Expedição da Noruega localiza carcaça de baleia no fundo do Ártico

5 min de leitura
oceano ártico Foto: oceano ártico - juan68/Shutterstock.com

Uma equipe científica ligada ao governo da Noruega encontrou por acaso os restos mortais de uma baleia no fundo do Oceano Ártico, em um fenômeno biológico raro conhecido como queda da baleia. O registro, divulgado na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, ocorreu durante uma expedição de mapeamento realizada em maio pelo programa MAREANO e pelo Instituto de Pesquisa Marinha (IMR).

Ao recolherem o material do leito oceânico para a superfície da embarcação, os integrantes da missão precisaram adotar medidas de proteção contra o forte odor antes de iniciar os testes laboratoriais. “O cheiro não era tão ruim afinal, mas usamos máscaras de gás por precaução. Nós realmente nos sentimos como verdadeiros arqueólogos – como o Indiana Jones do mar profundo!”, relataram os cientistas no diário de bordo da expedição norueguesa, em tradução livre.

Robô submarino Ægir6000 identifica anomalia no fundo do Oceano Ártico

Gelo marinho do Ártico - istockphoto.com
Foto: Gelo marinho do Ártico – istockphoto.com

A localização do chamado túmulo aquático aconteceu enquanto a equipe conduzia remotamente um equipamento de exploração subaquática pelo leito marinho com o objetivo de documentar o ambiente profundo da região. Em meio à paisagem uniforme do fundo do mar, as câmeras identificaram uma formação incomum composta por um amontoado denso de vermes tubulares erguidos acima do sedimento. Quando o braço mecânico do aparelho recolheu uma amostra daquele ponto para investigação, uma nuvem escura, chamada de pluma negra, encobriu temporariamente a visão dos operadores na superfície, indicando intensa atividade biológica oculta sob a camada superficial do solo oceânico.

Leia também: Perda de gelo no Ártico supera ponto de inflexão e afeta nutrientes essenciais

A formação dessa pluma negra apontou a existência de alto consumo de oxigênio, proliferação bacteriana e grande volume de matéria orgânica concentrada nos sedimentos. Assim que a nuvem escura se dissipou na água, as lentes mostraram dentes e ossos espalhados entre diversos invertebrados marinhos.

Acompanhe: Noruega inclui Roblox, TikTok e Snapchat em veto para jovens

A operação de coleta e triagem no Oceano Ártico envolveu estruturas específicas de pesquisa e revelou organismos variados no local do achado:

Confira também: Noruega propõe suspensão de óculos inteligentes em locais públicos

  • Instituições responsáveis pela missão: programa governamental de mapeamento MAREANO e Instituto de Pesquisa Marinha (IMR) da Noruega.
  • Equipamento de exploração utilizado: veículo operado remotamente (ROV, aparelho subaquático controlado à distância sem tripulação a bordo) de modelo Ægir6000.
  • Material biológico recolhido na coleta: ossos e dentes cercados por sedimentos escuros ricos em matéria orgânica.
  • Invertebrados identificados diretamente na amostra: vermes anelídeos do gênero Notomastus e crustáceos isópodes do gênero Saduria.

Como ocorre o fenômeno da queda da baleia no oceano?

O registro feito pela missão norueguesa documenta na prática a queda da baleia (termo derivado da expressão em inglês whale fall), processo em que a carcaça do mamífero marinho chega ao fundo do oceano e passa a sustentar comunidades inteiras de águas profundas. Antes de atingir o solo marinho em definitivo, porém, o corpo do animal passa por transformações físicas e químicas que começam logo após a morte e envolvem o deslocamento vertical pela coluna de água.

Continue lendo: Arqueólogos acham 3.100 moedas da Era Viking na Noruega

Esse ciclo de decomposição e afundamento da carcaça segue etapas distintas desde a superfície até o leito oceânico:

  • Primeiras 24 a 36 horas após a morte: o avanço da decomposição interna produz grande volume de gases, fazendo com que o corpo da baleia flutue até a superfície do mar.
  • Fase de alimentação na superfície: enquanto a carcaça permanece boiando, predadores e animais necrófagos de maior porte consomem grande parte da carne e dos tecidos moles.
  • Afundamento definitivo: após a perda dos tecidos consumidos na superfície e a liberação dos gases acumulados, os restos mortais afundam até o leito do oceano.
  • Sustentação no mar profundo: instalada no fundo oceânico, a estrutura óssea e orgânica serve de abrigo e fonte nutricional para espécies marinhas ao longo de décadas.

Ecossistema formado pela carcaça de baleia e análises do IMR

Em regiões de grandes profundidades oceânicas, onde a luz solar não chega e há escassez constante de alimentos, o afundamento de uma baleia cria um ecossistema temporário de longa duração. A estrutura depositada no solo marinho atrai animais como caranguejos, polvos, diferentes grupos de vermes — entre eles os vermes comedores de ossos pertencentes ao gênero Osedax — e colônias de bactérias especializadas. Esses organismos consomem gradualmente os lipídios (gorduras) e demais nutrientes preservados no interior dos ossos e nos resíduos de tecidos que restaram após a passagem pelos predadores da superfície.

Apesar de os exames realizados em laboratório pelas equipes do MAREANO e do Instituto de Pesquisa Marinha terem confirmado que os ossos e dentes recolhidos pelo veículo Ægir6000 pertencem a uma baleia, o estado do material impediu a identificação da espécie exata do animal. As instituições norueguesas também não detalharam até o momento o dia exato do mês de maio em que a coleta ocorreu nem a profundidade precisa em que o túmulo aquático repousa no Oceano Ártico.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

Notícias relacionadas