Cachoeira da Fumaça na Chapada Diamantina atrai atenção de cientistasPor Manuela
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O vento empurra a água de volta para o alto na Cachoeira da Fumaça, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia. O atrativo tem queda livre de 340 metros, mas o fluxo se desfaz em névoa antes de chegar ao fundo do vale. Em dias de rajadas fortes, essa névoa volta até a borda superior do paredão.
O fenômeno depende de três fatores combinados: a altitude, a vazão moderada do curso d’água e o formato do cânion da serra. Quando a água perde apoio no topo da fenda e começa a cair, a velocidade e o atrito com o bolsão de ar quebram o jato principal. Quem observa dos mirantes vê um véu esbranquiçado subindo contra a encosta, e não a queda direta sobre a base, o que deu nome ao atrativo.
Como o ar desfaz a queda e a leva para cima
A água que desce dos platôs chega com volume pequeno na maior parte do ano. Ao cair de tanta altura, a resistência do ar a divide em partículas minúsculas, com pouca massa e grande superfície de contato. Essas gotas ficam leves o bastante para serem sustentadas pelo vento.
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As fendas profundas da serra funcionam como dutos que aceleram correntes de ar subindo do vale. Quando essas massas verticais encontram a cortina de gotículas, a força do vento supera a gravidade sobre a água dispersa. A trajetória do líquido se inverte, e a névoa molha a vegetação rupestre no cume do penhasco.
Quanto mede a queda e onde fica o atrativo
As cotas publicadas sobre o monumento variam conforme o critério de cada levantamento topográfico. Algumas contam todo o gradiente até o fundo do vale. A medição oficial, porém, é do projeto Cachoeiras Gigantes, que padroniza o salto contínuo.
- Queda livre oficial: 340 metros, aferida pelo projeto Cachoeiras Gigantes
- Desnível topográfico total: 380 a 400 metros até o leito do vale
- Localização: Vale do Capão, em Palmeiras (BA)
- Unidade de conservação: Parque Nacional da Chapada Diamantina, com 152 mil hectares
- Trilha: 12 quilômetros entre ida e volta
Chuva e estiagem definem quando a cortina aparece
O regime de chuvas da região muda bastante o espetáculo ao longo do ano. A precipitação acumulada fica entre 830 mm e 1.192 mm por ano, e se concentra entre meados de novembro e fevereiro. Na estiagem, de setembro a dezembro, a vazão cai e pode interromper temporariamente a cortina de água.
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Regras de acesso para proteger os platôs e as bordas
A preservação do entorno cabe ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi instituído pelo Decreto federal nº 91.655, de 17 de setembro de 1985. Por isso, a unidade mantém protocolos restritos de acesso para monitorar o impacto dos visitantes nos platôs e garantir a segurança nas bordas abismais.







