depoimento, o investigado alegou que participantes do ato político arremessaram garrafas de água e latas de bebida contra o automóvel, atingindo sua esposa no banco do passageiro e deixando os filhos do casal, de 8 e 10 anos, em pânico. Ele afirmou que acelerou para sair da zona de risco por medo de agressões, declarou não ter percebido o atropelamento e disse que pretendia acionar o serviço de emergência ao chegar em casa.
Continue lendo: Super El Niño: Seca extrema ameaça abastecimento de Belo Horizonte em 2028
Estado de saúde de Hilário da Silveira após o ato pró-Lula
O atropelamento ocorreu durante a manifestação intitulada Mulheres com Lula, realizada no âmbito da campanha de segundo turno das eleições presidenciais de 2026 a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hilário da Silveira relatou que estava de costas e não viu a aproximação do veículo antes do impacto. “Esse carro veio pela faixa esquerda da rua e forçou a passagem para cima dos manifestantes. Eu estava à esquerda do veículo e, quando ele arrancou, atingiu uma senhora. Ele tentou desviar dela e me atropelou. Minha sorte é que tinha uma médica passando na hora, e ela fez os primeiros atendimentos”, declarou a vítima.
Saiba mais: Estudante de medicina responde por estupro em Belo Horizonte
Participante de atos políticos desde o movimento das Diretas Já, na década de 1980, o petroleiro aposentado afirmou nunca ter vivenciado um episódio semelhante. “Ele saiu em disparada, a rua estava cheia, colocou muita gente em risco. Não sei o que levou a isso, mas o que eu sinto é que no Brasil, de uns anos para cá, a intolerância ficou muito grande”, disse Hilário da Silveira.
Após os primeiros socorros no local, o dirigente sindical foi levado inicialmente para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, com uma fratura trimaleolar no tornozelo esquerdo, lesão que atinge três partes diferentes da articulação. Na sequência, ele foi transferido para um hospital particular para passar por uma cirurgia, mas o nome da unidade de saúde e a data exata do procedimento cirúrgico ainda não foram informados.
