CNSA divulga cometa 3I/ATLAS de 5,6 km captado pela sonda Tianwen-1
Uma sonda da China captou o cometa interestelar 3I/ATLAS enquanto o objeto passava perto de Marte. As imagens, divulgadas pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA), foram feitas pela sonda Tianwen-1 em 3 de outubro de 2025, quando o cometa estava a 28,96 milhões de quilômetros da espaçonave. Segundo a agência, trata-se de uma das observações mais próximas já feitas do visitante.
O 3I/ATLAS foi descoberto em 1 de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, no Chile, e é o terceiro objeto interestelar confirmado. A órbita hiperbólica confirma que ele vem de fora do Sistema Solar, e o cometa se desloca a 58 km/s.
Astrônomos da Agência Espacial Europeia (ESA) estimam que o cometa seja cerca de 3 bilhões de anos mais velho que o Sistema Solar. Nas imagens aparecem o núcleo e a coma, a nuvem de gás e poeira formada pela sublimação do gelo.
Como o visitante foi localizado e qual é a sua rota
O telescópio ATLAS, financiado pela NASA e instalado em Rio Hurtado, no Chile, localizou o objeto em julho de 2025. Naquele momento, porém, o cometa estava fora do alcance dos telescópios terrestres por causa da posição dele no céu.
Em setembro de 2025, a equipe da Tianwen-1 mudou o planejamento da missão para incluir a observação do cometa. A sonda, lançada em julho de 2020, se move a 86 km/s em relação ao objeto, por isso a câmera precisou de cálculos precisos para ser ajustada.
As imagens são uma sequência de 30 segundos, que a CNSA transformou em animação. O material também mostra o antirrabo, uma estrutura rara que aponta na direção oposta ao movimento do cometa.
O que a câmera HiRIC conseguiu registrar
A câmera de alta resolução HiRIC identificou um núcleo rochoso coberto de gelo. A coma aparece como uma nuvem difusa, formada pelo aquecimento provocado pelo Sol.
O brilho do 3I/ATLAS é de 10 mil a 100 mil vezes menor que o de alvos na superfície de Marte. Por isso, a equipe de engenharia fez simulações para ajustar a iluminação e o rastreamento.
- Núcleo: parte central do cometa, com diâmetro estimado em 5,6 km.
- Coma: nuvem de poeira e gases liberados pelo gelo que envolve o núcleo.
- Antirrabo: estrutura rara voltada no sentido contrário à órbita do objeto.
Os dados foram reunidos para uma futura análise química do objeto. A equipe ainda não divulgou essa etapa, e as imagens servem de base para esse trabalho.
Outras missões em Marte também miraram o cometa em outubro de 2025
As agências espaciais coordenaram suas observações no início de outubro. As sondas Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter, da ESA, também registraram o cometa no dia 3.
A NASA usou o orbitador Mars Reconnaissance Orbiter em medições espectrais, e os dados complementam as imagens chinesas com outros ângulos. A operação também testou a capacidade de rastrear alvos distantes.
Os resultados reforçam a missão Tianwen-2, lançada em maio de 2025 para coletar amostras de asteroides. Segundo a NASA, o cometa não representa ameaça para a Terra. Ele segue uma trajetória que o afasta do planeta.
Como a equipe preparou a câmera para captar o alvo
Em setembro de 2025, engenheiros da CNSA fizeram um estudo de viabilidade técnica e econômica. A adaptação incluiu a correção da orientação da sonda para compensar as velocidades relativas entre os dois corpos.
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A câmera HiRIC tem resolução mais baixa que as das sondas da NASA e precisou lidar com pouca luz. As capturas foram feitas entre 1 e 4 de outubro de 2025.
Os dados processados mostram o movimento do cometa sobre o fundo de estrelas. A experiência, segundo a equipe, será aproveitada em pesquisas espaciais de longo prazo.
A Tianwen-1 está em órbita de Marte desde fevereiro de 2021 e mantém operação estável. O rover Zhurong, da mesma missão, funcionou por um ano na superfície marciana.
O que o registro acrescenta à ciência sobre o objeto
A captura confirma que sensores remotos funcionam em condições difíceis de observação. A química do cometa difere dos corpos do Sistema Solar pela falta de certas substâncias orgânicas.
Espectros do Observatório Keck confirmam uma assinatura química única. O brilho atípico do objeto também desafia modelos usados para cometas de período longo.
- Ausência de elementos comuns: indica formação em outro sistema estelar.
- Velocidade hiperbólica: confirma a origem interestelar.
- Atividade após o periélio: sugere perda intensa de massa.
Esses resultados ampliam o conhecimento sobre visitantes de fora do Sistema Solar. Depois do periélio, a maior aproximação do Sol, o 3I/ATLAS voltou a ser visível da Terra no fim de outubro de 2025.
O Observatório Lowell, no Arizona, também fez imagens adicionais. Telescópios globais ampliam a análise da cauda e da coma, e Hubble e Webb ajudaram nas primeiras observações.
A CNSA descreve a operação como marco técnico da Tianwen-1
A missão mostra que a Tianwen-1 pode observar alvos além de Marte. O processamento em tempo real foi otimizado pela integração entre os subsistemas da sonda.
A CNSA classificou o feito como um marco técnico. A missão reúne um orbitador, um módulo de pouso e um veículo de exploração, o rover.
A operação se soma às observações de Oumuamua, em 2017, e de 2I/Borisov, em 2019, e indica a frequência com que esses objetos aparecem. Em outubro de 2026, uma análise da cauda do cometa indicou que ele pode ter se formado em ambiente abaixo de −240 °C, com composição rica em nitrogênio molecular. Os pesquisadores não identificaram a estrela de origem nem mediram a temperatura do local de nascimento do objeto.
Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.
