O governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027 com R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. Somado ao crédito da agricultura familiar, o montante passa de R$ 610 bilhões. O anúncio foi feito em 30 de junho de 2026, e o novo ciclo vale de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027.
Investimentos crescem enquanto o custeio perde espaço
O volume destinado à agricultura empresarial é R$ 9 bilhões maior que o da safra 2025/2026, o que representa alta de 1,7% sobre os R$ 516,2 bilhões do ciclo anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. A composição, porém, mudou. Na comparação com o ciclo anterior, o custeio e a comercialização caíram 7,2%, enquanto os investimentos subiram 38,1%. A divisão por finalidade ficou assim:
- Custeio e comercialização, para insumos, manutenção de lavouras e rebanhos: R$ 384,9 bilhões
- Investimentos em máquinas, armazenagem, irrigação e inovação tecnológica: R$ 140,2 bilhões
Na agricultura familiar, o Pronaf recebe R$ 85,2 bilhões, alta de quase 9% em relação ao ciclo anterior, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Com outros instrumentos de apoio, o pacote do segmento chega a R$ 97,3 bilhões. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com a participação da ministra Fernanda Machiaveli.
Taxa máxima do Pronamp cai para 9% ao ano
Entre as principais mudanças está a redução das taxas máximas em linhas estratégicas de crédito rural. No Pronamp, voltado aos médios produtores, o volume chega a R$ 72,6 bilhões, com juros máximos de 9% ao ano, um ponto percentual abaixo dos 10% do ciclo anterior. Durante o lançamento, o vice-presidente e presidente em exercício, Geraldo Alckmin, disse que o governo quer ampliar os recursos e, ao mesmo tempo, reduzir o custo do crédito para o setor.
Os juros caíram em quase todas as linhas, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, e o Moderfrota, usado na compra de tratores e colheitadeiras, foi de 13,5% para 12,5% ao ano. O PCA, para armazéns de até 12 mil toneladas, ficou com 8% ao ano, e o RenovAgro Ambiental manteve 8,5%. Para a pasta, a queda da taxa Selic abre uma “importante janela para a redução do custo financeiro do produtor”, o que tende a facilitar a contratação de crédito rural.
Desconto de até 1 ponto para quem regulariza o CAR e adota boas práticas
Produtores com regularização ambiental e que adotam boas práticas agropecuárias podem pagar juros menores no custeio. O desconto pode chegar a 1 ponto percentual e é dividido em duas etapas, segundo o ministério.
- Até 0,5 ponto percentual para quem tem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular.
- Mais 0,5 ponto percentual para quem adota práticas agropecuárias sustentáveis ou possui certificações reconhecidas.
A pasta afirma que a política pretende reconhecer produtores com boa gestão e estimular uma produção mais resiliente aos eventos climáticos. A medida, segundo o governo, também busca alinhar a agricultura brasileira às exigências globais de sustentabilidade.
InvestAgro reforça financiamento de energia renovável no campo
O programa InvestAgro foi reforçado para ampliar o financiamento de energia renovável nas propriedades rurais. Podem ser financiados projetos de geração solar, eólica e de biomassa, além de cogeração e armazenamento de energia elétrica, incluindo sistemas de baterias. O objetivo é reduzir custos operacionais e aumentar a independência energética no campo. Na área de inovação, o governo confirmou R$ 10 bilhões em linhas de crédito em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
PCA financia armazéns de até 12 mil toneladas a 8% ao ano
O crédito cobre a construção, a reforma e a modernização de armazéns e câmaras frias em diferentes regiões do país. O PCA, Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, tem juros de 8% ao ano para projetos de até 12 mil toneladas e de 9,5% nas demais operações. A meta é reduzir perdas depois da colheita e permitir que o agricultor escolha o melhor momento para vender a produção.
Renegociar dívidas de custeio agora exige Proagro ou seguro rural
Pela nova regra, a renegociação e a prorrogação de operações de custeio ficam vinculadas à contratação do Proagro
, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, ou de um seguro rural privado. O governo destina R$ 6,6 bilhões ao Proagro neste ciclo. Para o Executivo, a exigência estimula a adesão a seguros e reduz a dependência de ações emergenciais, num cenário de eventos climáticos extremos e oscilações de mercado. A medida busca dar mais previsibilidade e proteção ao produtor ao longo da safra.O anúncio, porém, não trouxe definição sobre o orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
