Franquia Call of Duty causa indignação na Coreia do Sul ao usar imagens de tragédia de ItaewonPor Carolina Costa
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A produtora Activision enfrenta forte repúdio popular e diplomático após a divulgação de um vídeo promocional da franquia Call of Duty que reproduz o cenário e a dinâmica do esmagamento em massa ocorrido no distrito de Itaewon, em Seul. A sequência inserida na campanha de divulgação causou indignação imediata entre associações de familiares das vítimas e autoridades da Coreia do Sul, que classificaram o conteúdo como desrespeitoso e revitimizador.
Associações que representam parentes dos mortos e feridos formalizaram pedidos de retratação pública e exigiram o recolhimento imediato de todas as peças audiovisuais que façam alusão direta à tragédia ocorrida em 29 de outubro de 2022. Parlamentares em Seul anunciaram a intenção de convocar representantes corporativos para prestar esclarecimentos perante o comitê legislativo de cultura e comunicações.
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Paralelo direto com a tragédia urbana de Itaewon
O conteúdo sob contestação exibe uma multidão comprimida em um beco estreito em declive com sinalizações comerciais em coreano, reproduzindo ângulos de circulação idênticos aos registrados durante as comemorações de Halloween de 2022, quando 159 pessoas morreram asfixiadas e centenas sofreram lesões corporais. A fidelidade arquitetônica do beco e a simulação do pânico coletivo geraram críticas generalizadas de sobreviventes, que acusaram o estúdio de transformar um luto nacional recente em entretenimento militar lucrativo.
Especialistas em regulação de mídia digital apontam que o lançamento do material coincidiu com o período de homenagens públicas realizadas anualmente na capital sul-coreana. A repercussão negativa desencadeou manifestações em frente aos escritórios regionais da distribuidora e intensificou campanhas de cancelamento de pré-vendas organizadas por comunidades locais de jogadores em plataformas digitais.
Reação das famílias e cobranças do parlamento sul-coreano
O comitê que reúne familiares de vítimas do desastre de Seul divulgou uma declaração oficial repudiando o uso comercial das cenas dramáticas. O grupo afirmou que reviver a agonia das mortes por sufocamento em um jogo de tiro demonstra descompromisso ético e indiferença com a dor coletiva ainda em processo de reparação judicial e psicológica no país.
Lideranças partidárias da Assembleia Nacional da Coreia do Sul declararam que analisam medidas administrativas cabíveis perante o órgão regulador de classificação indicativa de jogos eletrônicos. A comissão estuda aplicar sanções que podem incluir a suspensão da comercialização do título em território sul-coreano caso o material gráfico não seja removido integralmente do código final e das ações publicitárias.
- Plataformas anunciadas para o lançamento: PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S
- Total de vítimas fatais da tragédia original em Seul: 159 mortos confirmados
- Data do desastre urbano de Itaewon: 29 de outubro de 2022
- Reivindicação central das entidades: retirada das cenas e pedido formal de desculpas
Representantes da empresa produtora ainda não emitiram comunicado detalhado sobre a revisão do material publicitário questionado. O processo de classificação etária na Coreia do Sul permanece sob revisão técnica extraordinária enquanto o órgão aguarda o envio da versão modificada dos arquivos de divulgação.














