Senado do Paraguai rejeita prazo e Peña não comparece ao impeachmentPor Luís Henrique Costa
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O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6), por 39 votos contrários, o pedido do presidente Santiago Peña de mais 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment. Peña não compareceu à sessão, e o julgamento seguiu sem ele, no Congresso paraguaio.
Segundo a apuração, dois senadores se abstiveram. O presidente do Senado, Basilio Núñez, afirmou na sessão: “Não reunimos os votos necessários, então o tempo de prorrogação é rejeitado”. Após a decisão, os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, que fazem a defesa de Peña, foram ao Congresso para apresentar a defesa.
Peña alegou prazo curto e não compareceu às 10h
Peña deveria depor no Senado às 10h, horário local, que equivale a 10h de Brasília. Ele não compareceu. Pelo relato da defesa, o presidente recebeu a notificação às 22h15 de quinta-feira (5), junto com uma acusação de 15 folhas e mais 300 páginas de anexos. Para ele, menos de 12 horas era tempo insuficiente para preparar a defesa e garantir o exercício adequado do direito de defesa.
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Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação de motivo oficial para a ausência de Peña na sessão.
Câmara aprovou a abertura do impeachment de Peña e do vice Pedro Alliana
Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra Peña e contra o vice-presidente, Pedro Alliana. O pedido foi apresentado pela oposição. Depois da votação, o Congresso convocou uma sessão bicameral para tratar da renúncia de Peña, mas a reunião não foi concluída porque congressistas do Partido Colorado impediram a formação de quórum.
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Peña anunciou a renúncia em vídeo na quinta-feira (5), mas o Congresso ainda não a analisou por falta de quórum, e ele permanece na Presidência. Pela legislação paraguaia, ex-presidentes podem assumir cadeira de senador vitalício com imunidade parlamentar, o que é central para a disputa sobre a renúncia. Para destituir o presidente, é necessário o voto de dois terços dos senadores.
O senador oposicionista Líder Amarilla declarou: “Se aceitarmos esta renúncia, o que estamos fazendo é permitir que Santiago Peña obtenha foro parlamentar”. A oposição afirma que a renúncia busca o foro privilegiado, mas essa é uma acusação da oposição, não um fato apurado.
Crise do Ueno Bank deixou 3 milhões de contas congeladas
A crise que levou ao processo começou com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, ocorrida na terça-feira (3). A medida congelou contas de cerca de 3 milhões de cidadãos. Peña possui ações de um grupo que controlava o Ueno, das quais se desvinculou em 2025, segundo a imprensa paraguaia.
O Ministério Público paraguaio abriu investigação formal contra Peña, que apura ligação com o Ueno Bank, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude administrativa e tráfico de influência. As investigações são da Justiça do Paraguai e não têm, até agora, relação direta com o julgamento no Senado.
Julgamento segue em cinco etapas e sem data para renúncia
O julgamento seguirá em cinco etapas e não deverá ser concluído em apenas um dia. O resultado final da votação de dois terços ainda não foi informado. Também não há data para o Congresso analisar formalmente a renúncia de Peña.
- Quinta-feira (5): Câmara dos Deputados aprova por unanimidade a abertura do impeachment
- Quinta-feira (5), 22h15: horário em que Peña diz ter recebido a notificação
- Sexta-feira (6), 10h, horário local: sessão do Senado com a defesa prevista
- Sexta-feira (6): Senado rejeita o pedido de 72 horas por 39 votos contrários e duas abstenções








