Claudine Melnik e Juliana Alba comandam aviões na Latam

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Claudine Melnik - Divulgação/Latam Foto: Claudine Melnik - Divulgação/Latam

As comandantes da Latam Airlines Brasil Claudine Melnik e Juliana Alba detalham, nesta sexta-feira (23), Dia do Aviador, suas trajetórias e os desafios da atuação feminina no transporte aéreo comercial e de cargas. A data marca os 120 anos do voo do 14-Bis em um setor onde as mulheres representam 4,1% do quadro de tripulantes técnicos da companhia.

Claudine Melnik, de 57 anos, tornou-se em 2016 a primeira mulher no mundo a comandar uma aeronave Airbus A350 e acumula mais de 20 mil horas de voo em 33 anos de carreira. Já Juliana Alba, de 34 anos, assumiu o posto de primeira mulher, em um intervalo de 15 anos, a comandar um avião cargueiro na empresa. “Depois de tantos anos na aviação, estar no cockpit representa uma história de aprendizado, superação e transformação. O comando de uma aeronave não é um símbolo de poder pessoal, mas um compromisso com a segurança, com a equipe e com as pessoas que confiam em nosso trabalho”, afirma Claudine.

Trajetória de Claudine Melnik até o comando do Airbus A350

Juliana Alba - Divulgação/Latam
Foto: Juliana Alba – Divulgação/Latam

A carreira de Claudine Melnik teve início após o desejo de infância de seguir os passos de um primo aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), instituição militar que só abriu vagas para a entrada de mulheres em 1982. Para obter as licenças exigidas na aviação civil, ela realizou aulas teóricas em um aeroclube de Curitiba, no Paraná, e treinamento prático de voo em Juiz de Fora, em Minas Gerais, ingressando posteriormente na indústria aérea comercial em uma função de cabine antes de migrar para a pilotagem.

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“Desde criança eu tinha muita vontade de voar, não sei exatamente se foi por causa de uma viagem de férias que fizemos em família ou se essa vontade já era anterior. Mas o fato é que desde muito pequena eu me via voando de alguma forma”, disse a comandante.

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Atualmente baseada em Guarulhos, na Grande São Paulo, Claudine pilota os modelos Boeing 777 e Boeing 787 em rotas internacionais de longo alcance que ligam o Brasil à América do Norte, à Europa e à África. Ao longo de três décadas na empresa, a aviadora registrou marcos cronológicos na operação nacional e internacional:

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  • Dezembro de 1992: ingresso na TAM como comissária de voo, já com as licenças de pilotagem;
  • 1994: transição para a tripulação técnica como copilota da aeronave Caravan C208;
  • 1995: promoção a primeira mulher comandante da companhia e da aviação comercial do Brasil;
  • 1998: integração à primeira turma de pilotos do Airbus A330 para voos internacionais, com estreia na rota para Miami, nos Estados Unidos;
  • 2001: primeira mulher a assumir o comando de um jato na empresa, operando o modelo Fokker 100;
  • 2008: início da atuação como comandante em rotas internacionais a bordo do Airbus A330, após trabalhar como instrutora e avaliadora da família Airbus;
  • 2016: primeira mulher no mundo a comandar o modelo Airbus A350.

Mãe de dois filhos, a piloto relata que a rotina de voos impõe ausências em momentos familiares e exige dedicação pessoal tanto de homens quanto de mulheres, embora aponte que a autocobrança feminina possa tornar o percurso mais difícil. Em mais de 30 anos na cabine de comando, ela acompanhou a evolução da automação e do planejamento de navegação, mas sustenta que a comunicação, a experiência humana e a tomada de decisão permanecem centrais para a segurança operacional.

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Juliana Alba e a operação de cargas na Latam Airlines Brasil

Nascida em São Paulo, a comandante Juliana Alba cresceu acompanhando a rotina do pai, Arnaldo Alba, comandante da Latam Cargo. Apesar do contato inicial com a profissão, ela estudou e trabalhou nas áreas de Comércio Exterior e Administração antes de decidir, aos 19 anos, iniciar a formação técnica na aviação civil.

Depois de conquistar as habilitações necessárias e trabalhar como instrutora de voo, Juliana ingressou na Latam Airlines Brasil diretamente na divisão cargueira. Na operação de transporte de insumos e mercadorias, o planejamento de voo exige adaptações conforme a geografia dos aeroportos de destino e a natureza dos produtos embarcados, que incluem itens perecíveis, como frutas, e cargas farmacêuticas, como medicamentos, ambos dependentes de controle estrito de temperatura durante todo o trajeto aéreo.

Entre as missões executadas pela comandante está um voo dedicado exclusivamente ao transporte de cavalos, operação que demandou protocolos específicos para preservar a integridade dos animais. “Na aviação cargueira, precisamos estar sempre preparadas para mudanças. A responsabilidade é grande, principalmente pelas características das cargas que transportamos e pelas particularidades de algumas operações. É um trabalho que exige muita atenção e conhecimento”, declarou Juliana.

Proporção de mulheres pilotos na Latam e média da OACI

Os relatos das duas profissionais expõem o índice de participação feminina em uma área historicamente ocupada por homens. Enquanto Claudine aponta que sua trajetória demonstra que liderança e competência técnica independem de gênero, Juliana afirma esperar a ampliação do acesso de mulheres à formação e à progressão de carreira no segmento cargueiro.

De acordo com os dados operacionais divulgados em 23 de outubro de 2026, a Latam Airlines Brasil conta com 94 mulheres pilotas em um universo total de 2.287 tripulantes técnicos. O percentual de 4,1% registrado na companhia aérea supera em um décimo a média global de 4% de participação feminina na pilotagem comercial, índice calculado pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência especializada das Nações Unidas que regulamenta o transporte aéreo mundial.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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