O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia no país, decidiram manter o horário de verão suspenso durante o ciclo 2026/2027. Desativada desde 2019, a alteração nos relógios permanece descartada pelo governo federal diante da estabilidade no suprimento elétrico nacional. Avaliações técnicas fundamentaram a escolha ao apontarem a baixa efetividade prática do adiantamento de uma hora no cenário energético vigente. Com a medida, a população preserva a rotina habitual sem a necessidade de ajustes sazonais nos cronogramas diários.
Levantamentos conduzidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico demonstram que o pico de demanda por eletricidade migrou do período noturno para as tardes de calor intenso, o que reduz os ganhos antes obtidos com a mudança nos ponteiros. Os reservatórios das usinas hidrelétricas operam em níveis acima do esperado e asseguram o abastecimento. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que o retorno do mecanismo só ocorreria sob condição de crise hídrica severa.
A manutenção do horário padrão decorre de transformações estruturais no perfil de uso da rede elétrica:
- Elevação das temperaturas médias e mudanças climáticas modificaram os horários de maior exigência do sistema.
- Expansão do uso de aparelhos de ar-condicionado concentrou a carga máxima de energia no período da tarde.
- Disseminação de equipamentos eficientes, como as lâmpadas de tecnologia LED, reduziu o peso da iluminação noturna na conta de luz.
Decreto de 1931 iniciou o adiantamento dos relógios no país
A criação do mecanismo no território nacional data de 1º de outubro de 1931, quando o então presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto nº 20.466 para aproveitar melhor a luminosidade natural e conter o gasto de eletricidade, com primeira vigência entre 3 de outubro de 1931 e 31 de março de 1932. Após décadas de adoção intercalada, a regra passou a vigorar de maneira contínua a partir de 1985 nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O ciclo anual foi encerrado em 2019 por decreto do então presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, relatórios técnicos do governo indicaram que a alteração nos relógios proporcionava uma economia inferior a 0,5% do consumo total de energia do país.
Estabilidade nos reservatórios e tramitação de projeto no Congresso
Relatórios do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado que acompanha a continuidade e a segurança do suprimento eletroenergético, apontam a resistência da matriz nacional. Mesmo diante de recordes de calor registrados desde o início das medições históricas em 1961, os aportes em linhas de transmissão e em sistemas de armazenamento por baterias sustentam a operação da rede.
A realização de leilões para contratação de usinas termelétricas e a preservação dos recursos hídricos reforçam a capacidade do Sistema Interligado Nacional. Análises do setor elétrico indicam ainda que o adiantamento dos relógios poderia elevar a sobrecarga das linhas de distribuição durante o pico vespertino. No âmbito legislativo, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou em outubro de 2025 uma proposta que veda a retomada do horário diferenciado de forma permanente, salvo em situações de emergência, enviando o texto ao Senado Federal.
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Funcionamento de empresas, aviação e transporte público
A ausência de alteração nos ponteiros mantém os turnos de trabalho fixos durante todos os meses do ano. Estabelecimentos comerciais e repartições públicas executam seus planejamentos anuais sem quebras de calendário, fator que preserva a regularidade das operações de atendimento e distribuição.
Na aviação civil, segmento que necessita de seis meses de antecedência para readequar malhas de voos e conexões internacionais, a decisão evita custos operacionais de reprogramação. As redes de transporte público urbano também conservam suas tabelas de horários inalteradas para os passageiros.
Adaptação do comércio, turismo e geração renovável
Redes varejistas organizam o atendimento conforme o fluxo regular de consumidores, sem depender da extensão artificial da luz do dia no início da noite. Em municípios litorâneos, as atividades turísticas permanecem concentradas na faixa diurna padrão.
No setor produtivo, companhias de eletricidade ampliam a captação por fontes solar e eólica para atender ao crescimento da demanda sem recorrer a alterações de fuso. O alinhamento contínuo dos relógios reflete de modo direto na cadeia produtiva:
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- Comércio mantém a abertura e o fechamento das lojas dentro do padrão anual.
- Logística opera rotas de entrega interestaduais sem divergências temporárias de fuso interno.
- Agricultura executa cronogramas de colheita noturna e escoamento de safra sem reajustes de turno.
Dados da OMS sobre sono e alinhamento com a América do Sul
A troca brusca de horário provoca alterações no ciclo do sono, com maior incidência sobre crianças e idosos, além de registros médicos associados a distúrbios cardiovasculares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a transição sazonal desencadeia o chamado jet lag social, condição em que o relógio biológico entra em descompasso com os compromissos sociais.
Levantamentos realizados em 2017 apontaram que mais de 50% da população relatava desconforto físico nos dias posteriores à mudança dos ponteiros. A preservação do horário regular evita oscilações nos ritmos circadianos e reduz faltas em unidades escolares e serviços de saúde. Com a manutenção da regra, o país segue a mesma diretriz de vizinhos sul-americanos como Argentina e Chile, que também encerraram as mudanças sazonais de horário.
Previsão do Plano de Operação Energética até 2029
O Ministério de Minas e Energia mantém a previsão de avaliações anuais conduzidas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para verificar as condições hidrológicas. Apenas eventos de estiagem severa motivariam uma nova análise sobre o tema pelo governo federal.
Obras de infraestrutura entregues até o encerramento de 2025, incluindo quatro novas linhas de transmissão, ampliaram a margem de segurança para o escoamento de eletricidade entre as regiões. O sistema nacional conta com equilíbrio estrutural projetado até 2029, sem exigência de medidas sazonais de contenção de demanda.
