Cerca de 50 milhões de clientes da Vivo passam a contar nesta segunda-feira (26) com o serviço Vivo Satélite, lançado em parceria com a Starlink Mobile, divisão da SpaceX controlada pelo empresário Elon Musk. A tecnologia conecta celulares comuns diretamente a satélites de órbita baixa quando o usuário entra em áreas sem cobertura de antenas terrestres no Brasil.
A solução funciona como complemento à rede móvel terrestre da operadora, que atualmente cobre 98% da população brasileira. Segundo comunicado divulgado pela Starlink na data do anúncio nacional, 7 milhões de aparelhos já estavam conectados à malha espacial no país. “Com o Vivo Satélite, os clientes da Vivo passam a ter sinal onde quer que estejam: em rodovias, áreas rurais, remotas ou regiões de difícil acesso ainda não atendidas por infraestrutura terrestre”, afirmou Alex Salgado, COO (diretor de operações) da Vivo.
Planos elegíveis, prazos e regras do Vivo Satélite
O acesso inicial ocorre por meio de uma oferta promocional com período de gratuidade determinado pelo perfil do assinante. Durante o uso da rede espacial, o envio e o recebimento de mensagens de texto, áudios e localização não descontam dados da franquia mensal contratada pelo consumidor. Para terminais M2M, voltados à comunicação entre máquinas, a operadora disponibiliza pacotes específicos.
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- Data de lançamento oficial: 26 de outubro de 2026
- Público elegível: clientes dos planos Pós-pago, Controle, Vivo Total, Lite elegíveis e Pré-pago
- Exigência para o Pré-pago: recargas superiores a R$ 30
- Gratuidade para pessoa física: 12 meses
- Gratuidade para clientes empresariais: 3 meses
- Prazo da autorização experimental na Anatel: até domingo, 22 de abril de 2029
Aplicativos liberados e requisitos técnicos no celular com a Starlink
Na primeira geração do Vivo Satélite, o tráfego de dados prioriza ferramentas de comunicação e geolocalização. O sistema libera chamadas de voz, textos, áudios e compartilhamento de localização no WhatsApp, além do funcionamento de SMS, RCS (padrão de mensagens avançadas), iMessage, Google Mensagens, Google Maps, Apple Maps e do aplicativo oficial da Vivo. Recursos que exigem alta largura de banda, como videochamadas, transmissões por streaming e navegação aberta em páginas da internet, permanecem bloqueados nesta fase.
O usuário não precisa assinar contratos adicionais, baixar programas extras ou solicitar a ativação junto à empresa. A transferência para a rede espacial ocorre de forma automática sempre que o aparelho perde o sinal das torres tradicionais e encontra visada direta e desobstruída para o céu. Barreiras físicas como telhados, prédios, copas densas de árvores ou o teto de um veículo interrompem a recepção.
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- Aparelho compatível: smartphone habilitado para redes 4G LTE ou 5G (a relação de modelos homologados consta nos canais de atendimento da operadora)
- Identificação de rede: chip físico atualizado ou chip virtual (eSIM)
- Ajuste obrigatório: função de roaming de dados ativada nas preferências de rede e sistema operacional na versão mais recente
- Otimização automática: determinados modelos da Samsung, Motorola e Apple acionam o “sat mode” (modo satélite), que suspende backups em segundo plano para reduzir o consumo de dados
Como funciona a conexão direta da Starlink e a regulação da Anatel
A comunicação entre o telefone e o espaço utiliza a tecnologia Direct-to-Device (D2D, ou conexão direta para o dispositivo), que dispensa antenas parabólicas, modens externos ou conversores. Nesse modelo, os satélites de órbita baixa (LEO, na sigla em inglês) atuam como estações rádio-base em movimento contínuo e empregam potência de transmissão de até 100 watts para fazer com que as ondas de rádio atravessem a atmosfera e cheguem diretamente ao chip padrão do celular.
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O lançamento comercial ocorre sob supervisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que instituiu em junho de 2026 um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox regulatório, e renovou a permissão de uso das frequências até 22 de abril de 2029. Como a licença opera em caráter secundário, o sinal vindo do espaço não tem prioridade sobre as redes já estabelecidas e precisa ser interrompido imediatamente caso provoque interferência em sistemas primários, enquanto os dados coletados na operação servirão de base para as regras definitivas do setor no país.
Compra de frequências pela SpaceX nos EUA e reflexo nas ações da Vivo
A parceria com operadoras tradicionais ocorre no mesmo mês em que a SpaceX avançou para atuar de forma independente no setor de telecomunicações. Em outubro de 2026, a empresa desembolsou cerca de US$ 8 bilhões na compra de um portfólio de frequências na faixa de 800 MHz nos Estados Unidos, movimento desenhado para expandir a Starlink Mobile em um modelo híbrido que soma satélites para áreas rurais e torres terrestres próprias para garantir sinal dentro de prédios em centros urbanos.
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A possibilidade de a companhia passar a vender planos de voz e dados diretamente ao consumidor final provocou queda nas ações das principais empresas de telefonia no dia seguinte ao anúncio norte-americano. No mercado internacional, os papéis da T-Mobile recuaram mais de 13%, seguidos por baixas de cerca de 10% na AT&T e de 9% na Verizon; no Brasil, as ações ordinárias da Vivo registraram queda de 5,25% e as da TIM caíram 4,18% na ocasião.
Até a publicação desta reportagem, a Vivo e a Starlink não divulgaram qual será o valor mensal cobrado pelo Vivo Satélite após o encerramento dos períodos gratuitos de 12 meses para pessoa física e de 3 meses para empresas. As companhias também não detalharam os limites de velocidade ou de franquia após a promoção, nem informaram o prazo para a chegada da segunda geração de equipamentos da empresa espacial, a Starlink Mobile V2.
