Senado barra redução da maioridade penal na PEC da Segurança por 38 a 36 e evita volta à CâmaraPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
O plenário do Senado Federal rejeitou a inclusão da redução da maioridade penal no texto da PEC da Segurança Pública em votação realizada em Brasília (DF). O placar apertado registrou 38 votos favoráveis ao desmembramento das emendas contra 36 contrários, definindo que a idade mínima para responsabilidade penal não entrará na emenda constitucional de reforma da segurança. Com a aprovação do requerimento elaborado pelo relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), os dispositivos que pretendiam rebaixar a maioridade de 18 para 16 ou 14 anos foram transformados em proposições autônomas e encaminhados para análise na Comissão de Constituição e Justiça.
A decisão preservou o parecer original já avalizado pela CCJ, eliminando o risco de modificações no mérito que forçariam o retorno da matéria à análise da Câmara dos Deputados. Caso o texto sofresse alterações substantivas, o cronograma legislativo do Executivo seria interrompido, travando o plano de criação formal do Ministério da Segurança Pública idealizado pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia governista blindou o núcleo operacional da proposta contra o impasse penal e abriu caminho para a deliberação dos dois turnos obrigatórios com base em calendário especial sem intervalo regimental.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Votação no plenário garantiu tramitação autônoma para emendas penais
A manobra regimental aprovada na Casa legislativa separou duas propostas de alteração constitucional apresentadas por diferentes alas partidárias, impedindo que os projetos de endurecimento das normas ficassem atrelados à arquitetura estrutural da segurança pública nacional. A emenda formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, estabelecia a queda da maioridade de 18 para 14 anos na prática de crimes hediondos, tortura, tráfico de entorpecentes e terrorismo, além de instituir a faixa de 16 anos para os demais delitos comuns. Por outro lado, o texto protocolado pelo líder governista Camilo Santana (PT-CE) desenhava uma alternativa mais branda, restringindo a faixa etária de 16 anos apenas aos crimes hediondos.
Ambas as iniciativas agora tramitam isoladamente sob a forma de propostas autônomas no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça, onde precisarão de parecer próprio antes de qualquer novo debate em plenário. Os detalhes das matérias e os critérios regimentais estabelecidos na sessão incluem os seguintes pontos de verificação:
- Requerimento do relator Rogério Carvalho acolhido por margem estreita de dois votos no plenário
- Transformação das emendas de maioridade penal em proposições destacadas remetidas à CCJ
- Manutenção integral do texto-base da segurança pública aprovado anteriormente pelo colegiado temático
- Dispensa regimental de intervalo de tempo entre o primeiro e o segundo turno de votações plenárias
- Exigência constitucional de três quintos dos votos nominais em ambas as rodadas deliberativas
Linha do tempo do impasse sobre a maioridade penal
A tramitação da PEC da Segurança Pública enfrentou semanas de tensão e divergências entre bancadas antes do desfecho que determinou a cisão dos temas na sessão plenária. As discussões envolveram a cúpula do Legislativo e provocaram divisões internas até mesmo no próprio partido do governo federal.
- 15 de outubro de 2026 — O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), retira a PEC da pauta diante da ausência de entendimento político entre as bancadas da oposição e da situação.
- 20 de outubro de 2026 — Plenário aprova regime de calendário especial para permitir votação contínua dos dois turnos da segurança sem necessidade de intervalo temporal entre as sessões.
- 28 de outubro de 2026 — Lideranças partidárias articulam a proposta de desmembramento da maioridade penal para preservar a criação do novo ministério sem abrir mão do debate na CCJ.
- 03 de novembro de 2026 — Plenário vota o requerimento de fatiamento e aprova o envio das emendas penais para debate avulso por 38 votos a 36.
Divisão na bancada do PT e articulação da oposição
O debate em torno da responsabilidade penal expôs fissuras na articulação da bancada governista no Senado. Parte dos parlamentares do PT defendia a conveniência eleitoral de pautar a redução da maioridade penal de forma ampla, considerando a forte aprovação popular que o endurecimento punitivo acumula nos centros urbanos. Outro setor partidário sustentou a coerência doutrinária tradicional da sigla, firmada historicamente em repúdio a qualquer recuo no marco etário penal e calcada nas garantias de proteção integral descritas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
A oposição liderada pelo PL pressionou pelo acoplamento da medida ao argumento de que uma emenda de segurança não teria alcance prático sem punição imediata para atos graves praticados por jovens. A bancada oposicionista, prestes a atingir o patamar de 28 senadores na Casa, tentou vincular o combate às facções criminosas à responsabilização de menores recrutados pelo tráfico de entorpecentes. Com o fatiamento, o confronto ideológico foi transferido integralmente para a Comissão de Constituição e Justiça, desobstruindo o plenário para a votação do núcleo institucional das forças policiais.
Prazos e próximos passos para a tramitação constitucional
Com a liberação do texto-base original sem modificações de mérito, a PEC da Segurança Pública entra na reta decisiva de aprovação definitiva no Congresso Nacional. A proposta depende do cumprimento rigoroso de exigências legais para entrar em vigor:
- Votação nominal em primeiro turno no plenário com necessidade de apoio mínimo de 49 senadores
- Realização imediata do segundo turno de deliberação graças ao calendário especial promulgado pela Mesa Diretora
- Confirmação de novo placar igual ou superior a 49 votos favoráveis para aprovação final da matéria
- Envio direto para promulgação pela Mesa do Congresso Nacional, sem necessidade de retorno para a Câmara dos Deputados
- Início da estruturação administrativa para a implementação do Ministério da Segurança Pública do governo federal
A tramitação paralela das emendas da maioridade penal na CCJ dependerá agora da designação de relatoria e de audiências públicas específicas no âmbito da comissão técnica.















