Claude já lidera 26% da pesquisa em IA da Anthropic, e gráfico mostra a IA ajudando a criar IAs melhoresPor Janderson Luiz
4 min de leitura
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A Anthropic afirma que o Claude já lidera 26% das tarefas de pesquisa e desenvolvimento em IA feitas dentro da própria empresa em agosto de 2026. Em fevereiro, essa fatia era inferior a 1%. O número sai de um índice criado pela companhia para medir quanto do próprio trabalho de pesquisa a IA executa, e foi divulgado em setembro.
O índice, chamado R&D Automation Index, usa a escala de seis níveis do instituto Epoch AI, que vai de AL0, sem participação da IA, até AL5, autonomia total. O Claude está no AL4, em que a máquina faz a maior parte da tarefa de ponta a ponta e um humano supervisiona e decide. Segundo a empresa, mais de 90% do trabalho de pesquisa já chega ao AL3 ou acima, o nível de colaboração.
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Como a Anthropic chegou ao número
Para montar o índice, a empresa sorteou, a cada semana de julho, 20% da equipe das áreas ligadas ao desenvolvimento de modelos. Um agente Claude vasculhou mensagens de Slack e documentos internos e listou cerca de 15 mil tarefas. Outro Claude organizou essas tarefas em uma árvore de 542 nós, e um terceiro avaliou em que nível de automação cada categoria estava. A base é, portanto, o trabalho real da equipe, e não apenas questionários.
Há dados que o gráfico não mostra. A Anthropic informou que cerca de 30 mil agentes trabalham ao mesmo tempo em sua plataforma interna, que todas as ações são monitoradas e que cerca de 0,002% delas foram bloqueadas, algo como uma em 47 mil. Por semana, cerca de 50 casos são encaminhados a pessoas. Em uma semana de julho, cerca de 6% do poder computacional usado em pesquisa de IA foi para segurança, percentual que sobe para 12% quando a própria IA conduz a pesquisa.
O que ainda separa a IA da autonomia total
Nada disso quer dizer que a máquina pesquisa sozinha.
A empresa afirma que nenhuma área medida chegou ao AL5 e que o Claude não opera com autonomia plena em nenhum subconjunto medido. Em fevereiro, a fatia de tarefas em que a IA liderava era inferior a 1%; em agosto, saltou para 26%. Em seis meses, a fatia passou de quase zero para mais de um quarto do trabalho. Os números são da própria empresa.
Jack Clark e o prazo para a IA treinar sucessores sozinha
O cofundador Jack Clark encurtou seus prazos nos últimos meses. Em maio, ele estimou 30% de chance de uma IA treinar um sucessor mais poderoso, sem envolvimento humano, em 2027, e cerca de 60% até o fim de 2028. Na newsletter Import AI de 12 de outubro de 2026, disse que o cenário parece mais provável em 2027 do que em 2028, sem apresentar novos percentuais. Ele também alertou que os métodos atuais de alinhamento podem não resistir a ciclos em que a IA se torna muito mais capaz do que quem a supervisiona.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, escreveu em ensaio de setembro que o aperfeiçoamento recursivo, se for buscado, pode superar a capacidade de entender e controlar esses sistemas. A própria empresa diz que o processo não é inevitável, mas pode chegar antes de as instituições estarem preparadas. Pela definição da companhia, a fronteira do aperfeiçoamento autônomo ainda não foi cruzada. Ainda assim, o índice mostra a IA saindo do papel de ferramenta para o de participante da pesquisa que a constrói.















