Câncer de colo de útero apresenta sinais físicos como sangramento fora do ciclo e dores na pelve

10 min de leitura
Gravidez Maternidade Câncer Foto: Dragana Gordic/Shutterstock.com

A infecção persistente por determinados tipos do Papilomavírus Humano (HPV), transmitido sobretudo por via sexual, é a causa principal do câncer de colo de útero. Também denominado câncer cervical, esse tipo de tumor figura entre os mais incidentes na população feminina e representa um risco grave à saúde das mulheres. Apesar de a evolução do quadro infeccioso para a doença maligna ocorrer de maneira lenta e demorar anos, a identificação dos alertas físicos emitidos pelo organismo é decisiva para obter um diagnóstico rápido e viabilizar um tratamento eficaz.

Profissionais médicos orientam a realização periódica de avaliações ginecológicas, a exemplo do exame Papanicolau, procedimento capaz de apontar a existência de lesões pré-cancerígenas antes que elas se transformem em tumores malignos. Quando a doença é descoberta nos estágios iniciais, a probabilidade de cura chega perto de 100%, o que consolida o acesso à informação e o acompanhamento preventivo como as medidas mais efetivas contra o problema. Negligenciar mudanças no corpo, ainda que pareçam discretas, permite a progressão silenciosa da enfermidade.

Diversas manifestações iniciais do tumor cervical guardam semelhança com distúrbios ginecológicos de menor gravidade. Entretanto, a duração prolongada desses indícios ou o surgimento simultâneo de diferentes sintomas exige a busca imediata por assistência médica. Reconhecer os sinais clínicos permite que a paciente acompanhe sua própria condição física e garanta a investigação detalhada de qualquer alteração por um médico habilitado.

Perda de sangue fora do ciclo menstrual e fragilidade do tecido tumoral

A perda de sangue pela vagina em momentos distintos do período menstrual regular constitui um dos indícios mais frequentes e iniciais da doença. Essa alteração clínica se apresenta em situações variadas, abrangendo desde escapes discretos entre um ciclo e outro até sangramentos registrados logo após o ato sexual, depois de uma avaliação ginecológica ou durante a menopausa, fase em que a atividade menstrual já cessou. O volume perdido oscila entre manchas pontuais e fluxos intensos, parecidos com a menstruação habitual, fenômeno decorrente da alta vascularização e da extrema fragilidade do tecido tumoral formado no colo uterino, que se rompe com facilidade diante de qualquer esforço ou contato físico.

Nem todo episódio de sangramento irregular confirma a existência de um processo maligno no organismo, embora funcione como um alerta clínico relevante. Outros quadros médicos provocam perdas sanguíneas atípicas nas mulheres, conforme detalhado a seguir:

  • Desequilíbrios nas taxas hormonais;
  • Formação de miomas ou de pólipos localizados no útero e no canal cervical;
  • Quadros de endometriose;
  • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

A distinção exata entre essas patologias e a confirmação do diagnóstico dependem exclusivamente de uma consulta ginecológica presencial. A apuração conduzida pelo médico descarta ou valida a suspeita clínica, viabilizando o início imediato da terapia indicada para cada paciente.

Mudanças na cor e no cheiro da secreção fisiológica da mulher

O organismo feminino produz naturalmente uma secreção vaginal fisiológica encarregada de preservar a limpeza e a saúde do canal reprodutivo. Em condições normais, esse fluido apresenta coloração transparente ou esbranquiçada, não possui cheiro forte e muda de consistência conforme a fase do ciclo menstrual.

Modificações acentuadas no padrão dessa secreção funcionam como indicativos da necessidade de investigação médica. Nos casos em que há desenvolvimento do câncer no colo uterino, o fluido passa a exibir aspecto mais líquido e tonalidades que variam entre o pálido, o rosado e o marrom, podendo apresentar fios de sangue em razão da infecção e da necrose das células que compõem o tumor.

Outro sinal associado a esse quadro é o surgimento de um cheiro fétido persistente, que não desaparece mesmo após os cuidados normais de higiene íntima. O odor forte resulta de processos infecciosos secundários instalados no próprio tumor, os quais liberam compostos com cheiro desagradável, ocorrendo também, em certas ocasiões, a eliminação de fragmentos de tecido misturados ao fluido vaginal.

Continue lendo: Câncer de colo de útero provoca sangramento vaginal, dor pélvica e alterações urinárias em mulheres

Alterações no cheiro e na aparência da secreção também são provocadas por infecções de origem fúngica, como a candidíase, ou bacteriana, a exemplo da vaginose. Diante dessa semelhança entre os sintomas, o exame feito por um ginecologista é o único meio para descobrir a causa real do distúrbio, definir o tratamento correto e afastar a hipótese de patologias severas.

Desconforto profundo e sangramento provocados pelo contato sexual

A ocorrência de dor durante o ato sexual, condição denominada na medicina como dispareunia, não configura uma reação normal do corpo feminino e atua como um sinal de que o tumor no colo uterino atingiu um estágio um pouco mais avançado. O incômodo físico manifesta-se porque o contato durante a penetração comprime diretamente a massa tumoral instalada na região cervical, cuja estrutura encontra-se sensível, inflamada e propensa a sangrar com o atrito.

A intensidade dessa manifestação clínica varia desde um incômodo discreto até pontadas agudas e profundas sentidas no interior da pelve. Além da relação com processos tumorais, a dispareunia decorre de múltiplos fatores ginecológicos, tais como ressecamento do canal vaginal — frequente após a menopausa —, presença de cistos nos ovários, endometriose, doença inflamatória pélvica ou infecções locais, cabendo ao médico investigar a origem exata do problema para proporcionar alívio à paciente.

Compressão de nervos e vasos sanguíneos na região da pelve e das costas

Quadros de dor contínua instalados na base das costas, correspondente à região lombar, ou na pelve, área situada entre os ossos do quadril, exigem acompanhamento médico quando não têm vínculo com o ciclo menstrual. É comum que pacientes deixem de procurar auxílio por associarem o incômodo a cólicas comuns, desgaste físico ou problemas de postura.

Nos diagnósticos de câncer cervical, a manifestação dolorosa aponta que a massa tumoral aumentou de tamanho e passou a pressionar vasos sanguíneos, estruturas nervosas e órgãos vizinhos alojados na base da coluna vertebral e na cavidade pélvica. O sintoma mantém-se de forma ininterrupta, apresenta graus variados de força e pode se espalhar em direção aos membros inferiores.

Por ser um indício característico de fases mais adiantadas da enfermidade, dores crônicas sem justificativa clara não devem ser ignoradas pela mulher. Durante a avaliação clínica, o profissional de saúde solicita exames de imagem específicos para observar o interior da pelve e verificar a existência de massas ou de bloqueios físicos que expliquem a dor.

Risco de bloqueio renal e outros reflexos do tumor sobre a bexiga

A proximidade anatômica entre o colo uterino, a bexiga e os ureteres — canais encarregados de conduzir a urina produzida nos rins até a bexiga — faz com que a evolução do tumor afete diretamente o aparelho urinário. À medida que cresce, a massa pressiona a parede da bexiga e provoca tanto a sensação de urgência miccional quanto o aumento na frequência de idas ao banheiro, mesmo quando o órgão está vazio. Algumas pacientes relatam ardência ou dor no momento de urinar, quadro que se assemelha aos sinais de uma infecção do trato urinário (ITU), além da possibilidade de surgir sangue misturado à urina, condição chamada de hematúria e que demanda apuração médica imediata.

Saiba mais: Câncer de colo de útero exige atenção a sangramentos fora do ciclo, dores pélvicas e alterações urinárias

Nas etapas avançadas da doença, a expansão do tumor pode bloquear parcial ou totalmente um ou os dois ureteres, impedindo o escoamento normal do líquido vindo dos rins. Essa retenção provoca um inchaço nos rins conhecido como hidronefrose e, na ausência de intervenção terapêutica, acarreta a perda da capacidade funcional do órgão, podendo ocorrer ainda a perda involuntária de urina, ou incontinência, caso o crescimento tumoral atinja os nervos que regulam o esfíncter vesical.

Pressão sobre o reto e dificuldades para o esvaziamento intestinal

A curta distância em relação ao colo do útero também expõe o aparelho digestivo às consequências do avanço tumoral na região pélvica. Quando o tumor cervical atinge um volume acentuado, ele comprime o reto, segmento final do intestino grosso, e modifica a rotina de evacuação da paciente. Os reflexos clínicos dessa compressão abrangem quadros de prisão de ventre crônica, dor durante a passagem das fezes e a percepção contínua de esvaziamento incompleto do intestino logo após o uso do banheiro.

Obstrução dos gânglios linfáticos e acúmulo de líquidos em apenas uma perna

O surgimento de dor associada a um inchaço restrito a uma única perna, caracterizado como edema unilateral, aponta habitualmente para um estágio avançado de evolução do câncer cervical. Denominado linfedema, esse distúrbio instala-se quando as células malignas se disseminam e alcançam os gânglios linfáticos situados na cavidade pélvica, estruturas que integram o sistema imunológico e realizam a drenagem dos líquidos vindos das pernas.

Com o bloqueio desses gânglios pelas células do tumor, a linfa perde a capacidade de circular livremente pelo organismo e fica retida no membro inferior, gerando dor local, sensação de peso e aumento de volume. Paralelamente, a pressão exercida pela massa tumoral sobre as veias da pelve prejudica o retorno da circulação sanguínea, fator que agrava o inchaço na perna e eleva o risco de desenvolvimento de trombose venosa profunda.

Fatores metabólicos ligados ao emagrecimento rápido e à falta de apetite

O emagrecimento acentuado que ocorre sem planejamento e sem causa aparente, sobretudo quando vem acompanhado de cansaço contínuo e de falta de apetite, constitui um sinal clínico observado em diferentes variedades de câncer, entre eles o tumor de colo uterino. Conhecido no meio médico pelo termo caquexia, esse processo resulta de transformações profundas no metabolismo provocadas pela presença da doença no organismo.

Para tentar conter o avanço tumoral, o corpo eleva seu gasto diário de energia, ao mesmo tempo em que o sistema de defesa passa a liberar substâncias de ação inflamatória chamadas citocinas, as quais inibem a vontade de comer e aceleram o consumo das reservas de gordura e de tecido muscular. Diante de uma queda expressiva no peso corporal sem alterações prévias na alimentação ou na prática de atividades físicas, a recomendação é buscar uma consulta médica para identificar a origem do problema.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas