Foguete Longa Marcha 6A forma água-viva espacial na China

Foguete Longa Marcha 6A - Reprodução/Rede Social

Foguete Longa Marcha 6A - Reprodução/Rede Social

A decolagem do foguete chinês Longa Marcha 6A formou um efeito luminoso conhecido como “água-viva espacial” no céu da província de Shanxi, no norte da China, na última sexta-feira (23). A missão partiu do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan e colocou com sucesso o satélite de sensoriamento remoto Yaogan-50 03 em órbita terrestre baixa.

Os vídeos e fotografias da nuvem brilhante com filamentos estendidos pelo céu ganharam repercussão nesta segunda-feira (26), após serem compartilhados em redes sociais por observadores em solo e passageiros de avião que passavam pela região. Segundo comunicado oficial divulgado pela agência estatal chinesa Xinhua, “o satélite será usado principalmente para levantamento de recursos terrestres, estimativa de safra agrícola e prevenção e mitigação de desastres”, em tradução livre.

Como o foguete Longa Marcha 6A formou a água-viva espacial no céu

O fenômeno óptico registrado durante a subida do Longa Marcha 6A resulta da interação física entre os gases expelidos pelos motores do veículo lançador e a luz do Sol. Como o disparo ocorreu no início da noite local, a superfície na região de Taiyuan já estava no escuro, mas o foguete rapidamente atingiu grandes altitudes onde a incidência solar ainda era direta.

Saiba mais: Novo Toyota Corolla terá versão 100% elétrica feita na China em 2028

Ao chegar às camadas mais altas e rarefeitas da atmosfera, a pluma de exaustão do foguete se expande de forma acentuada devido à baixa pressão do ar. Quando a luz solar atinge essas partículas de gás expandidas em alta altitude, toda a estrutura reflete o brilho contra o fundo escuro do céu noturno, desenhando uma silhueta que lembra o corpo e os tentáculos de uma água-viva.

A formação e a visibilidade desse rastro dependem da combinação exata entre o horário do lançamento, a altitude alcançada pelo veículo e o ângulo de quem observa a partir da Terra. Por exigir essas condições específicas de iluminação crepuscular, o efeito não se repete em todas as missões espaciais, mas quando ocorre pode ser avistado a longas distâncias do ponto de partida.

Confira também: Menina na China fica presa em grade de janela do 12º andar e é resgatada por vizinhos e bombeiros

Horário, local e dados técnicos da missão do Longa Marcha 6A

A operação aeroespacial cumpriu o cronograma previsto pelas autoridades chinesas para o envio do equipamento de observação, identificado também pela designação Yaogan 50C, à sua órbita planejada. Os parâmetros operacionais e estruturais confirmados da missão reúnem os seguintes dados:

  • Data do lançamento: 23 de outubro de 2026
  • Horário da decolagem: 18h15 no horário local de Pequim (07h15 pelo horário de Brasília e 10h15 no Tempo Universal Coordenado, o UTC)
  • Local de partida: Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na província de Shanxi, norte da China
  • Veículo lançador: Longa Marcha 6A, versão modificada do foguete Longa Marcha 6 equipada com 4 propulsores auxiliares de combustível sólido
  • Dimensões do foguete: 50 metros de altura na configuração padrão, podendo alcançar 52 metros com a utilização de coifa estendida
  • Fabricação e desenvolvimento: projetado pela Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) e fabricado pela Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai (SAST)
  • Carga útil e destino: satélite Yaogan-50 03, posicionado em órbita terrestre baixa

Finalidade do satélite Yaogan-50 03 e histórico da família Longa Marcha

O envio do Yaogan-50 03 representou a 672ª missão da família de foguetes Longa Marcha, que constitui o principal programa de lançadores espaciais da China. Para o modelo específico Longa Marcha 6A, cujo voo de estreia ocorreu em 29 de março de 2022, a decolagem em Taiyuan marcou o 28º lançamento bem-sucedido acumulado pela aeronave.

O equipamento colocado no espaço dá sequência à expansão da rede Yaogan-50 no ano de 2026. Antes da operação realizada em outubro, o programa espacial chinês já havia lançado outros dois satélites dessa mesma série nos meses de janeiro e março de 2026, ambos direcionados para órbitas retrógradas de baixa altitude.

Veja também: Doença de Newcastle leva China e Chile a barrarem aves de SC enquanto México suspende todo o Brasil

Sobre a destinação prática do satélite, há diferenças de classificação entre o governo chinês e analistas externos. Enquanto a estatal CASC e a agência oficial Xinhua informam que o Yaogan-50 03 atua em pesquisas de solo, previsão de colheitas e apoio contra desastres naturais, registros aeroespaciais independentes apontam que a série Yaogan atende a propósitos governamentais e militares, com informações públicas limitadas sobre a sua real operação. Até o momento, as especificações técnicas detalhadas dos sensores a bordo do satélite Yaogan-50 03 não foram divulgadas pelas autoridades responsáveis pela missão.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.