Uso de descongestionantes nasais exige atenção e tem limite

Descongestionante nasal - solidcolours/ istockphoto.com

Descongestionante nasal - solidcolours/ istockphoto.com

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) emitiu um alerta sobre os perigos dos descongestionantes nasais em São Paulo nesta segunda-feira (26). A entidade médica afirma que a aplicação contínua desses produtos por período superior ao recomendado provoca efeito rebote, quadro em que a mucosa do nariz volta a inchar logo após o término da ação farmacológica, além de desencadear rinite medicamentosa e reações adversas severas no organismo.

De acordo com o otorrinolaringologista e presidente da ABORL-CCF, André Alencar Araripe Nunes, formulações com agentes vasoconstritores reduzem o calibre dos vasos sanguíneos apenas de forma passageira. “Esses medicamentos provocam a contração dos vasos sanguíneos da mucosa nasal, reduzindo temporariamente o inchaço e facilitando a respiração. Mas, quando utilizados de forma repetida e por períodos prolongados, podem causar o efeito contrário. O paciente volta a sentir o nariz entupido e acaba utilizando o produto com frequência cada vez maior”, disse o médico.

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Como agem os descongestionantes nasais e os riscos para o coração

Foto: Homem com alergia, descongestionante nasal – New Africa/ shutterstock.com

O mecanismo de alívio imediato das soluções aplicadas diretamente nas narinas depende de princípios ativos vasoconstritores, substâncias químicas que estreitam os vasos sanguíneos locais para diminuir o edema do tecido interno e liberar a passagem de ar a curto prazo. Quando o paciente ultrapassa a janela segura de administração sem acompanhamento profissional, o tecido passa a sofrer uma inflamação persistente classificada clinicamente como rinite medicamentosa, condição que agrava a obstrução original e estabelece um ciclo de dependência química local para que o indivíduo consiga respirar.

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Esses produtos farmacêuticos são comercializados no varejo tanto em apresentações tópicas, em formato de spray ou gotas, quanto em comprimidos e líquidos de uso oral, frequentemente integrados às fórmulas de medicamentos antigripais vendidos nas farmácias. A absorção excessiva dessas substâncias pelo corpo ultrapassa a barreira respiratória e atinge a circulação sanguínea geral, o que pode provocar quadros de dor de cabeça, insônia, agitação motora, elevação da pressão arterial, alterações nos batimentos cardíacos e, em situações extremas, convulsões e acidente vascular cerebral (AVC).

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Doenças que causam obstrução nasal e exigem diagnóstico médico

O entupimento constante das vias aéreas superiores provoca respiração bucal frequente, redução da capacidade de sentir cheiros e dificuldades contínuas para dormir, sintomas que costumam mascarar patologias estruturais ou inflamatórias. Entre os problemas clínicos que geram bloqueio recorrente estão a rinite alérgica, a sinusite, o desvio de septo (deslocamento da parede que divide as duas cavidades do nariz), a hipertrofia dos cornetos nasais (estruturas ósseas e mucosas que aquecem e filtram o ar inspirado) e a formação de pólipos nasais, que são crescimentos benignos no revestimento interno.

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“Quando a pessoa precisa usar descongestionante todos os dias para conseguir respirar, é importante investigar a causa. Nem sempre o problema está apenas no medicamento. Pode existir uma doença de base que precisa ser tratada para que o paciente consiga respirar adequadamente”, afirmou o presidente da ABORL-CCF.

Para reverter o quadro de dependência e tratar a patologia primária, o paciente deve procurar atendimento médico especializado com um otorrinolaringologista. O processo de retirada gradual do fármaco vasoconstritor, conhecido no meio clínico como desmame, pode intensificar a sensação de bloqueio respiratório temporariamente e requer suporte terapêutico individualizado, que inclui desde prescrições por via oral ou intranasal até intervenções cirúrgicas corretivas.

“O mais importante é não tentar resolver uma obstrução persistente apenas com medicamentos de alívio imediato. Precisamos identificar a origem do problema e oferecer um tratamento adequado”, declarou André Alencar Araripe Nunes.

Diferenças entre sprays vasoconstritores e soluções salinas no manejo clínico

No histórico do manejo clínico das doenças respiratórias, revisões médicas apontam que nem todo produto em spray administrado nas narinas desencadeia o efeito rebote ou gera dependência no paciente ao longo do tratamento. Enquanto os descongestionantes vasoconstritores formulados com princípios ativos como nafazolina, oximetazolina, xilometazolina e fenilefrina exigem restrição severa de tempo, as soluções salinas (soro fisiológico) e os corticosteroides intranasais atuam por mecanismos biológicos distintos e seguros para terapias extensas, sendo empregados pelos médicos justamente na recuperação da mucosa afetada pela rinite medicamentosa no alerta emitido em 26 de outubro de 2026.

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Quando há indicação médica para o uso pontual de sprays nasais, a administração correta reduz o risco de lesões diretas na mucosa. O protocolo de higiene e aplicação exige lavar as mãos antes do manuseio, assoar o nariz previamente para limpar a secreção acumulada, inclinar a cabeça levemente para trás e posicionar o bico aplicador longe do septo nasal, evitando que o jato atinja diretamente a parede divisória central.

Limites de uso dos descongestionantes nasais e programação do 56º congresso

As diretrizes de segurança divulgadas pela associação médica estabelecem parâmetros específicos para os pacientes e compõem a pauta científica do encontro nacional da categoria agendado para o mês de novembro no estado do Paraná:

  • Prazo máximo da ABORL-CCF sem prescrição: 3 dias consecutivos para medicamentos com oximetazolina ou nafazolina.
  • Princípios ativos vasoconstritores sob restrição: nafazolina, oximetazolina, xilometazolina e fenilefrina.
  • Reações sistêmicas catalogadas: hipertensão arterial, arritmia cardíaca, cefaleia, insônia, agitação, convulsões e AVC.
  • Evento científico nacional: 56º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial da ABORL-CCF.
  • Datas de realização: de 19 a 21 de novembro de 2026.
  • Sede do encontro: Expotrade Convention Center, localizado na Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel, número 10454, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

As atualizações científicas no diagnóstico e as novas abordagens terapêuticas para as patologias obstrutivas serão debatidas pelos especialistas durante os três dias do evento no Paraná. “É com grande entusiasmo que convidamos todos para o 56º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial da ABORL-CCF, que será realizado em Curitiba dos dias 19 a 21 de Novembro, uma das cidades com melhor IDH do Brasil, reconhecida por sua excelente estrutura, organização e riqueza cultural”, informou André Alencar Araripe Nunes.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.