Territory e Yellowstone colocam famílias Dutton e Lawson em guerra pelo controle de terras rurais

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territory - Foto: Divulgação NetFlix Foto: Territory - Foto: Divulgação Netflix

Disputas pelo domínio de grandes propriedades rurais e crises de sucessão familiar formam a base dramática que aproxima a produção norte-americana Yellowstone da série australiana Territory. Lançada em outubro de 2024, a obra gravada na Oceania surgiu no mercado televisivo com a proposta de alcançar o público global por meio de temáticas consagradas pela antecessora dos Estados Unidos. Apesar de compartilharem o foco na luta pelo poder e na preservação de patrimônios agrários, as duas narrativas se desenvolvem em ecossistemas e realidades culturais distintos, opondo o interior do estado de Montana à vastidão árida do outback da Austrália.

As diferenças geográficas entre o estado de Montana e o Parque Nacional Kakadu

A trama de Yellowstone tem como palco principal o estado norte-americano de Montana, onde se localiza o Rancho Yellowstone. A propriedade pertence ao clã Dutton, grupo que precisa defender suas fronteiras contra o avanço de construtoras e desenvolvedores imobiliários, além de lidar com reivindicações de grupos indígenas sobre a posse da área. Nessa produção, o relevo montanhoso e a paisagem campestre funcionam como elementos ativos da história, representando a resistência dos proprietários pelo controle de grandes extensões rurais nos Estados Unidos.

Na outra ponta geográfica, a narrativa de Territory é ambientada na região do Northern Territory, no interior da Austrália. O foco recai sobre a remota Estação Marianne, descrita na trama como a maior fazenda de criação de gado do planeta. O terreno árido e o isolamento extremo do outback impõem condições severas aos personagens. As gravações utilizam cenários reais como o Parque Nacional Kakadu, área reconhecida como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o que insere na fotografia da obra uma ligação direta com a história dos povos originários locais.

O apelo visual marca a identidade das duas produções televisivas por meio do contraste climático e topográfico. Enquanto a série norte-americana preenche a tela com vales verdes e montanhas frias, a obra australiana explora planícies secas e avermelhadas para ilustrar a mesma corrida pelo comando da terra.

A crise de herança nos clãs Dutton e Lawson

O motor central de ambos os roteiros reside na definição de quem herdará o comando de impérios agropecuários familiares. Na produção dos Estados Unidos, o patriarca John Dutton lidera a defesa da propriedade contra investidas externas enquanto tenta conter rachaduras dentro da própria casa. O relacionamento instável entre os filhos do fazendeiro, que divergem sobre o modelo de gestão e o futuro do negócio, alimenta a tensão contínua dos episódios.

Na versão ambientada na Oceania, o núcleo dramático acompanha a família disfuncional dos Lawsons. A crise se instala quando a Estação Marianne fica sem um sucessor definido, abrindo espaço para a interferência de grupos rivais interessados no espólio, lista que inclui barões da pecuária, criminosos do deserto e empresários bilionários. Dentro da própria residência, o choque de gerações expõe a fragilidade de Graham Lawson, possível herdeiro que enfrenta problemas pessoais e atritos diretos com o pai e os irmãos sob os costumes do meio rural australiano.

Elenco reúne Kevin Costner, Robert Taylor e Anna Torv nos papéis centrais

A condução da história em Yellowstone apoia-se na presença do ator Kevin Costner, intérprete do patriarca John Dutton. A postura de comando do personagem determina o ritmo das ações e centraliza as decisões do rancho, enquanto as ambições individuais de seus filhos formam as subtramas de lealdade e traição que movimentam a família.

No comando da fazenda de Territory está o personagem Colin Lawson, vivido pelo ator Robert Taylor, que assume uma posição de autoridade equivalente à de John Dutton na condução da maior propriedade de gado australiana. O fazendeiro, contudo, lida com um vazio imediato causado pela morte de seu filho Daniel, fato que desencadeia a dúvida sobre o futuro da Estação Marianne. A disputa pelo poder na produção conta ainda com os trabalhos da atriz Anna Torv, no papel de Emily Lawson, e do ator Michael Dorman, que dá vida a Graham Lawson.

  • Yellowstone: protagonizada por Kevin Costner (John Dutton), com ambientação no estado de Montana, nos Estados Unidos, e temporadas de 10 ou mais episódios.
  • Territory: estrelada por Robert Taylor (Colin Lawson), Anna Torv (Emily Lawson), Michael Dorman (Graham Lawson) e Hamilton Morris, gravada no Northern Territory, na Austrália, com 6 episódios no primeiro ano.
  • Derivados da franquia americana: produções 1883 e 1923, dedicadas ao passado da família Dutton.

O espaço das populações indígenas na disputa pelas terras

A abordagem das populações nativas apresenta pesos distintos na estrutura de cada roteiro. Em Yellowstone, os embates entre os integrantes da família Dutton e as tribos indígenas vizinhas aparecem como parte das disputas jurídicas e políticas pelos direitos sobre territórios ancestrais em Montana, compondo uma das frentes de oposição ao rancho principal.

Veja também: Yellowstone volta com novos episódios e aprofunda disputa pelo legado Dutton

Já a produção australiana coloca os povos originários no centro da engrenagem narrativa. O roteiro inclui lideranças indígenas, a exemplo do personagem interpretado pelo ator Hamilton Morris, como peças diretas nas negociações e nos confrontos pela posse territorial. A trama aprofunda o histórico de atritos entre os descendentes de colonos e as nações originárias da Austrália, tratando de temas de soberania e direito ancestral sob a ótica específica da formação social daquele país.

Diferenças na quantidade de episódios e criação de séries derivadas

Estilisticamente, as duas obras pertencem ao gênero neo-ocidental, caracterizado pela atualização das histórias clássicas de faroeste para o mundo contemporâneo. Na televisão norte-americana, Yellowstone segue o modelo tradicional de longa duração, estruturando suas temporadas com 10 episódios ou mais. Esse formato amplo permitiu que o universo da série se expandisse para outras produções derivadas, caso de 1883 e 1923, que recuam no tempo para mostrar como as gerações passadas dos Duttons conquistaram e mantiveram suas terras.

Em contrapartida, Territory adota uma estrutura mais curta em sua temporada de abertura, composta por seis episódios. O número reduzido de capítulos concentra o desenvolvimento dos conflitos familiares e das disputas pela Estação Marianne em um ritmo mais acelerado, dispensando o prolongamento de tramas secundárias comum às produções de temporadas extensas.

Alcance de público e posicionamento no mercado de televisão

Consolidada na programação televisiva contemporânea, a série estrelada por Kevin Costner construiu uma base de audiência amparada na mistura entre conflito agrário, intriga doméstica e retratos da vida no oeste dos Estados Unidos. O resultado comercial da obra abriu caminho para que o formato de disputas rurais voltasse a atrair investimentos da indústria do entretenimento.

Classificada no meio televisivo como a resposta da Austrália ao sucesso de Yellowstone, a série Territory utiliza seu elenco conhecido e as locações no Parque Nacional Kakadu para buscar espaço próprio junto aos espectadores internacionais. Desde a estreia registrada em 25 de outubro de 2024, a produção aposta na combinação entre a cultura do outback e o protagonismo das questões indígenas para se diferenciar da obra norte-americana dentro do mesmo gênero dramático.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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