Profissionais com habilidades em inteligência artificial recebem, em média, salário 62% maior do que trabalhadores em funções semelhantes sem essas competências, segundo o Global AI Jobs Barometer 2026 da PwC.
O levantamento, publicado em junho de 2026, analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em 27 países e seis continentes. O percentual mede a diferença média entre os salários anunciados em vagas que exigem competências em IA e as que não exigem. Não indica aumento automático individual de 62% apenas por aprender uma ferramenta.
Prêmio salarial de 62% varia de 16% a 118% por setor
A diferença não é uniforme. Na edição de 2026, a PwC identificou prêmios de até 118% em mercados de consumo e de 16% no setor público e governamental. Outros setores apresentaram valores intermediários, como tecnologia, mídia e telecomunicações e serviços profissionais.
O cálculo compara salários oferecidos para o mesmo tipo de função com e sem exigência de habilidades em IA, como engenharia de prompts (técnica de formular instruções para sistemas de inteligência artificial) e machine learning (aprendizado de máquina). O número subiu em relação aos 57% registrados na edição anterior do barômetro.
Vagas que exigem IA cresceram 69% desde 2019
As vagas que pedem habilidades específicas em inteligência artificial cresceram 69% no período analisado desde 2019. No mesmo intervalo, o mercado de trabalho como um todo avançou 9%. A procura por essas competências cresce em ritmo superior ao das vagas em geral, embora os resultados variem entre países e setores.
A PwC também aponta que as mudanças nas competências exigidas pelas empresas são mais de duas vezes mais rápidas nas ocupações mais expostas à IA do que nas menos expostas. Habilidades humanas como pensamento crítico, liderança e capacidade de tomar decisões permanecem relevantes, pois a tecnologia produz análises, mas o profissional interpreta resultados e decide como utilizá-los.
Habilidades em IA se aplicam a finanças, marketing e gestão
O uso da inteligência artificial não se restringe a programadores e cientistas de dados. Profissionais de finanças, marketing, recursos humanos e operações podem utilizar a tecnologia para apoiar tarefas e análises.
Um analista financeiro pode recorrer a ferramentas de IA para organizar informações de relatórios, comparar indicadores e preparar uma primeira versão de apresentação. Em marketing, a tecnologia ajuda a identificar padrões em dados de campanhas. Coordenadores e executivos usam os recursos para resumir documentos e organizar informações para reuniões. Em todas as atividades, o conhecimento da área continua essencial para avaliar a qualidade das respostas.
Empresas mais expostas à IA registram maior crescimento
Empresas nos setores mais expostos à IA registraram crescimento de produtividade de 34% em 2025 em relação a 2018, ante 24% nas menos expostas. As 20% mais avançadas no uso da tecnologia alcançaram ganho médio de produtividade de 163% no período. O headcount nas mais expostas cresceu 52% contra 36% nas menos expostas, com base nos níveis de 2018.
O relatório descreve um mercado de trabalho em duas vias. Funções “profissionalizadas” pela IA (em que a tecnologia assume tarefas rotineiras e deixa mais trabalho especializado para as pessoas) crescem mais rápido e com salários em alta superior às funções “democratizadas” (em que a IA torna o próprio papel mais acessível a não especialistas).
Os dados da PwC indicam que as habilidades em inteligência artificial estão associadas a salários anunciados mais altos e a mudanças nas exigências profissionais. Para acompanhar esse cenário, trabalhadores podem desenvolver competências tecnológicas, atualizar conhecimentos específicos da própria área e aprender a verificar os resultados produzidos pelas ferramentas.
