O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê que o salário mínimo nacional suba dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 a partir de 1º de janeiro de 2027. Enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional, em Brasília, o texto estabelece um aumento nominal de R$ 120 por mês, o que representa um reajuste de 7,4% sobre o piso vigente em 2026.
O novo valor passa a valer no primeiro dia do ano, com efeito direto no pagamento que o trabalhador recebe no mês de fevereiro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta preserva a vinculação dos pagamentos previdenciários e assistenciais à variação do piso nacional. “O reajuste está dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a previdência e benefícios sociais com anexação ao salário mínimo“, disse o ministro.
Cálculo do salário mínimo combina inflação do INPC e PIB de 2025
A metodologia aplicada pela equipe econômica do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para projetar o piso salarial de R$ 1.741 soma dois indicadores distintos: a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada em 12 meses até novembro de 2026, e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) de dois anos antes, referente ao resultado consolidado de 2025. No texto orçamentário entregue ao Legislativo, o governo considerou uma estimativa de INPC de 4,93% para o período de referência e aplicou a expansão de 2,3% registrada pelo PIB de 2025.
A aplicação integral do resultado do PIB de 2025 ocorreu porque o índice ficou abaixo do teto de valorização permitido pelas regras das contas públicas. O arcabouço fiscal, mecanismo que controla o avanço das despesas da União, estabelece um limite máximo anual de 2,5% de ganho real (aumento acima da inflação) para o salário mínimo, independentemente de uma expansão econômica maior.
Aposentadorias do INSS, BPC e pagamentos afetados pelo piso de R$ 1.741
A alteração do piso salarial para R$ 1.741 corrige automaticamente a remuneração de todos os trabalhadores formais que recebem o salário mínimo nacional e altera as faixas de diversos pagamentos federais a partir de janeiro de 2027. O ministro Dario Durigan descartou a desindexação dos benefícios previdenciários e sociais na peça orçamentária, garantindo o repasse integral de 7,4% para quem recebe o piso.
A atualização da base de cálculo atinge diretamente os seguintes grupos e modalidades de pagamento e contribuição no país:
- Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o equivalente a um salário mínimo mensal têm o benefício reajustado automaticamente para R$ 1.741.
- Segurados do INSS com renda mensal superior ao piso nacional recebem reajuste calculado apenas pela variação do INPC acumulado, sem a incorporação do crescimento real do PIB de 2,3%.
- Inscritos no Benefício de Prestação Continuada (BPC, auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) passam a receber a nova quantia integral de R$ 1.741.
- Trabalhadores com direito ao abono salarial do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e às parcelas do seguro-desemprego têm os valores recalculados conforme o novo piso.
- Profissionais registrados como Microempreendedor Individual (MEI) passam a recolher a contribuição previdenciária mensal calculada sobre o novo valor de referência.
Revisão no Orçamento de 2027 elevou projeção do salário mínimo em R$ 24
Antes de chegar à estimativa de R$ 1.741 enviada ao Congresso no fim de agosto de 2026, a equipe econômica trabalhava com um valor menor para o próximo ano. Em abril de 2026, quando apresentou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO, texto que orienta a elaboração do Orçamento anual), o governo federal havia calculado que o salário mínimo de 2027 seria de R$ 1.717. A revisão técnica atualizou as projeções de inflação do período e adicionou R$ 24 à estimativa mensal do piso nacional, dando sequência à trajetória de alta iniciada na passagem de 2025 para 2026, quando a remuneração básica subiu de R$ 1.518 para os atuais R$ 1.621.
A evolução dos valores e as etapas de tramitação da proposta orçamentária seguiram o calendário oficial entre 2025 e 2027:
- 2025 — O salário mínimo nacional vigorou no valor mensal de R$ 1.518.
- 1º de janeiro de 2026 — O piso salarial em vigor passou para R$ 1.621 mensais.
- 15 de abril de 2026 — O governo federal apresentou o PLDO de 2027 ao Congresso Nacional com a previsão inicial de salário mínimo a R$ 1.717.
- 24 de agosto de 2026 — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou antecipadamente que a projeção oficial subiria para R$ 1.741.
- 31 de agosto de 2026 — O Poder Executivo enviou o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 ao Congresso com o valor revisado de R$ 1.741.
- 1º de janeiro de 2027 — Data de início da vigência do novo salário mínimo nacional, com reflexo no pagamento recebido pelo trabalhador em fevereiro.
Valor definitivo do salário mínimo de 2027 sai em dezembro após dado do IBGE
O montante de R$ 1.741 previsto na proposta orçamentária ainda é uma estimativa e o valor definitivo do salário mínimo para 2027 permanece sem confirmação oficial até o fim do ano. O número exato só será fechado no início de dezembro de 2026, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar a taxa efetiva do INPC acumulado entre dezembro de 2025 e novembro de 2026.
Caso o índice real de inflação apurado pelo IBGE seja diferente da projeção de 4,93% utilizada no projeto de agosto, o valor do piso sofrerá alteração. Após a publicação do indicador oficial em dezembro de 2026, o governo federal enviará uma mensagem modificativa ao Congresso Nacional para atualizar a peça orçamentária e oficializará o salário mínimo de 2027 por meio de decreto presidencial ainda no mês de dezembro.
