O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil sem autorização, em desacordo com uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), e seguiu rumo a Miami, nos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano informou que vai emitir vistos de entrada para ele e para a família.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que o grupo atravessou a fronteira na noite de terça-feira, 27 de outubro de 2026, e apresentou documentos válidos. Foi a primeira confirmação oficial de que o senador havia deixado o país, depois de um dia inteiro de especulações sobre o paradeiro dele, com aliados que chegaram a afirmar que ele já estava nos Estados Unidos.
Ponte Tancredo Neves registrou a passagem do grupo na noite de terça
Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. O órgão declarou que os quatro não tinham impedimento legal para entrar no país e que a passagem transcorreu sem incidentes. Sobre a forma da travessia, porém, há versões diferentes: uma emissora argentina falou em van, e outra reportagem citou relatos de que o grupo pode ter atravessado a pé.
Aeronave da Baires Fly tinha Guayaquil como destino declarado
A aeronave é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela Baires Fly S.A. Segundo os dados de monitoramento de voos, ela não cruzou o espaço aéreo brasileiro.
- 22h50 de Brasília (27/10): travessia da fronteira
- 23h30 (27/10): embarque no voo privado, em Misiones
- 3h46 (horário local de Guayaquil): pouso em Guayaquil, segundo dados de monitoramento de voos
- 9h18 (horário local de Miami, cerca de 10h18 em Brasília): previsão de pouso no Aeroporto Executivo Opa-locka
As fontes divergem sobre a hora da partida. Uma versão aponta decolagem às 6h22 de Brasília, enquanto dados citados por uma agência internacional indicam saída às 00h22 de Puerto Iguazú, horário argentino equivalente ao de Brasília. Na terça-feira (27), o Ministério da Segurança da Argentina negou que o senador tivesse entrado no país, versão revista na madrugada de quarta-feira (28), quando os registros confirmaram a passagem. A chegada a Miami também é tratada de forma diferente: parte da imprensa diz que o senador chegou na terça-feira (27), e outras fontes tratam o pouso como previsto ou feito na quarta-feira (28). Não há confirmação de autoridade dos EUA sobre o pouso.
Ordem do STF mandava entregar passaportes em 24 horas e vetava saída do país
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes brasileiro comum, diplomático e italiano em até 24 horas. Ele também proibiu o senador de deixar o país e cancelou os passaportes emitidos pelo Brasil em nome dele. O caso investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, em suposto esquema com empresas do jurista e bets, e corre em sigilo de justiça.
A Polícia Federal (PF) apontou riscos “concretos e atuais” de fuga e citou a manifestação pública de Eduardo Bolsonaro, o expressivo poder econômico do senador e estruturas no exterior que poderiam viabilizar permanência prolongada. O prazo para a entrega terminou às 11h de terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados. Depois disso, a PF cancelou os passaportes brasileiros do senador.
Fala de Eduardo sobre uma eventual derrota foi citada pela PF
Eduardo Bolsonaro é irmão de Flávio. Ex-deputado federal cassado, ele foi condenado por coação no curso do processo e vive nos Estados Unidos. Em declaração feita na sexta-feira (23), sugeriu que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição. Segundo informações da imprensa, Flávio foi recebido em Miami por Eduardo.
Senador rebate acusação e questiona se a fala justifica tirar passaporte
Em vídeo publicado na segunda-feira (26), Flávio afirmou que foi intimado a entregar os passaportes e proibido de deixar o país. Na gravação, ele disse: “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”. Depois da decisão, o senador reafirmou que nunca cogitou sair do território. Em tradução livre, a frase em inglês registrada pela imprensa internacional foi: “Eu nunca pensei em deixar o país”.
Donald Trump dá aval à entrada da família e critica a eleição
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aprova a vinda do senador ao país. Ele disse ter sido informado de que Flávio estaria na Argentina, mas não sabia o paradeiro exato. Ao comentar a eleição de domingo (25), declarou: “A eleição foi muito estranha, e eu achei terrível”. Sem apresentar provas, voltou a insinuar fraude na votação que Flávio perdeu para Lula.
Deputados do PT pedem prisão de Flávio por desobediência à ordem judicial
Deputados do PT apresentaram pedido de prisão preventiva de Flávio por desobediência à ordem judicial. Até a última atualização desta reportagem, não havia decisão informada sobre o pedido. Uma agência de notícias internacional, citada por outros veículos, afirma que o senador perderá a imunidade parlamentar quando o mandato terminar, em fevereiro.
Dono da aeronave e entrada no Equador seguem sem esclarecimento
Não há informação oficial sobre o proprietário do avião, e a forma como o grupo entrou no Equador também não é conhecida. Até a última atualização desta reportagem, Flávio não havia se manifestado sobre a saída do país. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou a saída do senador, segundo registro da imprensa, mas a manifestação não foi verificada pela reportagem.
