Universidade da Virgínia associa morte súbita a intervalo menorPor Carolina Costa
4 min de leitura
![]() |
Uma pesquisa da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, nos Estados Unidos, analisou 1.678 relatos de crianças sobre supostas lembranças de vidas passadas. Os autores buscaram uma relação entre o tipo de morte da pessoa identificada e o tempo até o novo nascimento. Quando a morte foi totalmente imprevista, o intervalo mediano até o nascimento caiu para 12 meses; nas mortes previsíveis, o intervalo foi de 21 meses.
Os resultados constam de um comunicado da UVA Health divulgado em 19 de outubro de 2026, com base em artigo publicado na revista científica Psychology of Consciousness: Theory, Research, and Practice, editada pela Associação Americana de Psicologia (APA, na sigla em inglês). Dos registros analisados pela Divisão de Estudos da Percepção (DOPS), unidade da Escola de Medicina que investiga esse tipo de relato, 1.319 tinham dados temporais completos. A mediana geral de espera entre a morte e o nascimento foi de 16 meses.
Quem assina o estudo e quem financiou a análise
O artigo tem como autores Saeedeh Sadeghi, Marieta Pehlivanova e Philip J. Cozzolino. Sadeghi é pesquisadora de pós-doutorado na Divisão de Estudos da Percepção, e Cozzolino é psicólogo social e pesquisador da mesma divisão. O registro inicial nos arquivos da divisão tem data de 21 de agosto de 2026, e o trabalho recebeu recursos da TMT Foundation, The Philip B. Rothenberg Legacy Fund, BIAL Foundation e The Dreamery Foundation.
Variáveis familiares e crenças religiosas entram na análise
Para medir a previsibilidade, a equipe analisou a causa da morte, a idade do falecido e o grau de imprevisão do evento. Tratou como inesperados os casos de acidentes, violência intencional, suicídio ou crises médicas súbitas, e colocou do lado oposto as doenças prolongadas e a velhice. Os cientistas cruzaram esses dados com posição social, contato prévio entre as famílias, precisão das declarações das crianças e qualidade das informações apuradas.
A correlação entre mortes súbitas e intervalos mais curtos continuou estatisticamente significativa depois dos testes. Ela foi mais forte entre famílias cujas religiões não aceitam a crença na reencarnação. Saeedeh Sadeghi, autora principal do estudo, lembrou que um relatório anterior já apontava a ligação entre morte violenta e tempo menor até o nascimento, o que levou a equipe a testar a hipótese de forma sistemática. Segundo ela, para surpresa dos pesquisadores, a associação se manteve em um número muito maior de casos e não foi explicada pelos fatores sociais, culturais e psicológicos examinados.
Continue lendo: A Noite Estrelada de Van Gogh retrata constelação de Touro, aponta estudo
O coautor Philip J. Cozzolino destacou o peso das variáveis familiares na análise. Ele afirmou que o efeito persistiu mesmo depois de considerados os fatores culturais e psicológicos, e que foi mais forte em famílias de religiões que não apoiam a reencarnação. “Esses resultados não sustentam a ideia de que as crenças sociais estejam impulsionando esse padrão”, declarou Cozzolino.
Saiba mais: Jaime Maussan divulga fotos de suposta criatura no México e gera debate
O que o levantamento não consegue demonstrar
Os pesquisadores ressaltam que o levantamento usa dados observacionais e não configura um experimento controlado de causa e efeito. O estudo também não comprova a existência de reencarnação. Embora mais de 30% dos norte-americanos acreditem no fenômeno, não há comprovação científica de que ele ocorra, e a imprevisibilidade da morte explica apenas de 2% a 3% da variação total no intervalo mediano analisado.
O trabalho não identificou um mecanismo capaz de explicar por que falecimentos súbitos se associam a períodos menores até o nascimento. Também não eliminou fatores convencionais, como a circulação de informações entre comunidades e distorções de memória. O banco de dados teve início na década de 1960, na Divisão de Estudos da Percepção, fundada em 1967 pelo psiquiatra Ian Stevenson, falecido em 2007. Os autores, que declararam não ter interesses financeiros no trabalho, defendem a continuidade das investigações sobre o padrão estatístico.







