O atacante Neymar abriu mão de cerca de 100 milhões de euros na janela de transferências de 2013 ao recusar o Real Madrid para assinar contrato com o Barcelona. A proposta financeira apresentada pela diretoria madrilenha superava com folga os valores oferecidos pelo rival da Catalunha, mas o jogador priorizou a meta pessoal que cultivava desde a infância. O fator determinante para a assinatura do vínculo foi a oportunidade de dividir o campo com o atacante argentino Lionel Messi.
As movimentações do clube da capital espanhola para contratar o atleta começaram quando ele ainda integrava o elenco profissional do Santos. Em 2011, a cúpula do Real Madrid formalizou a primeira tentativa oficial para levá-lo à Europa, mas o atacante optou por seguir na equipe do litoral paulista naquela temporada. Dois anos depois, já valorizado no mercado internacional, o jogador voltou a ser alvo de uma nova investida madrilenha que deixou o acordo muito próximo de ser concretizado.
Na negociação conduzida em 2013, o brasileiro chegou a cumprir a etapa de exames médicos a pedido do departamento de futebol do Real Madrid. Mesmo com o trâmite adiantado, o atleta mudou de posição nos momentos finais da conversa e escolheu transferir-se para o Barcelona. A decisão de descartar um pacote salarial e contratual tão superior causou espanto nos bastidores do futebol, onde dirigentes e analistas questionavam a renúncia financeira feita por um atleta que apenas iniciava sua caminhada no continente europeu.
Intermediação de André Cury e o peso do projeto esportivo com Lionel Messi
Um dos intermediários diretos da operação na época, o empresário André Cury afirmou que a decisão do atacante foi pautada pelo plano de seguir os passos de ídolos que admirava na modalidade. De acordo com o relato do agente, a superioridade numérica da oferta madrilenha não teve força suficiente para mudar o roteiro esportivo traçado pelo jogador. A identificação prévia com o estilo de jogo do Barcelona e a chance real de formar dupla ofensiva com Lionel Messi superaram as cifras colocadas na mesa pelo clube adversário.
Segundo o detalhamento feito por André Cury, a escolha de vestir a camisa da equipe catalã representou uma renúncia direta de aproximadamente 100 milhões de euros nos ganhos do atleta. Enquanto a diretoria do Real Madrid absorvia o golpe de perder um dos principais alvos do mercado daquela década, a gestão do Barcelona comemorava a concretização da transferência. Em um setor profissional no qual o maior valor costuma ditar o rumo dos contratos, a atitude do atacante destacou-se pela preferência dada ao projeto dentro de campo.
Conquista da Liga dos Campeões e reação às críticas sobre a carreira
A passagem pela equipe da Catalunha firmou o camisa 11 na elite do futebol mundial durante o período em que atuou na Espanha. Ao lado de Lionel Messi e de outras peças titulares do elenco, o jogador integrou um ciclo de conquistas de primeiro escalão da instituição, que incluiu o troféu da Liga dos Campeões da Europa. O caminho tomado em 2013 também evitou que o atleta passasse a defender justamente o principal adversário histórico do clube pelo qual nutria simpatia.
Os elementos que definiram a saída do jogador do Santos para o futebol espanhol envolvem datas, cifras e personagens específicos da operação:
- Primeira proposta oficial do Real Madrid ao Santos: 2011
- Conclusão da transferência para o futebol da Espanha: 2013
- Vantagem financeira da oferta do Real Madrid: cerca de 100 milhões de euros
- Procedimento realizado antes da recusa ao clube de Madri: bateria de exames médicos
- Destino definido pelo jogador na Europa: Barcelona
- Companheiro de elenco que motivou a transferência: Lionel Messi
- Agente responsável por detalhar os bastidores do acordo: André Cury
- Principal torneio continental conquistado na passagem: Liga dos Campeões da Europa
Apesar do rendimento apresentado nos gramados espanhóis e dos títulos somados no período, a trajetória do atacante continuou recebendo contestações de parte da crítica esportiva ao longo do tempo. Analistas contrários à escolha feita em 2013 defendiam o argumento de que o jogador teria atingido um nível superior de projeção e premiações individuais se tivesse aceitado a proposta do Real Madrid naquela ocasião.
Para responder a essas leituras negativas sobre o percurso do atleta, André Cury ressaltou que o debate público costuma ignorar o tamanho da quantia que o jogador deixou para trás no começo de sua experiência na Europa. “Ninguém fala das coisas boas do menino, só pancada”, disse o empresário, ao comentar o volume de cobranças dirigidas a Neymar desde o início de sua carreira profissional.
