O guia de montanha e fotógrafo Giba Morais registrou na Caverna Casa de Pedra, em Iporanga, no interior de São Paulo, uma gravação em que a água escorrendo do teto rochoso se alinha a um halo solar e cria a ilusão de uma cachoeira caindo diretamente do céu. As imagens feitas no sábado, 17 de outubro de 2026, na maior abertura vertical de caverna do mundo, ultrapassaram 8 milhões de visualizações nas redes sociais e tiveram repercussão internacional.
Morais atua na região de Curitiba, no Paraná, e viajou ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar) para percorrer a trilha até o pórtico da caverna acompanhado de três amigos e de um monitor local. “Naquele instante, percebi um fenômeno natural chamado halo solar acontecendo e procurei o melhor ângulo para registrar a cena […] Foi um momento extraordinário, em que a natureza nos presenteou com uma imagem que acabou alcançando pessoas do mundo inteiro”, disse o guia de montanha.
Como o halo solar e a água formaram a ilusão na Casa de Pedra?
A gravação que circulou nas redes sociais foi feita com um aparelho iPhone 15 Pro a partir da base da abertura rochosa e mostra o encontro visual de dois eventos distintos da natureza no mesmo enquadramento. O primeiro elemento é o halo solar, fenômeno óptico que forma um grande anel luminoso ao redor do Sol quando a luz atravessa cristais de gelo suspensos em nuvens altas, estruturas que funcionam como prismas e provocam a refração dos raios solares na atmosfera. O segundo componente é a queda d’água que aparenta despencar das nuvens no centro desse círculo luminoso, mas que não corresponde ao curso de uma cachoeira de rio na superfície. Segundo explicou Giba Morais após a expedição, o fluxo registrado pela câmera do celular sai diretamente das fissuras do teto rochoso na entrada da caverna e cai como um chuveiro natural pela imensa parede de pedra.
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Após a publicação do vídeo na internet, usuários comentaram o efeito visual da água contra a luz refratada. Entre as mensagens deixadas nas redes sociais, internautas questionaram se a cena era real e compararam os respingos iluminados pelo Sol a purpurina caindo do céu e a um arco-íris aberto sobre a mata.
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Medições da USP e dimensões do complexo do Petar em Iporanga
O título de maior boca de caverna do mundo atribuído à Casa de Pedra foi consolidado entre janeiro e fevereiro de 2026 pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Fundação Florestal, em parceria com o Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Sob a coordenação do professor Nicolás Misailidis Strikis, a expedição científica utilizou tecnologia de escaneamento a laser acoplada a um drone para mapear a fenda em três dimensões após dias de caminhada pela Mata Atlântica, onde já foram registrados animais como onças, jaguatiricas, porcos-do-mato e arapongas. O levantamento técnico também incluiu um estudo hidrológico com a instalação de linígrafos, aparelhos que medem a variação do nível da água, e de pluviômetros, equipamentos que registram o volume de chuva.
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Os dados oficiais do monitoramento científico e da estrutura geográfica da unidade de conservação reúnem as seguintes marcas:
- Altura do pórtico de entrada da Caverna Casa de Pedra: mais de 197 metros, com medição detalhada de 197,1 metros pelo escaneamento a laser Lidar 3D.
- Extensão interna mapeada da caverna: 2.930 metros de galerias subterrâneas.
- Quantidade de cavernas no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira: mais de 400 formações registradas na área protegida.
- Variação hídrica em dias de temporal: elevação superior a 2 metros no nível da água na saída da caverna após eventos de uma hora de chuva.
- Tempo estimado de caminhada na rota autorizada: cerca de 3 horas de percurso pela trilha externa até a base do pórtico.
Regras de visitação e histórico de fechamento da Casa de Pedra
A medição do comportamento das águas dentro da caverna atende a uma demanda direta de segurança pública no Vale do Ribeira. Moradores da região relatam que as condições do rio subterrâneo mudam em poucos minutos quando chove nas cabeceiras, característica que levou à interdição do interior da caverna há mais de duas décadas.
O histórico de restrições e os marcos recentes do local abrangem três momentos distintos:
- Ano de 2003: fechamento do interior da Caverna Casa de Pedra para o turismo após uma tromba d’água atingir um grupo em travessia e provocar a morte de um guia e de um turista por afogamento.
- Janeiro e fevereiro de 2026: divulgação oficial dos resultados do mapeamento a laser e do monitoramento hidrológico conduzidos pelo Instituto de Geociências da USP e pela Fundação Florestal.
- Sábado, 17 de outubro de 2026: expedição do grupo de Giba Morais pela trilha externa permitida e gravação do vídeo do halo solar na entrada principal.
Atualmente, os visitantes do Petar têm autorização apenas para percorrer a trilha externa que leva até o pórtico da Casa de Pedra, exatamente o passeio realizado pelo guia paranaense e seus acompanhantes. O ingresso na parte interna da caverna permanece proibido ao público e restrito exclusivamente a pesquisadores autorizados e agentes da Defesa Civil.
A liberação da travessia subterrânea depende da futura implantação do Plano de Manejo Espeleológico do Petar, documento técnico que define as normas de uso e conservação das cavernas do parque. “O monitoramento da Casa de Pedra representa um marco para a conservação. Estamos construindo as bases junto com a ciência para que, no futuro, a visitação interna volte a ocorrer com segurança, trazendo benefícios para o turismo sustentável do Vale do Ribeira e fortalecendo a imagem do Petar como patrimônio mundial da humanidade”, afirmou o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.
