Mulheres negras têm mais tumores agressivos e diagnóstico tardio de câncer de mama, aponta publicação do INCA

Câncer de mama - Dragana Gordic / shutterstock.comCâncer de mama - Dragana Gordic / shutterstock.com

Câncer de mama - Dragana Gordic / shutterstock.com

Mulheres negras são diagnosticadas com câncer de mama em fase avançada com mais frequência do que mulheres brancas: 60% contra 50%, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre 2000 e 2020, o aumento da taxa de mortalidade delas foi 3,8 vezes maior, informou a coordenadora de Prevenção e Vigilância do instituto, Márcia Sarpa.

A publicação Disparidades raciais na incidência do câncer de mama, primeiro volume da série sobre o tema, foi lançada no Rio de Janeiro em 27 de outubro de 2026, durante o Outubro Rosa e o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. A data busca mobilizar profissionais de saúde para as demandas específicas desse grupo.

Incidência menor, mas tumores mais agressivos e diagnóstico tardio

A incidência do câncer de mama costuma ser menor entre mulheres negras do que entre brancas. Pretas e pardas, porém, são mais afetadas por tumores de comportamento agressivo, sobretudo o subtipo triplo-negativo, e recebem o diagnóstico, com mais frequência, em idades mais jovens e em estágios avançados.

Um estudo do INCA publicado em abril de 2024 na revista Breast Cancer Research and Treatment já apontava a mesma tendência. A bióloga Sheila Coelho, pesquisadora do instituto, afirmou que uma parcela maior de pretas e pardas tem tumores agressivos que os tratamentos oferecidos não eliminam.

Desigualdade de acesso e racismo entram na conta

Segundo a publicação, desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e o estresse ligado às condições de vida podem contribuir para as diferenças. O texto também considera fatores de ancestralidade e recomenda eliminar barreiras à mamografia, ao diagnóstico precoce e ao tratamento em tempo oportuno, além de combater o racismo estrutural e institucional.

Mariana Emerenciano, presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão do INCA, defendeu que é preciso saber quem acessa o cuidado integral no SUS e quem enfrenta barreiras, para então derrubá-las.

Cartilha Saúde com Axé nasce em terreiros do Rio de Janeiro

O INCA lançou em 2 de fevereiro de 2026 a cartilha Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer, produzida com mulheres de terreiros de candomblé do Rio. A pesquisa que deu origem ao material foi feita entre 2023 e 2025. Segundo Monique Miranda, pesquisadora do instituto, há quase ausência de materiais educativos específicos sobre mulheres negras e câncer. As oficinas em terreiros e áreas de remanescentes de quilombos reuniram 56 pessoas.

Rose Costa dos Santos, coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, reconheceu a dimensão do problema: “O desafio é gigante, mas a gente tem caminhos a seguir.”

Cartilha pode ser lida gratuitamente no portal do INCA

A cartilha está disponível sem custo na Biblioteca Virtual em Saúde Prevenção e Controle de Câncer e no portal do INCA, no gov.br. Para o Ministério da Saúde, o próximo passo é identificar os principais obstáculos à vigilância, ao acesso, à detecção precoce e ao tratamento oportuno, segundo o secretário adjunto Carlos Amílcar Salgado.

Janderson Luiz: Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol