O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou neste domingo (25) uma taxa de abstenção de cerca de 19,21% no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O índice representa uma queda de aproximadamente 1,87 ponto percentual em relação aos 21,08% contabilizados na primeira etapa da votação e marca a menor ausência para um segundo turno presidencial no Brasil desde o pleito de 2006.
Com 99,89% das seções eleitorais totalizadas, o percentual de eleitores que deixaram de ir às urnas ficou em 19,21%, oscilando para 19,22% quando a apuração atingiu 99,98% das urnas, o equivalente a uma redução de 1,86 ponto percentual sobre a primeira rodada. Após a votação inicial em 4 de outubro de 2026, o ministro e presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia comentado o volume de ausências em entrevista coletiva. “Não é o ideal uma abstenção de 20%”, afirmou Nunes Marques na ocasião.
Comparecimento nas eleições de 2026 supera 128,1 milhões de eleitores
Dos 158,7 milhões de cidadãos brasileiros aptos a votar no pleito de 2026, mais de 128,1 milhões compareceram às seções eleitorais neste domingo (25) para escolher entre o presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, o total exato de eleitores que não compareceram às urnas chegou a 33.469.244 pessoas, cerca de 33,4 milhões de ausentes.
A diminuição percentual registrada na segunda rodada ocorreu após iniciativas de incentivo ao voto promovidas pela Justiça Eleitoral e campanhas de mobilização do PT. A redução da ausência de eleitores foi definida como uma das prioridades da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que buscou convencer pessoas que não haviam comparecido na primeira etapa a irem às urnas na votação decisiva, incluindo a mobilização de famílias para transportar eleitores idosos até os locais de votação.
Apesar das ações direcionadas pelas campanhas e pelos órgãos oficiais entre as duas datas de votação, os números nacionais consolidados pela Justiça Eleitoral de forma isolada não permitem determinar quantos cidadãos decidiram comparecer às seções por influência direta da mobilização partidária, nem apontar qual dos dois candidatos à Presidência da República foi mais beneficiado pelo aumento da participação do eleitorado no segundo turno.
Mobilização no 2º turno de 2026 contraria tendência desde a redemocratização
O recuo na taxa de ausência entre as duas etapas da disputa presidencial ocorreu pela segunda eleição consecutiva no país, repetindo o movimento observado no pleito de 2022 e contrariando o comportamento histórico registrado na maior parte das votações desde a redemocratização. Antes de 2022, a proporção de eleitores que deixavam de votar havia subido entre o primeiro e o segundo turno em seis das sete eleições presidenciais anteriores a 2026, enquanto o índice de 21,08% verificado na primeira rodada de 2026 havia sido o mais alto para uma etapa inicial de eleição geral desde 1998.
- 1998 — O primeiro turno da eleição geral registrou taxa de abstenção de 21,49%, patamar inicial mais elevado antes da marca de 21,08% em 2026.
- 2006 — O segundo turno da disputa presidencial teve abstenção de 18,99%, menor índice para uma segunda rodada antes do pleito de 2026.
- 2010 — O percentual de eleitores ausentes subiu de 18,12% no primeiro turno para 21,5% na votação de segundo turno.
- 2014 — A taxa de ausência avançou de 19,39% na primeira etapa para 21,1% na segunda rodada presidencial.
- 2018 — O índice de abstenção cresceu de 20,33% no primeiro turno para 21,3% na etapa decisiva.
- 2022 — A ausência recuou de 20,95% na primeira rodada para 20,58% (ou 20,59%) no segundo turno.
- 4 de outubro de 2026 — O primeiro turno presidencial contabilizou 21,08% de abstenção, com 33.469.244 eleitores ausentes.
- 25 de outubro de 2026 — O segundo turno registrou queda da abstenção para 19,21% (com 99,89% das urnas apuradas) e 19,22% (com 99,98% das urnas apuradas).
Prazo de 60 dias no TSE para justificar ausência no segundo turno
Os cidadãos aptos que não compareceram às urnas neste domingo, 25 de outubro de 2026, têm o prazo de até 60 dias para apresentar a justificativa eleitoral à Justiça Eleitoral. O procedimento pode ser realizado pela internet, por meio do aplicativo e-Título — plataforma digital da Justiça Eleitoral que funciona como versão eletrônica do título de eleitor e reúne serviços de regularização — ou diretamente pelo portal oficial do TSE.
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Cada turno de votação é contabilizado de maneira independente pela Justiça Eleitoral para fins de comprovação de comparecimento. O eleitor que não votar e deixar de justificar a falta dentro do limite de 60 dias fica sujeito ao pagamento de multa e a restrições legais, que incluem o impedimento para emitir passaporte ou carteira de identidade e a proibição de tomar posse em cargo ou função pública.
